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Sobre a democracia avançada

29 de Novembro de 2008 por Tiago Mota Saraiva

“A democracia avançada com as suas quatro vertentes inseparáveis – a política, económica, social e cultural, – integra cinco objectivos onde, a par de um regime de liberdade, com um Estado democrático, representativo, participativo e moderno, de uma política de democratização cultural e uma pátria independente e soberana, se preconiza um desenvolvimento económico assente numa economia mista, moderna e dinâmica e uma política social que garanta a melhoria das condições de vida do povo.”
Jerónimo de Sousa, XVIII Congresso do PCP – discurso de abertura

Hugo, esta parte parece que foi escrita para ti.

Comentários

Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 29 de Novembro de 2008, 19:43

Gostei sobretudo da parte da caracterização do Bloco tão profunda , tão séria, tão pouco sectária. Fica um mistério, se não se pode trabalhar com o Bloco nem com a esquerda do PS, o PCP pretende chegar à democracia avançada como? Acho que o euromilhões ainda não sorteia esse prémio.
A pressão do PCP para que o Carvalhas não participe numa iniciativa com outras pessoas de esquerda tb é mt significativa.
A caracterização dos entendimentos do BE e PCP, câmara de lisboa, referendo do aborto e paridade também é notável. Quem é que andou coligado com o genial João Soares? Ter ganho o referendo do aborto e ser favorável a uma igual representação das mulheres, em relação aos homens, nos cargos públicos é um desvio burguês?

Comentário de xatoo
Data: 29 de Novembro de 2008, 20:00

“Estado demo-repre-particip-moder (…) política de demo-cultural (…)pátria independente-soberana (…) desenvolvimento económico assente numa economia mista(…)”
cada cavadela sua minhoca:
1- Estado, o comunismo, segundo Marx propunha-se acabar com ele e não “democratizar” o Estado burguês
2- a Politica resulta da base económica que a suporta, das condições concretas do modo de produção e dos factores que determinam a posse desses meios pela classe dos proletários
3- Economia mista: o Frentismo legado pela III Internacional extensivo à participação dos operários e da pequena burguesia nos Conselhos de Administração? não me parece
4- Pátria! o legado do antifascismo; mas Marx disse justamente o contrário, que os operários não tinham pátria: o internacionalismo proletário – querem ver que o PCP já não é marxista (como o General Eanes disse que o Melo Antunes foi
Politica de caserna, alianças povo-MFA, para além da retórica “moderna”, qual é a novidade?

Comentário de Sérgio Pinto
Data: 29 de Novembro de 2008, 20:03

Sim? Olhe, caro Tiago Saraiva, eu confesso que aprecio mais esta passagem das sempre brilhantes “Teses”:
“A contribuição da URSS e, posteriormente, do campo dos países socialistas, para os grandes avanços de civilização verificados no século XX foi gigantesca.”

O expoente máximo da “democracia avançada”, não é? E dizem-se de Esquerda, vocês?

Comentário de Tiago Mota Saraiva
Data: 29 de Novembro de 2008, 20:05

Nuno, embora concorde que a caracterização que se faz do BE no projecto de teses é superficial e excessiva afirmando-se um distanciamento que, no terreno e na luta diária, não é real (veja-se por exemplo a acção e votação dos dois partidos na AR).
Por outro lado, nunca vi escrito em parte nenhuma, que não se pode trabalhar com o Bloco ou com as esquerdas do PS (http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/400358).
O alerta que se lança, e neste ponto estou absolutamente de acordo, é que a sebastiânica “esquerda do PS”, não pode continuar a ser o botox do partido em tempos eleitorais. Para que serve à esquerda, um Alegre deputado a votar o orçamento?

Comentário de Carlos Vidal
Data: 29 de Novembro de 2008, 20:19

A minha modesta ideia sempre foi a de que só há futuro algum à esquerda – ver um post anterior despretensioso – com uma aproximação entre o BE, o PCP e a ala esquerda do PS, uma ala que seja decente e coerente (com ou sem Manuel Alegre), coisa difícil naquelas bandas, talvez.

Quanto ao BE, o que representa no BE, quanto do BE vale, uma linguagem primária como a de Daniel Oliveira? Se valer muito, caros Nuno e Tiago, não vale a pena falar do BE.

Comentário de M. Abrantes
Data: 30 de Novembro de 2008, 18:46

Esta citação tem o trabalhar de um Ferrari sem motor.

Comentário de Quintanilha
Data: 30 de Novembro de 2008, 18:53

Gostaria que me explicassem, por forma a eu compreender, porque é que os comunistas portugueses passam o tempo a falar de democracia e a afirmarem-se como um partido democrático (o único segundo eles!) quando todos os exemplos conhecidos de regimes comunistas, são regimes totalitários que primam precisamente pela ausência de democracia e da liberdade e que fazem purgas e perseguições políticas aos cidadãos que não concordam com a sua ideologia.

Comentário de Quintanilha
Data: 18 de Janeiro de 2009, 12:34

Passados que estão quase dois meses, não tenho direito a uma resposta?

Comentário de Tiago Mota Saraiva
Data: 18 de Janeiro de 2009, 17:56

Caro Quintanilha, para lhe responder pedia-lhe que me referisse um documento oficial em que o PCP se apresenta como único partido democrático e um país cujo governo tenha declarado ser uma sociedade comunista. E já agora com indicação das fontes, para termos uma discussão séria e sem chavões.