Alberto João de saias?

A procuradora Cândida Almeida lembrou-se de sugerir que um inquérito parlamentar só pode mesmo resultar em “fofoquices” (isto, suponho, se comparado com os ponderosos, rápidos e implacáveis processos da Justiça que conhecemos). Imagina-se um político a emitir catilinária simétrica? Pois é; nem na Madeira aconteceu, até ver.

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11 respostas a Alberto João de saias?

  1. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Luís,
    A Cândida Almeida tem toda a razão. Não me lembro de um único inquérito parlamentar que tenha servido para alguma coisa. Gostava que me citasses alguns para me convenceres.

  2. Luis Rainha diz:

    Nuno,

    Até poderia a senhora ter toda a razão do mundo, isso seria na mesma indiferente. Na sua posição, ela nunca pode dizer coisa semelhante, tal como um ministro nunca poderia afirmar que os grandes processos contra os poderosos dão sempre em conversa da treta e fofoquices (só por exemplo).
    Que tu ou eu destratemos os inquéritos parlamentares, nula relevância tem. Agora uma procuradora?!

  3. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Acho que tens pouca memória. O actual Presidente da República queixou-se das forças do bloqueio, quando era primeiro-ministro. Na altura referia-se tb ao Tribuna Constitucional. Quando o efeito das comissões parlamentares é absolver as maiorias e lixar os processos,achas que, em democracia, a procuradora não devia dizer a sua opinião?

  4. JM diz:

    GeralNet da semana:
    ««um só euro que o Estado venha a gastar no BPP – seja através de dinheiro das Caixas ou do Fundo de Garantia, seja sob a forma de aval dado a empréstimos de outras entidades – será um euro roubado aos contribuintes» -Sousa Tavares.
    À consideração dos eleitores.

  5. teofilo m. diz:

    Aguardemos calmamente a evolução do inquérito, depois poderemos deitar, ou não, os foguetes.

  6. Olhos abertos diz:

    O que essa senhora conseguiu foi lançar o tema….chamem lhe burra…Eu cá lhe chamo esperta e corajosa.

  7. Luis Rainha diz:

    Acho mesmo que uma procuradora não tem nada que mandar palpites e bocas avulsas sobre os resultados dos inquéritos da AR, sobretudo de forma chocarreira. Falar de “forças de bloqueio” nao é o mesmo que evocar “fofoquices”, ainda para mais sendo uma simples procuradora. Como se terá lembrado de decretar o que pode ou não a AR inquirir? Só em Portugal. Ou na Madeira.

  8. João Gomes diz:

    Luis Rainha,

    Discordo em absoluto do senhor!
    Cândida Almeida tem toda a razão, nomeadamente neste caso concreto.
    O que se espera da Comissão Parlamentar de Inquérito é o “circo” do costume, não para se apurar o que quer que seja, mas para “branquear” os presumíveis criminosos e, se possível, promover Victor
    Constâncio a principal réu.
    Além do mais, os deputados que vierem a constituir a dita Comissão passarão a ter acesso a dados que estão em investigação e em segredo de justiça e ninguém garante que o conhecimento desses mesmos dados não vão parar às mãos dos que estão a ser investigados.
    Já agora um preciosismo: Cândida Almeida não é propriamente uma “simples” Procuradora será, antes, do ponto de vista hierárquico, a número dois.
    Cumprimentos.

  9. j diz:

    Esta magistrada só deu calinadas, que até o Marcelo Rebelo de Sousa (…!) achou que esteve mal.

    Sobretudo quando ao falar de coisas poucos “normais” e que levaram ao afastamento da PJ da investigação da Operação Furacão não concretiza o que de facto se passou.

    Já quanto ao inquérito parlamentar, acho que tem razão, porque não servem para nada.
    Mas o facto de eu achar, enquanto vulgar cidadão, que tem razão não lhe dá o direito, enquanto magistrada, de o dizer.

    Uma boa oportunidade para ter gasto o seu tempo a trabalhar no seu gabinete em vez de perder tempo a dizer coisas poucos adequadas para uma magistrada.

  10. João Gomes diz:

    j,

    As opiniões do professor Marcelo valem o que valem; uns levam-nas muito em conta, outros nem por isso. E eu estou nestes por não as considerar sempre verdadeiramente isentas.
    Certamente que sabe que a Cândida de Almeida quase só tem em mãos os chamados crimes de colarinho branco. Para os quais tem necessidade de meios, muitos meios, nomeadamente de recursos humanos especializados para este tipo de combate. Que todos os governos se recusam a dar-lhe, vá lá saber-se por quê, embora muita boa gente pense que a ausência de meios é exactamente para que fique tudo na mesma ou seja, a manutenção da impunidade.
    Também deve saber que a investigação criminal é dirigida por um magistrado do MP. É ele que coordena a investigação, que ordena diligencias e quaisquer outro meio que tenha como objectivo a obtenção de indícios e de provas. E com isto a PJ nunca se deu bem e, não poucas vezes, vai sabotando algumas das investigações em curso. Isto é sabido e consabido, é uma guerra que tem barbas.
    Claro que ela tem o direito de desabafar em público sobre os muitos problemas que lhe põem no desempenho do seu trabalho. Certamente que, antes, ela os transmitiu ao PGR e à tutela. Mas isto dos colarinhos brancos é muito complicado e é transversal a todos os partidos portugueses que exercem ou exerceram o poder…

  11. j diz:

    Tudo bem, João Gomes.

    Embora mantenha tudo o que comentei, e que no essencial não conflitua com o seu comentário, que vai num sentido um pouco diferente do meu.

    O que me chateia, e me levou a comentar, é sobretudo um hábito que se vai institucionalizando no meio judicial, quando alguns magistrados, como foi este caso concreto, “(…) quando ao falar de coisas poucos ‘normais’ e que levaram ao afastamento da PJ da investigação da Operação Furacão (…)” não concretiza o que de facto se passou.
    Ou seja, a senhora magistrada ou continuava calada quanto à PJ ou devia ser consequente e dizer em público aquilo que apenas insinuou.
    Certamente que a PJ, e as polícias, em geral, têm razões, em muitos casos, para dizer o mesmo da magistratura.
    Mas se um simples funcionário de investigação criminal disser o que disse a procuradora, independentemente de ser do “ponto de vista hierárquico, a número dois”, leva com o regulamento disciplinar em cima.
    E, ao que julgo saber, a senhora magistrada falava como uma simples procuradora geral adjunta e não como a “número dois”, mas ainda que fosse, não lhe fica bem insinuar sem concretizar.
    É disto que trata o meu comentário.

    Quanto a Marcelo Rebelo de Sousa, repare que escrevi com “(…!)”, ou seja, tinha algo mais a dizer e que não disse, mas que significa que já há muito que também não me convence em muito do que diz.
    Com todo o respeito que lhe tenho como professor universitário, quanto a comentador político está gasto, por vezes, faz lembrar aqueles economistas que, há uns meses, diziam que o petróleo nunca mais baixaria e que até ao fim do ano ia chegar aos 200 dólares, sendo que hoje, como a maior da desfaçatez facilmente argumentam em sentido contrário.

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