Sobre a democracia avançada

“A democracia avançada com as suas quatro vertentes inseparáveis – a política, económica, social e cultural, – integra cinco objectivos onde, a par de um regime de liberdade, com um Estado democrático, representativo, participativo e moderno, de uma política de democratização cultural e uma pátria independente e soberana, se preconiza um desenvolvimento económico assente numa economia mista, moderna e dinâmica e uma política social que garanta a melhoria das condições de vida do povo.”
Jerónimo de Sousa, XVIII Congresso do PCP – discurso de abertura

Hugo, esta parte parece que foi escrita para ti.

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9 respostas a Sobre a democracia avançada

  1. Gostei sobretudo da parte da caracterização do Bloco tão profunda , tão séria, tão pouco sectária. Fica um mistério, se não se pode trabalhar com o Bloco nem com a esquerda do PS, o PCP pretende chegar à democracia avançada como? Acho que o euromilhões ainda não sorteia esse prémio.
    A pressão do PCP para que o Carvalhas não participe numa iniciativa com outras pessoas de esquerda tb é mt significativa.
    A caracterização dos entendimentos do BE e PCP, câmara de lisboa, referendo do aborto e paridade também é notável. Quem é que andou coligado com o genial João Soares? Ter ganho o referendo do aborto e ser favorável a uma igual representação das mulheres, em relação aos homens, nos cargos públicos é um desvio burguês?

  2. xatoo diz:

    “Estado demo-repre-particip-moder (…) política de demo-cultural (…)pátria independente-soberana (…) desenvolvimento económico assente numa economia mista(…)”
    cada cavadela sua minhoca:
    1- Estado, o comunismo, segundo Marx propunha-se acabar com ele e não “democratizar” o Estado burguês
    2- a Politica resulta da base económica que a suporta, das condições concretas do modo de produção e dos factores que determinam a posse desses meios pela classe dos proletários
    3- Economia mista: o Frentismo legado pela III Internacional extensivo à participação dos operários e da pequena burguesia nos Conselhos de Administração? não me parece
    4- Pátria! o legado do antifascismo; mas Marx disse justamente o contrário, que os operários não tinham pátria: o internacionalismo proletário – querem ver que o PCP já não é marxista (como o General Eanes disse que o Melo Antunes foi
    Politica de caserna, alianças povo-MFA, para além da retórica “moderna”, qual é a novidade?

  3. Sérgio Pinto diz:

    Sim? Olhe, caro Tiago Saraiva, eu confesso que aprecio mais esta passagem das sempre brilhantes “Teses”:
    “A contribuição da URSS e, posteriormente, do campo dos países socialistas, para os grandes avanços de civilização verificados no século XX foi gigantesca.”

    O expoente máximo da “democracia avançada”, não é? E dizem-se de Esquerda, vocês?

  4. Tiago Mota Saraiva diz:

    Nuno, embora concorde que a caracterização que se faz do BE no projecto de teses é superficial e excessiva afirmando-se um distanciamento que, no terreno e na luta diária, não é real (veja-se por exemplo a acção e votação dos dois partidos na AR).
    Por outro lado, nunca vi escrito em parte nenhuma, que não se pode trabalhar com o Bloco ou com as esquerdas do PS (http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/400358).
    O alerta que se lança, e neste ponto estou absolutamente de acordo, é que a sebastiânica “esquerda do PS”, não pode continuar a ser o botox do partido em tempos eleitorais. Para que serve à esquerda, um Alegre deputado a votar o orçamento?

  5. Carlos Vidal diz:

    A minha modesta ideia sempre foi a de que só há futuro algum à esquerda – ver um post anterior despretensioso – com uma aproximação entre o BE, o PCP e a ala esquerda do PS, uma ala que seja decente e coerente (com ou sem Manuel Alegre), coisa difícil naquelas bandas, talvez.

    Quanto ao BE, o que representa no BE, quanto do BE vale, uma linguagem primária como a de Daniel Oliveira? Se valer muito, caros Nuno e Tiago, não vale a pena falar do BE.

  6. M. Abrantes diz:

    Esta citação tem o trabalhar de um Ferrari sem motor.

  7. Gostaria que me explicassem, por forma a eu compreender, porque é que os comunistas portugueses passam o tempo a falar de democracia e a afirmarem-se como um partido democrático (o único segundo eles!) quando todos os exemplos conhecidos de regimes comunistas, são regimes totalitários que primam precisamente pela ausência de democracia e da liberdade e que fazem purgas e perseguições políticas aos cidadãos que não concordam com a sua ideologia.

  8. Passados que estão quase dois meses, não tenho direito a uma resposta?

  9. Tiago Mota Saraiva diz:

    Caro Quintanilha, para lhe responder pedia-lhe que me referisse um documento oficial em que o PCP se apresenta como único partido democrático e um país cujo governo tenha declarado ser uma sociedade comunista. E já agora com indicação das fontes, para termos uma discussão séria e sem chavões.

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