Um momento tocante da carreira de uma ministra

“Uma carta que recebi de um menino que recebeu um computador para ter em casa, não sei já em que circunstância, e escreveu-me a dizer: ‘Quando for grande, vou inscrever-me no PS.’ É tocante.”

Bom, eu já sou grande, não recebi nada para ter em casa, e também vou já inscrever-me no PS.

ADENDA: Como tem acontecido um pouco por todas as escolas do país, em factos amplamente noticiados, a ministra ainda não explicou quando é que o menino vai ter de devolver o computador. Ou seja, as TVs já foram a casa da criança para as filmagens ? Ora, suponhamos que sim. Então, o que é que o computador está ainda a fazer em casa dessa criança ?

Apesar de tudo, estou a caminho da sede do PS para a minha inscrição. Mantenho o que disse atrás. Vou filiar-me já.
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19 respostas a Um momento tocante da carreira de uma ministra

  1. Francisco diz:

    Conhece o dístico “RESERVADO O DIREITO DE ADMISSÂO” ?

    (Ah! Estava a ironizar como a MFL ? Olhe, pois também eu !)

  2. GL diz:

    Até que enfim, alguém é agradecido neste país. Chiça…

  3. Cam diz:

    fonte?
    Custa a acreditar que alguem tenha dito semelhante alarvidade.

  4. Tiago Mota Saraiva diz:

    O Ministro Vieira da Silva, também se prepara para anunciar que vários inscritos em Centros de Emprego pelo país fora lhe escreveram outra carta comovente:
    “Eu inscrevi-me no PS. E agora já tenho um emprego.”

  5. rosinha dos limões diz:

    menos mal, menos mal, Portanto, modelo racionalista/planificado e historicista do socialismo ortodoxo-não.
    Reformismo do capitalismo também-não. Lá se vão as ideologias decimónicas.
    Isso em pintura de qualquer quadro, diz-se: dá-lhe no canto.

  6. Carlos Vidal diz:

    Dá-lhe no canto, no coração e na alma.
    Se Deus é grande, porque não haveria o PS também de o ser ?

  7. Foi assim que a ministra começou, deve até ter escrito uma cartinha ao presidente do concelho em pequena, a agradecer a ardozia que lhe fora oferecida e prometeu ser autoritária, despótica e prepotência quando crescesse.

  8. É um perfil tocante, o da ministra no P2 do Público. Tanta candura chega a comover. É o Job for de boys em verso.

  9. Carlos Vidal diz:

    E eu gostei do momento final: como é que a criança soube que o computador veio do PSSSS ? Poderia ter vindo do “Novas Fronteiras”, da Res Pública, poderia ter sido ofertado pelo senhor Pedreira, pelo ISCTE a pensar em futuro assistente, que sei eu ?
    As coisas que nós não sabemos.
    Agora, para animar vou pôr uma foto embelezadora. E, a seguir, inscrever a família toda, toda.

  10. rosinha dos limões diz:

    A resposta é simples meu caro carlos, depois de qualquer momento agnóstico, passa-se ao ateísmo. Daí p’rá frente é sempre nU, verdadeiro e autêntico PS. Volta PS Católico, estás perdoado. Voltai, voltai, a atitude espiritual da modernidade não se limitou a suavizar a minoria de idade e a repressão social do homem, destruiu tambem a concepção de si mesmo e do mundo bem como as estruturas espirituais. E lá vem a incerteza do Sol. Vota PS, Vota UDP, Vota PS.

  11. Carlos Vidal diz:

    Calma, rosinha, eu ainda não cheguei ao Largo dos ratos. Vou devagar e a pé, pagando uma espécie de promessa. Ainda estou a passar pelo Jardim Zoológico. Quando chegar ao Largo dos ratos dou notícias.

  12. Eu acabei de escrever um poema daqueles que esgotam edições de livros e que por truque não são reeditados. Tenho sofrido tanto com a ausencia da reedição, é que as fotocópias fazem transbordar aqui o espaço.
    E aquele outro poeta e amigo, uma vergonhaça tambem.
    Li a preocupação misteriosa da vizinha aí do lado e não me pareceu mal. Tem qualquer coisa de franco e directo que gosto e talvez passe a preferir. Beijos.

  13. francisco diz:

    No PS não entram comunistas burgueses arrependidos.

  14. Francisco,
    Conheço pelo menos uns 30 comunistas burgueses arrependidos que entraram no PS. Por motivos de sobrevivência não vou nomea-los. Fico-me pelo o antigo dirigente da UDP e PCR (?) , Coelhone.

  15. Ricardo Santos Pinto diz:

    Da sua experiência como Ministra da Educação, o aspecto mais relevante que a «coisa» escolhe é a carta de um puto que diz que vai inscrever-se no PS.
    Ou como alguém, que até chegou a parecer ter condições para fazer alguma coisa, em apenas três anos se tornou completamente inimputável.
    O cadáver fala, estrebucha, num último e triste estertor. Dos apoiantes, recebe um encolher de ombros complacente. Daqueles que hostilizou, uma indiferença cada vez maior, como se já não estivesse ninguém do lado de lá.
    A inexistência dói, mói, mata. Recua e recua e recua até ao precipício. Morreu e ninguém lhe disse ainda. Não tem vergonha se dá uma ordem e ninguém a cumpre. Não tem vergonha se aqueles que hostilizou se riem dela.
    E fala. E estrebucha. Num último estertor. Triste. Doentio. Inimputável.

  16. Carlos Vidal diz:

    O nosso caro comentador francisco pecou por defeito – não sabe o que é o PSSSSSSSSSSSSS, está visto Nuno. Já agora de onde veio o ministro Jamé? E é burguês? E arrependido? Como, está arrependido? Agora? Pela Ota? Não percebo. Mas o Coelhone ou simplesmente coelho (engenheiro também?), ainda é melhor, muito melhor: administrador de um gigante, faz-me sombra a mim que nem uma mesa de trabalho sei administrar.
    Caro Ricardo, V. consegue ser mais cirúrgico e certeiro do que eu. Espero sinceramente que o recuo seja até a um precipício luminoso. Em sentido figurado, claro. Daqueles precipícios que dão luz e ideias. Parece que a doutora Lurdes R. vai querer dedicar-se à história da arte (fonte: DN).

  17. A. Moura Pinto diz:

    Conheço muitos invejosos dos pratos de lentilhas dos outros… aguardemos que eles poisem. Porque, à falta de melhores argumentos, apenas a inveja lhes sobra.
    Depois temos aqueles que de tanto insistirem em estar onde e como estão… ficam petrificados. Por agora. Mas felizes, valha-lhes isso…

  18. Carlos Vidal diz:

    Moura Pinto,
    Não entendo exactamente o sentido da sua frase, pois suponho que ela tem destinatários e, de imediato, não sei se são concretos ou se propõe uma generalização. Claro que há invejosos dos pratos de lentilhas dos outros. Sempre houve, e os governos são pródigos nas duas coisas: em distribuir lentilhas e em gerar invejosos. É próprio do “primeiro” ao “terceiro mundo”.
    Outros nem pensam nisso. Desculpe a auto-referência, no meu caso apenas procurei relacionar-me com a instituição onde me formei (sem faxes) e onde trabalho. Não tenho contactos com distribuidores de lentilhas, nem os conheço, mas conheço muitos beneficiados.

  19. Que aborrecimento isto do momento tocante da carreira de uma governante, coisa hedonista, não será por estar o país cheio de advogados, economistas e outros que não conseguem exercer e desejam fazê-lo nas escolas, universidades e centros de investigação que os traz em defesa da sua dama, o governo não os apoia, legitima e coloca? Ou é apenas o tal interesse desinteressado dos nossos rositas dello caribe a perorar justiça, implorar meritocracia e resfolgar nas tretas do economicismo? Tais atitudes envergonham os esforços de António Sérgio, Teófilo de Arriaga, Oliveira Martins e mais positivismo que houvesse.

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