SUGESTÕES p’rá caixinha dos comentários

Para já, apenas duas pedras preciosíssimas:

“Perdi os professores, mas ganhei a opinião pública”

“Antes de um aluno ter abandonado a escola foi abandonado pelo professor”

Agradeço contribuições para a caixinha dos comentários – agradeço envio de palavras tão avisadas quanto estas. É que a minha memória falha-me e eu gosto de citações.

Da mesma autoria. Uma vez mais grato, como sempre. (Também aceito pensamentos, reflexões sociológicas sobre temas afins.)

ADENDA 1, a título excepcional, porque excepcionalmente valiosa graças a M. (ver caixa de comentários, com indicação de fonte, lugar, etc); do secretário Jorge Pedreira, recentemente, sobre as negociações com os professores:

“Quando se dá uma bolacha a um rato, a seguir ele quer um copo de leite.”

ADENDA 2, ainda do secretário Pedreira veio a ideia de que, caso haja grande número de professores a abandonar o ensino, sempre se poderiam recrutar novos no Brasil (ver caixa coment.)

Tentarei, mesmo noutro post, logo se verá, dar destaque a todos os preciosos envios que venham chegando. Continuo agradecido.

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86 respostas a SUGESTÕES p’rá caixinha dos comentários

  1. Ricardo Santos Pinto diz:

    Pois, parece que há muitrs brasileiros que podem ser professores.
    Ó Gilson, não te queres candidatar? Ias ser um excelente yes man, um avaliador de mão cheia, e, vê lá tu, até ias aceitar ser avaliado!

    Ó Gilson,

    «Licenciados em universidades da treta, com cursos da treta, com diplomas da treta.»
    Deves estar a falar do primeiro-ministro, não? Olha que não há muitos professores que tenham tirado o curso, via fax, na Inadpendente.

    A. Moura Pinto,

    Nunca o «5 Dias» esteve tão bom como agora. Claro que os primeiros-faxes diminuiram, mas o que é que se há-de fazer?

    «Em todo o sector privado, a avaliação é uma regra há muitos anos.»
    Vê-se, por isso é que as empresas privadas são a merda que são. Por isso é que Portugal é a merda que é. É por isso, por serem todos tão bem avaliados.

    «A Fenprof e Mário Nogueira são os principais responsáveis da mediocridade do ensino secundário em Portugal.”
    Os professores é que estão contra este modelo de avaliação. Os sindicatos assinaram um memorando contra a vontade dos professores. Os sindicatos vieram a reboque dos professores em duas manifestações. Os sindicatos precisam dos professores.
    É fácil atacar um sindicalista (entre 11 sindicatos da Plataforma) em vez de atacar 120 mil professores. Mário Nogueira está há meia dúzia de anos na Fenprof, mas é o principal responsável do estado da educação. Não são os políticos, não, é o Mário Nogueira.
    Já sei que, para si, os professores são todos uma merda. E se os mais velhos se reformam, é porque agora têm de trabalhar.
    Já sei: todos os professores que me precedera foram uma merda, mesmo as maiores sumidades literárias. Claro, nunca foram avaliados!

    Para todos,

    Se os professores não quisessem ser avaliados, o actual modelo era excelente. Depois de inúmeros recuos:
    1 – a componente científica e pedagógica não é avaliada (como se houvesse componente mais importante no trabalho do professor).
    2 – o professor escolhe por quem quer ser avaliado.
    3 – desde que não tenha faltas injustificadas, a classificação de BOM está garantida.
    Querem melhor? Que avaliação é esta afinal?

  2. Carlos Vidal diz:

    Um esclarecimento necessário: eu não descredibilizei a opinião do comentador Jacinto, pelo contrário. Agradeci-lhe a informação acerca da senhora Armandina e da outra de que não me lembro o nome.

    Agora, parece-me que o meu caro Moura Pinto desconversa ou alguma coisa não entendeu: não descredibilizo nem descredibilizei o comentário de Jacinto, com quem concordo, como não descredibilizei nada do que disse o mau caro Moura Pinto. Por sinal, acho que reparou que aquilo que aqui tenho estado a fazer é a debater ideias. Consigo ou quaisquer outros.

  3. Carlos Vidal diz:

    E está quase tudo dito, caro Ricardo Santos Pinto, a ministra não quer avaliar nada, quer manter-se no cargo, quer salvar a face do governo, quer um lugar numa pequena história que diga: humilhei-os e venci-os, ou qualquer coisa do género. Sem vencer nada de nada. Ao esvaziar a avaliação de qq componente pedagógica e científica, a ministra diz ao que vem: quer agarrar-se à secretária e cadeiras do seu gabinete e aí permanecer, mesmo que o governo já seja outro sem que ela tenha dado por isso.

  4. manuela diz:

    A Fenprof e Mário Nogueira não defendem um sistema de ensino melhor. Defendem os maus professores, os calões, os relapsos, os incompetentes.

    Só gostaria que alguém me explicasse o que faziam mais de 100 000 professores na rua misturados com calões, relapsos, incompetentes. Parece-me demasiada gente a meter-se de madrugada nas suas tamanquinhas, descer ao povoado e calcorrear avenidas apenas pela defesa de profissionais tão ruins. A menos que sejam 120 000 calões, relapsos e incompetentes.

  5. A. Moura Pinto diz:

    Carlos Vidal

    Por mim já teve melhores dias o Cinco dias. Pode não concordar, mas a isso nunca seria obrigado. Eu sou daqueles que têm a isenção como uma ingenuidade. Por isso, nada faço para que me tomem por isento. Mas procuro que tb não me tomem por parvo.

    E pouco me importa saber em que esteja filiado ou não. E já agora: isso vem a propósito de quê, como argumento, admitindo que o é? Não entendi. Tento, até onde souber, discutir ideias, pouco me importando de onde venham.

    Não entendeu o primeiro comentário que fiz ao Jacinto. Se reparar bem, escrevi a seguir ao seu, quando desvalorizava as posições de outros, do modo que o fez. Como vim a esclarecer depois, dei uma resposta “à C Vidal” para quem, o facto de ser próximo disto ou daquilo, é razão suficiente para não ser credível, sabe-se lá se não mesmo intelectualmente desonesto. Não sei se agora entendeu. Mas nunca chamaria incompetente a ninguém aqui, que isso deixo para si, como quando se referiu à ministra, que tem por incompetente pessoal e profissionalmente, embora não eu perceba que raio de profissão é essa de ser ministra. Assim como fiquei sem saber em que termos, ou como, faz a análise pessoal e profissional da dita.

    Perdoe a franqueza, mas eu já não vou lá com meras tiradas, sem mais.

    Eu cito quem entendo citar, o mesmo fez você, quando trouxe aqui o V Cabral. Este pode ser mais credível para si e nisso não vejo mal algum.

    Pode não lhe convir o Nicolau Santos, poucas palavras, pouca análise, muito sintético. Mas repare: que solicita você no texto com que começou esta conversa? Não perco tempo a lembrar, basta ler o que escreveu. Não será você bem mais sintético, de poucas palavras, de nenhuma análise? Como vê, tb você é… brilhante. Que isto dá para todos.

    Mas nem é caso único. Veja isto que escreveu:”a ministra não quer avaliar nada, quer manter-se no cargo, quer salvar a face do governo, quer um lugar numa pequena história que diga: humilhei-os e venci-os, ou qualquer coisa do género. Sem vencer nada de nada. Ao esvaziar a avaliação de qq componente pedagógica e científica, a ministra diz ao que vem: quer agarrar-se à secretária e cadeiras do seu gabinete e aí permanecer, mesmo que o governo já seja outro sem que ela tivesse dado por isso.”

    Quanto ao pintor, que lhe posso dizer? Que deverá ter ficado a obra, espero que bem cotada.

    Já no que respeita ao que decorre de uma vitória eleitoral – e essa comparação com o que poderia ser o governo em ditadura é mesmo de mestre – apenas isto:

    a) Ganhou quem ganhou e será julgado no local e data certa.
    b) O eleitor, particularmente aquele que votou em quem ganhou, deve exigir o cumprimento do que prometeu e, sobretudo, do programa de governo.
    c) Como não votei – ninguém votou – no que sobre a educação entende a Fenprof ou os professores, não dou a mesmo legitimidade na matéria a uns e aos outros.
    d) Naturalmente que se devem privilegiar consensos. Na condição de as partes nisso estarem interessados. Aqui, podemos ter uma discordância de fundo, pois a ministra, para mim, tem feito por isso, os sindicatos não. Por exemplo, sem lhe dar qq novidade, há quem, arrogando-se uma legitimidade que não tem (ver c)), entende que só negoceia mediante condições prévias. E isto, mesmo que não mo permita, é inaceitável.

    E aqui, permita que lhe recorde o que de si citei mais acima. Se a ministra não cede, a gente sabe o que se lhe chama. Se cede, temos C Vidal a parecer não concordar “Ao esvaziar a avaliação de qq componente pedagógica e científica”. Então o que deixou cair não era o que de mais espinhoso era apresentado pelos sindicatos? E já agora, C Vidal: com esta crítica, não está a afirmar que o modelo tinha, pelo menos, a vantagem de permitir a avaliação pedagógica e científica? Veja lá… não se trame com estes descuidos.

    E, quanto a este seu tema, por mim basta. Quanto ao assunto do ensino ou da avaliação, não desisto.

  6. GL diz:

    “Pois, parece que há muitrs brasileiros que podem ser professores.
    Ó Gilson, não te queres candidatar? Ias ser um excelente yes man, um avaliador de mão cheia, e, vê lá tu, até ias aceitar ser avaliado!”

    Não devia meter o Brasil nisso… os brasileiros não tem culpa do enorme insucesso escolar dos alunos portugueses.
    – –
    Se eu fosse avaliador, pode ter a certeza de que ia fazer a vida negra aos professores baldas.
    Mas o Ricardo é amigo e não é baldas.
    Abç

  7. GL diz:

    Faço já aqui uma declaração de voto: se o Governo ceder ao sindicato dos professores, não votarei PS. Votarei no Partido da Terra.

  8. Carlos Vidal diz:

    Vamos pegar em três pontos da sua argumentação A. Moura Pinto, com todo o respeito, e ser sintéticos (vai longa mas profícua a discussão):

    “a) Ganhou quem ganhou e será julgado no local e data certa.
    b) O eleitor, particularmente aquele que votou em quem ganhou, deve exigir o cumprimento do que prometeu e, sobretudo, do programa de governo.
    c) Como não votei – ninguém votou – no que sobre a educação entende a Fenprof ou os professores, não dou a mesmo legitimidade na matéria a uns e aos outros.”

    Repare,
    a) e b) O governo não se propôs a eleições com um programa na área da educação baseado nesta consideração: os professores são laxistas, faltosos, preguiçosos, etc (use o texto de Nicolau Santos, use os seus termos e argumentos, melhor que o de A. Pedro Ferreira, que nem sei quem é, nem me interessa, mas nada sabe de questões pedagógicas).
    O que a ministra tem dito dos professores não foi sufragado nas eleições nem constava no programa do Partido Socialista. A ministra, concluo, não está a cumprir nenhum programa de nenhum governo apresentado aos eleitores, está a cumprir o SEU programa, dela e de mais ninguém – O PS NÃO SE APRESENTOU COM AS TESES DA MINISTRA A ELEIÇÕES.
    Já agora, portanto: c) V. não votou nas teses da Fenprof nem nas teses da ministra. Defende agora as da ministra, mas não se esqueça que elas são PÓS-ELEITORAIS.
    De resto, o “ganhou quem ganhou” não legitima tudo. Se isso é uma democracia, verá rapidamente que em nada se distingue de uma qualquer ditadura.

    Quanto ao início do meu post, pode relê-lo: usei apenas frases da ministra e não fiz nenhuma análise de tais ditos. Pedi mais frases, por me parecerem que ilustram a personalidade e intenções de alguém que, no fundo, pretende mais conflitualidade e culpabilização do que melhorias ou qualidade no ensino. Culpabilizar, culpabilizar, foi desde sempre a estratégia deste ministério.

    Se as citações suscitaram esta discussão toda, é porque elas por si mesmas são reveladoras.

  9. ... ZÉ DO POVO ... diz:

    T”adinhos… É o que eu pensava, já agora recomendo, para a azia, Maalox Plus, se tiverem refluxo esofágico é melhor Nexium porque contém esomeprazol, ou então não aceitem opiniões divergentes. Afinal é tudo tão fácil.

  10. A. Moura Pinto diz:

    Carlos Vidal

    Esperava mais de si, embora o não conheça. Mas paciência.

    Mas que raio de argumentação é esta, de querer pegar no meu argumento das promessas eleitorais e de um programa de governo para, depois, vir questionar-me se isso contempla o que escreve N Santos e o que diz ter sido afirmado pela ministra quanto aos professores? Se tem essa dúvida, porque não vai ler o programa?

    Eu tive o cuidado de afirmar ter a isenção como ingenuidade. Mas acha que quem aqui nos leia é gente burra para papar os seus argumentos ou os seus arranjos de corta e cola? Mesmo que a ministra tivesse dito o que refere sobre os professores, isso é que é o programa do governo para a educação?

    Quanto a Teses, meu caro, é noutro lado, com outros protagonistas. E tb as li, por curiosidade. Mas nega que exista um programa de governo aprovado na AR?

    E, francamente. Então isto não se distingue de uma ditadura, se o governo insistir na legitimidade do voto para governar? E será que já estão abolidas as próximas eleições?
    Querem ver que a democracia foi mesmo suspensa e não me avisaram?

    É verdade que o seu post pedia outras coisas: umas bocas, umas graçolas. Eu, entre outros, peguei no lado sério da questão. Você ainda quis ir por aí, mas… digamos apenas que não está disponível. Sou simpático, como vê.

  11. Carlos Vidal diz:

    Eu não escrevi “Teses”, eu escrevi “teses”, pontos de vista, ideias ….

    O programa da ministra e a forma como desdenhou dos professores, não foi apresentado a eleições, tal como o PS (outra conversa) vive da palavra “socialista”. Se se apresentasse com as mesmas pessoas, a mesma história, o mesmo programa a eleições nem chegaria aos 10 %. Sem socialismo, o partido vive da palavra para captar votos. Outra conversa. Ou não. Pois trata-se sempre de um partido que, na oposição é uma coisa, e no governo é a oposição à sua oposição. Foi sempre assim desde 1975.
    E tem vitórias !

  12. A. Moura Pinto diz:

    Carlos Vidal
    Agora foi claro. Afinal não o programa do governo para o ensino e, em particular, a avaliação dos professores que estava aqui em causa para si.
    Só que eu vim ao engano. Mas todos erramos. Não será drama.

  13. Caro menino carlos, difícil isto de ser o que não é, caixa de ressonância dos media, mais fácil a retórica tribunaleira,
    enfim: susceptibilidades presumidamente mais ou menos prosaicas.
    Na Freita é maior ainda a aridez, o sub-solo é granítico, agrupam-se a espaços, em disposições caóticas, enormes pedregulhos, musgosos e negros que o tempo tem ido desbastando sensívelmente, e que parece terem sido reunidos com algum misterioso intuito por mãos de gigantes sobrenaturais.

  14. Carlos Vidal diz:

    O que está em causa, não mistifique A. Moura Pinto, discute o que está em discussão e nada de truques “políticos” ou de desvio retórico, o que está em causa é um conjunto de questões, que vão desde o comportamento histórico desse incrível partido “S” à sua acção governativa em concreto. Nestes comentários estão muitos pontos de vista, seus, meus, de outros comentadores, em discussão e em aberto. Não se feche agora, para melhor defender o indefensável, no meu último comentário. Mas, claro, considere-o também. Só que não é o único. E tudo o que está escrito por aqui acima ?

  15. Carlos Vidal diz:

    Caríssimo rozinha dos limões, você é um Aquilino Ribeiro não assumido. Não lhe falta superlativo recorte literário. Assuma-se mulher de Deus ! E escritora.

  16. A. Moura Pinto diz:

    Mais uma vez muito claro: interessa a Carlos Vidal “um conjunto de questões, que vão do comportamento histórico desse incrível “S” à sua acção governativa em concreto” (sic).

    E como? Solicitando, para uma caixinha de comentários, graçolas sobre uma ministra.

    Quem foge a isto é acusado de “truques “políticos” ou de desvio retórico”(sic, de novo).

    Já por duas vezes afirmei que o Cinco dias já teve melhores dias. Porque a exigência era outra.

    Talvez fosse de fixar uma espécie de estatuto editorial e que pode bem compreender o que pretende Carlos Vidal. Nada tenho contra. Mas com a preocupação, estimável, de não se deitar fora um nivelzito de exigências. Para que o Cinco dias não seja amanhã objecto de análises históricas do tipo das pretendidas ou ao alcance de Carlos Vidal, pelo menos a julgar pelo que aqui fica neste post.

  17. É sim menino, é, sou muito pela Nossa Senhora da Assumpção, uma rapariga perfeitaça e louçã que se dirige veleira pelo caminho da montanha, logo hoje que nos perdemos de españa. Rimei, em branco, ou nenhum submarino ao fundo, quanto mais o porta aviões claro, esgotarei a edição?

  18. Carlos Vidal diz:

    Caro Moura Pinto
    Há um mal entendido que, por mim, gostaria de não ver por aqui. Gostaria, acho que isso me é permitido.
    Vou ser sintético, mantendo-me sempre disponível e interessado em ouvi-lo, noste ou noutro post: se há uma coisa que aqui foi (ou está a ser) realizada foi pois uma discussão de ideias. Como vê, as graçolas foram um desencadeante, e não impediram debate nenhum.

    De outro modo, também não me parece certo denominar graçolas a citações da ministra e dos seus secretários. Há documentos e testemunhos dessas citações.

  19. Carlos Vidal diz:

    E acrescento, o que não pode é espera uma concordância com os seus pontos de vista.

  20. A. Moura Pinto diz:

    Carlos Vidal

    Primeiro, aqui tudo lhe será permitido que a casa é sua.
    Agora, se rebobinar tudo o que se escreveu, verá quem inverteu (subverteu) o seu propósito inicial e que era bem claro. Depois houve debate mas já pouco ou nada sobre as graçolas da ministra. Que quem quer, de facto, falar do ensino e, em concreto, do modelo de avaliação dos professores, tem que ser mais exigente.

    Já agora: há coisas que se dizem e não têm o meu acordo, sejam da ministra ou não. Mas nisto, por algumas que vi por aqui, mais que documentos eu apreciaria tê-las ouvido ao vivo, para melhor as poder julgar. O dizer que disse, faz-me lembrar o “como é que foi que diz que disse?”, que uso quando pretendo deixar alguém a matutar um pouco mais.

    Não pretendo que se concorde com os meus pontos de vista, embora me não dispense de fazer esse esforço. Mas uma coisa, Carlos Vidal, não aprecio nada, mesmo nada: é que a lhos se responda com bugalhos. E houve muito disso por aqui.

  21. Carlos Vidal diz:

    Caro Moura Pinto
    Há muito disso que diz em muitos lados, também aqui, mas não foi isso principalmente que aqui há ou houve.
    Esta casa é tanto minha quanto sua.

  22. Ricardo Santos Pinto diz:

    Gilson,

    Não fui eu que disse a frase dos brasileiros. Foi o Secretário de Estado Pedras. Mas como foi ele que disse, se calhar já achas bem, não?

    Já agora, gostava de saber se concordam com o model ode avaliação como ele está neste momento:
    – a componente científico-peagógica não é avaliada (haverá coisa mais importante no trabalho de um professor do que a a componente científico-peagógica?)
    – o professor escolhe por quem quer ser avaliado.
    – os resultados dos alunos não contam.
    – o BOM está garantido desde que não haja faltas injustificadas, embora se mantenham quotas para o MUITO BOM e para o EXCELENTE.

    Cá por mim, já decidi. Este ano, vou estabelecer quotas para as notas dos meus alunos. Só um por cada turma é que vai poder ter nível 5, e dois nível 4. Para o 3, não há quotas.

  23. A. Moura Pinto diz:

    Claro que a ministra deveria ter mantido o modelo original.

    Mas isto tem piada. Era inflexível, teimosa, nada dialogante, radical mesmo. E que temos agora? Cedeu no que lhe era reclamado que cedesse e agora pergunta-se se se concorda com o modelo de avaliação como ficou, depois de satisfeitas as exigências feitas.

    Isto é a honestidade no seu melhor.

    Claro que depois de ceder no modelo, haveria que também mandar às malvas o estatuto de carreira e as quotas.

    De novo a honestidade de processos no seu melhor.

    E parabéns aos alunos com tal professor. Ele, que certamente não tem os alunos por iguais, com ou sem quotas, tem os colegas, certamente, como excelentes. Todos. É fácil de explicar: basta chegar a professor para não se discutir a competência e o saber. Professor é ungido do Senhor. Aluno não. Pode ser excelente ou mau.

    E não peçam ao professor que explique isto.

    Porra de vida a nossa.

  24. GL diz:

    O que deve estar a levar os professores ao desespero é o seguinte:
    – mesmo sem ter apresentado a reforma do ensino no programa do governo
    (caso o fizesse não teria 10% de votos. segundo o Carlos Vidal)
    A verdade é que o PS, hoje, segundo a sondagem da Marktest (Ver Semanário Económico da última Sexta-Feira) está à beira da maioria absoluta, com 40,5%.

    A população está toda do lado do governo, e não com os professores.

  25. Carlos Vidal diz:

    Caro GL, a inversa também é verdadeira. Eu especifico: o PS tem 40% nas intenções de voto, muito bem. E o PCP ? 50% ??
    É que se toda a gente está instrumentalizada pelo PCP, alunos e professores, como o PS despudoradamente e à bom salazarista faz passar, então o PCP vai ganhar as próximas eleições. E isto, a acreditar no PS, está pois garantido. É assim que se lidam com estas coisas ?

  26. A. Moura Pinto diz:

    Então, Vidal, como é que é?
    Um diz que o PS terá 40% das intenções de votos e cita a fonte. Mas se o PCP 50% tivesse, hipótese (?) sua, o que sobraria para mim entre os mais em compita?
    Assim não vou a votos. Que, por vergonhas, não gosto de passar.

  27. Carlos Vidal diz:

    Caro Moura Pinto, leia de novo o que escrevi, por favor.
    E esperemos por Novembro do próximo ano por resultados definitivos. Nem as sondagens são totalmente fiáveis, nem a manipulação argumentativa do PS o é. Esta muito menos, pois é decalcada de Salazar. Ah, os comunistas, os comunistas ……..

  28. A. Moura Pinto diz:

    Caro Carlos Vidal
    Reli. Mas por que diabo, contra uma sondagem de 40% para o PS (claro que é apenas uma sondagem, nada mais que isso) se responde que, face a uma hipotética instrumentalização do PCP, segundo o PS (opinião sua), o PCP chegaria onde nunca chegou, mesmo quando o seu poder e influência foram bem maiores?
    Isto é que não entendo.
    De facto, GL argumentava assim, esperando na o trair nesta interpretação: apesar da forte constestação feita ao governo, sobretudo por causa das reformas no ensino, as intenções de voto no PS não baixam, como seria expectável.
    E eu até entendo. Porque, mais que 120.000, serão os que concordam com as reformas, se a matemática ainda vale de alguma coisa nestas matérias.
    E ainda quanto às sondagens: fiáveis ou não, todos, mas todos, a elas recorrem, não vá o diabo tecê-las. Sem prejuízo da verdade ser a das urnas.

  29. Ricardo Santos Pinto diz:

    A. Moura Pinto,

    Acredito que não lhe tenham dado a educação suficiente, mas da próxima vez que quiser falar comigo, dirija-se a mim directamente e não atire insultos para o ar. É que não me conhece de lado nenhum para falar assim de mim.
    Agora respondendo-lhe directamente: a Ministra não cedeu nada, pois as alterações funcionam apenas para este ano lectivo. Não sabe o que eu penso sobre o assunto, logo, quanto à desonestidade, pode ficar com ela.
    E o que é que eu penso? Este modelo não tem salvação possível, logo, não vale a pena estar a fazer remendos e mais remendos, que tornam o modelo ainda pior do que era.
    Veja lá que eu até defendo aulas assistidas e a Ministra acabou com elas. Como se saber se um professor dá boas aulas seja algo despiciendo para a sua avaliação!
    Claro que a divisão entre professores e professores titulares também devia ser abolida. É o único país da Europa em que existe essa divisdão. Por que hei-de ser avaliado por alguém que é tão bom ou pior do que eu, que só é titular pelos cargos que ocupou nos últimos sete anos e que teve classificação administrativa de BOM para chegar a titular.
    Quanto às quotas, concordo que existam, se assim acontece na Função Pública. Não podem chegar todos ao topo da carreira. Anda a ler a mais, nunca falei das quotas na avaliação dos professores no meu comentário.
    Não sei por que razão sou desonesto ao não concordar com a divisão da carreira. Volto a devolver-lhe o insulto.
    Quanto às quotas na avaliação dos alunos, obviamente que era uma brincadeira, até porque, como já disse, não me custa nada a existência de quotas para os professores.
    Bem pode dar os parabéns aos meus alunos, porque sou realmente um bom professor. Um excelente professor. O que significa que, se o actual modelo de avaliação persistir (simplex ou não), não irei muito longe. Porque não tenho paciência para burocracias. E porque não dou notas aos meus alunos segundo as minhas conveniências. E porque não reconheço a colegas exactamente iguais a mim competência para me avaliar.
    É como eu dizia no comentário anterior: quem não quer REALMENTE avaliado, tem aqui um modelo excelente. Porque neste modelo simplex, ninguém é verdadeiramente avaliado. O que interessa é dizer, a exemplo do que aconteceu no ano passado, que os professores foram avaliados. Mesmo que, na realidade, nunca o tenham sido.
    Quer que lhe explique melhor? Então pronto, acabe lá com as ironias, que só lhe ficam mal. E seja educado. Não custa nada, vai ver!

  30. Tentativa de resposta a A. Moura Pinto
    Não sei se vou a tempo, mas… aqui fica a minha tentativa de resposta:
    Obrigada pela atenção e amabilidade da sua resposta. Vou tentar esclarecer: “piroso” aqui sem pretender ofender ninguém, mas porque indica a “mania dos títulos” e não define “mérito de qualidade pedagódica” (não é essa a qualidade que queremos avaliar?) Mede essencialmente “ter tido cargos de gestão nos últimos 7 anos”.
    Quanto à sua origem geodráfica, não é indiferente: o que é que temos em comum com a realidade chilena? A ministra apresenta sempre comparações com a Europa, não com a América do Sul.
    Essa ideia de “recuar” é outra falsa questão. Não se tratava de recuar, tratava-se de corrigir o erro, recomeçar, testando um modelo exequível. Porque um instrumento de medição ou «é válido ou não é, não se pode andar a cortar aqui e ali e dizer que mantém um equilíbrio. Pelo menos, nunca tinha visto isso.
    Penso que está a ser um pouco injusto com os professores que debandaram, antecipando a reforma. De qualquer modo, já se livraram do pesadelo em que se está a transformar a escola pública.
    O contribuinte agradece a poupança, claro! Só que os cortes são nos lugares errados, deviam ter começado pela 5 de Outubro, pela quantidade de papelada inútil, pelos especialistas que erram nos manuais ou nos que erram nos enunciados de exames, etc.
    Agradeço a atenção e amabilidade da sua resposta. O que todos gostaríamos de ver era a melhor solução possível para um “impasse” nada saudável e que se arrasta há quase 1 ano. Receio pelo desenrolar dos acontecimentos, sabe?
    Dizer-se que não é possível “fazer reformas” no país porque há sempre resistências, não me parece um argumento válido. Confio na sensatez do grande grupo de professores. E não me parece sensato isolar os sindicatos. De qualquer modo, os efeitos desta “empreitada” tornar-se-ão mais nítidos daqui a uns anos. Gostaria de estar errada.
    Cumprimentos. Ana

  31. A. Moura Pinto diz:

    Sr. Ricardo Santos Pinto

    Aproveitei o seu comentário para responder um pouco “urbi et orbe” (desculpe a pretensão) ao que têm sido argumentos esgrimidos contra ou a propósito do modelo de avaliação. Por isso não me dirigi a si directamente, que tais argumentos não são de muita gente, havendo mesmo quem afirme (eu seu que é exagero) de todos os professores.

    Seguindo o seu texto:

    Se a ministra suspendeu alguns itens da avaliação, mesmo que apenas quanto ao ano escolar em curso, e isso tornou o modelo ainda pior, como afirma, isso fica a dever-se a alguém, mas não à ministra. Os remendos e mais remendos não foram iniciativas da ministra.
    E ficam a dever-se a quem, reivindicando isso, veio depois a exigir também que se acabe com a categoria de professores titulares e as quotas e isto, mantenho, é ser desonesto. Porque, até então, era o modelo de avaliação que era o suporte para as manifestações convocadas.

    Quanto à categoria de professor titular ser algo caracteristicamente português – diz que não existe em mais nenhum país da Europa – desculpar-me-á mas não é argumento que possa seguir, isto é, não poder existir cá por não existir rm mais lado algum. Por outro lado, temos hoje os professores distribuidos por escalões, a que se acede do modo que conhecerá bem melhor que eu. E, sem o garantir, duvido que encontre países onde as coisas se passem do mesmo modo.

    Estou consigo quando não tolera ser avaliado por alguém pelo menos tão competente como você. Eu tb não gostaria. Mas perdeu-se a melhor oportunidade quando a situação foi criada, sobretudo quando agora as manifestações se centram no modelo de avaliação que, a não ser levada a cabo, só piorará as coisas. Não se avaliando, fica tudo na mesma, independente do mérito ou demérito.

    Falei de quotas, porque mesmo a brincar, como afirma, as referiu no que respeita à avaliação dos seus alunos. Por isso, não me parece que deva sugerir-me que leia melhor o que escreveu, pois sabemos bem de que se trata quando, nesta matéria, as quotas são referidas.
    Mas ainda bem que concorda com elas, o que não deve ser fácil de assumir dentro das escolas. Por isso, parabéns.

    Tanto quanto sei, o modelo de avaliação, se formos sérios, não sugere nem convida a que se aldrabe a classificação dos alunos. A caricatura que disso tem sido feita faz lembrar uma outra de que alguém se lembrou, a propósito das aulas de substituição, quando se pôs a imaginar uma professora de matemática de saltos altos a dar aulas de ginástica. Porque se pretendia a caricatura como argumento sério.

    Quanto a burocracias – não é fácil evitá-las num processo de avaliação – saberá melhor que eu que isso não é apenas culpa do modelo. Hoje sabe-se que muitas escolas, na senda de uma impossível objectividade – que nenhum modelo pode garantir – foram longe de mais na burocracia que tiveram por necessária para a implementação do modelo.

    Lamento que seja um professor que assume querer ser avaliado mas que corre o risco de ser cilindrado por culpa de quem é contra. E sabe que quem é contra aposta num modelo – está no site da Fenprof – que menos ainda, admito eu, se adequaria ao seu grau de exigência. Se o da ministra é oitenta, o da Fenprof não chega a ser o oito, para quem espera da avaliação o que seriamente se deve esperar: que avalie o desempenho, o mérito, com óbvias implicações na carreira.

    Finalmente: aceito que se possa ter sentido ofendido com o que escrevi. Mas repito que quis apenas refutar argumentos, seus ou de terceiro, e foi por isso que não me dirigi a si, como o faço agora.
    Mas fica um pedido de desculpas.

    Cumprimentos

  32. Alice diz:

    Ah, mas não se esqueçam que toda esta azáfama em que «reformas» de trabalho acrescido para as Escolas ou para os Professores deve-se ou serve para justificar as novas grandes profissões para o que é Educar e o “ter tido cargos de gestão nos últimos 7 anos” deve-se (tomem NOTA: ) à mais recente Faculdade da Psicologia e das Ciências da Educação (com um pouco mais de 7 anos), a única autoridade e em seus de ditos especialistas do Ministério da Educação. Se tudo fosse facilitado, depois como era com esses tais «grandes e científicos» especialistas das Psicologias e das Ciências da Educação, ficavam no desemprego, era? Não! É que os tempos mudaram e as modas são outras, e agora só estes sabem tudo, é que são cientistas e especialistas da Educação, sim são esses que estão a inventar mais e novos modelos e reformas e papéis e testes psico e formulários etc, tem de ser, é preciso com todas essas estratégias malandras de controlar e de achincalhar o máximo a vida de todos os que ensinam, e de submetê-los a quem mais sabe, pois…

    A Escola Pública já anda há muito tempo minada com uma mentalidade muito psico-oportunista e devido a certos professores que se fizeram à vida nesses tais Agrupamentos, tipo Armandina.
    E sim os pais já andavam descontentes com o Ensino nas Escolas antes de aparecer esta Ministra. E esta aparece, muito espertinha e sem noção dos erros que está a cometer para com o país e depois para com ela própria, e é vê-la mentir a torto e a direito. E porque não pensa, tem é de ganhar a guerra onde a colocaram, e assim é empurrada politicamente a ter de cumprir, pois é preciso ser vencedora e ser bem vista pelos que lhe vão dando pancadinhas nas costas, assim há que por em prática o que lhe aconselham os seus tais doutos especialistas e em que psicologias das Ciências da Educação, a única autoridade que sabe do que é Educar.
    E agora chegámos a um beco sem saída…
    Os pais e os professores ou se zangam a sério com toda esta farsa e mentira do Ministério ou então têm de se começar a habituar que os professores do secundário são essencialmente as cobaias preferidas nas mãos desses psico-experimentalistas das cientificidades do que é Educar.

  33. Ricardo Santos Pinto diz:

    Caro A. Moura Pinto,

    Desculpas aceites desde já. Senti-me ofendido, sim, por isso lhe respondi naquele tom.

    «Os remendos e mais remendos não foram iniciativas da ministra»
    Então foram de quem? Pensei que era a Ministra que tomava as decisões.
    Professores e sindicatos manifestaram-se sempre contra a divisão da carreira. Concordo que não atingiu estas proporções, mas relembro que, em protesto contra o novo ECD, houve uma manifestação de 25 mil professores. Atendendo a que, até aí, as manifestações não costumavam reunir mais de 5/5 mil professores, penso que foi o primeiro passo de uma luta que tem vindo até hoje.
    Concordo também que deviam ter sido na altura as grandes manifestações de hoje, até porque, na minha opinião, é do novo ECD que nasce tudo o que está mal no sistema de avaliação proposto.
    E a divisão das carreiras está errada, mas não é por ser caso único na Europa. Numa escola, são todos professores, desempenham todos as mesmas funções – as de professor. Ocupam cargos transitoriamente, nada mais. Como Director de Turma, coordeno a reunião e, por conseguinte, alguns titulares. «Ali mando eu!», quase me apetecia dizer. Porque dividir tem lógica quando há funções diferentes dentro de uma mesma profissão. Neste caso, não há!
    Daí que defenda que não devem ser colegas a avaliar colegas iguais. Há inspectores do Ministério da Educação, professores que vão às escolas avaliar as escolas. Penso que passaria por aí uma correcta avaliação dos professores.
    Quanto a um bom modelo de avaliação, sugiro-lhe o blogue do Paulo Guinote. Há inúmeros modelos de avaliação propostos por professores. Relembro que professores e sindicatos não é exactamente a mesma coisa, bem pelo contrário. Embora, como é óbvio neste caso, os sindicatos não sejam o inimigo.
    Relembro também que não é possível que 120 mil professores sejam todos malandros e não queiram trabalhar nem ser avaliados.
    No meu caso pessoal, até estou à vontade, porque nunca trabalhei tão pouco nem estive tão pouco tempo na Escola como desde que esta Ministra ocupa o lugar. A forma como ela hostiliza os professores provocou a desmotivação geral. Agora, sou obrigado a estar 28 horas na escola, mas dantes, tendo de estar apenas 22, estava muito mais. Eu era um excelente professor.

  34. A. Moura Pinto diz:

    Caro Ricardo Santos Pinto

    Claro que a ministra é que tomou as decisões. Mas toda a gente a convidava a isso. E repare: utilizo o verbo convidar, mas bem sabemos que não se tratava então de mero convite. E é nesse exacto sentido que afirmo que as iniciativas não foram da ministra.

    Quanto ao ECD, admito as suas razões. Pode mesmo ser o pecado original desta história. Mas fez percurso, os professores candidataram-se ao lugar de professor titular e, com isto, de certo modo, deram-lhe a credibilidade da classe, pelo menos no que respeita a mais de 30.000 titulares que é o que ouço dizer existirem, e a que se devem juntar os candidatos não “aprovados”. Convirá, certamente, que isto representa um apoio a um diploma que mais tarde se quer retomar como não adequado.

    Embora compreenda que possa ter opinião diferente, eu sou mais pela avaliação inter pares. E repare: se um dos maiores argumentos esgrimidos era não ser aceitável que um colega da disciplina X avaliasse o colega da disciplina Y, então isso, com um inspector, ficará mais “desiquilibrado”.

    Mal de mim se não admitisse que possa haver outros modelos de avaliação. Eu tb conheci diversas gerações de modelos ao longo da minha carreira profissional. Uns melhores, outros nem tanto.
    Nisto, pena é que o ministério, nos termos da lei, seja obrigado a “negociar” com sindicatos. E estes, como alternativa, tinham e têm o que referi, o projecto da Fenprof sustentado numa autoavaliação.

    Na minha opinião, matérias desta natureza não deveriam ser “negociadas” com sindicatos e explico por quê.
    Por experiência feita, constatei que os sindicatos, em geral – e não sei se haverá excepções – têm sobretudo em atenção a mais expressiva base social de apoio e os seus anseios. Embora não seja politicamente correcto imagine uma empresa, que é o que de mais oposto existe a uma democracia – ali nada se decide por voto, o chefe “manda” mais que o subordinado, o director mais que o chefe – e o respectivo sindicato. A quem acha que se dará prioridade nas suas reivindicações quando chefes e directores são a minoria? Por isso, como observador, percebo que existam sindicatos de técnicos disto ou daquilo, de quadros daqui e dalém. Porque estes técnicos ou quadros não vêem – admito eu – os seus interesses defendidos aos mesmo nível que os demais colegas. No caso dos professores, algo explicará a profusão de sindicatos que, falando de memória, serão mais de vinte. E, ainda de memória, parece que há um que tem o cuidado de se designar por mais ou menos isto: “sindicato dos professores licenciados”. E isto quererá dizer alguma coisa.

    Tempos houve em que se tentou – não sei se ainda se tenta – uma ordem. E, sem prejuízo de melhor opinião, matérias hoje ao cuidado dos sindicatos ficariam bem melhor aí, a par de outras, como sejam as regras de acesso à profissão, o código deontológico, como exemplos.

    Naturalmente que não tomo os 120 mil “malandros” (uso o seu termo) nem como pessoas que recusem a avaliação. Como tenho acompanhado este assunto, sei que há de tudo, nomeadamente tendo em atenção discursos ao vivo. Como nenhum de nós será ingénuo, tb percebemos que muitos dos que se manifestaram para isso terão sido “convidados” se, por exemplo, tivermos em conta que, num programa da maior visibilidade, houve quem tivesse tido a coragem de se referir a tentativas de agressão física a quem discordava da maioria. E isso só surpreende quem, por exemplo, numa greve, desconheça ou não acredite no comportamento de certos piquetes. Num e noutro caso, estamos perante colegas, mas aceitar a diferença é muito complicado.

    Finalmente, quanto a níveis na carreira, não sigo o seu argumento de que são todos iguais, todos têm a mesma função. E mesmo quanto certas funções são exercidas transitoriamente, bom seria que não pudessem estar ao cuidado de qq um. Dirigir uma turma, coordenar um grupo, integrar um conselho pedagógico, um conselho executivo, mesmo que transitoriamente, não se pode confundir com ensinar, onde até todos poderiam ser iguais, mas não o são. E bom seria que se assumisse isso, pois não acredito que isso esteja ao alcance de todos, salvo quando se chega lá por mera eleição em que todos sejam ou possam ser candidatos e, sobretudo, quando os mais capazes não aceitam os incómodos que tais cargos sempre acarretam.

    E é tudo.

  35. nokia diz:

    Caro Carlos Vidal
    Reli. Mas por que diabo, contra uma sondagem de 40% para o PS (claro que é apenas uma sondagem, nada mais que isso) se responde que, face a uma hipotética instrumentalização do PCP, segundo o PS (opinião sua), o PCP chegaria onde nunca chegou, mesmo quando o seu poder e influência foram bem maiores?
    Isto é que não entendo.
    De facto, GL argumentava assim, esperando na o trair nesta interpretação: apesar da forte constestação feita ao governo, sobretudo por causa das reformas no ensino, as intenções de voto no PS não baixam, como seria expectável.
    E eu até entendo. Porque, mais que 120.000, serão os que concordam com as reformas, se a matemática ainda vale de alguma coisa nestas matérias.
    E ainda quanto às sondagens: fiáveis ou não, todos, mas todos, a elas recorrem, não vá o diabo tecê-las. Sem prejuízo da verdade ser a das urnas.

  36. Tempos houve em que se tentou – não sei se ainda se tenta – uma ordem. E, sem prejuízo de melhor opinião, matérias hoje ao cuidado dos sindicatos ficariam bem melhor aí, a par de outras, como sejam as regras de acesso à profissão, o código deontológico, como exemplos.

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