Slavoj Zizek: Use as suas ilusões contra os cínicos

A razão por que a vitória de Obama gerou tamanho entusiasmo não está apenas em que, contra todas as chances, realmente aconteceu: ela demonstrou a possibilidade de que uma coisa dessas acontecesse. O mesmo vale para todas as rupturas históricas

(Talvez o Pedro Correia assim perceba que a vitória do Obama não se esgota no confronto entre a sua eleição, as espectativas geradas e as eventuais goradas. A eleição de Obama foi um acontecimento em si).

Slavoj Zizek/ Traduzido e e publicado na Carta Maior

Noam Chomsky convocou as pessoas a votarem em Obama “sem ilusões”. Eu compartilho plenamente as dúvidas de Chomsky quanto às conseqüências reais da vitória de Obama: de uma perspectiva pragmática, é bastante possível que Obama faça algumas melhoras, tornando-se um “Bush com uma cara humana”. Ele seguirá as mesmas políticas básicas num modo mais atrativo e então efetivamente fortalecerá a hegemonia norte-americana, danificada pela catástrofe dos anos Bush.

Há, contudo, algo profundamente errado nessa reação – uma dimensão chave está faltando na vitória de Obama. É que não se trata apenas da eterna luta pela maioria parlamentar, com todos os cálculos pragmáticos e manipulações envolvidas. É um signo de algo mais. É por isso que um amigo meu norte-americano, um esquerdista radical sem ilusões, chorou quando as notícias anunciaram a vitória de Obama. Quaisquer que sejam nossas dúvidas, por um momento cada um de nós estava livre e participando da liberdade universal da humanidade.

No “Conflito das Faculdades”, Kant faz uma pergunta difícil mas simples: há realmente progresso na história? (ele queria dizer progresso ético, não apenas desenvolvimento material). Ele concluiu que o progresso não pode ser provado, mas podemos discernir signos que indicam que o progresso é possível. A Revolução Francesa foi um signo desses, apontando a direção da possibilidade da liberdade: o que antes era impensável aconteceu, uma totalidade de pessoas afirmaram sua liberdade e igualdade corajosamente.

Para Kant, ainda mais importante que a – sempre sangrenta – realidade do que se passou nas ruas de Paris foi o entusiasmo que os eventos na França ofereceu aos olhos dos simpáticos observadores em toda a Europa e em lugares distantes como o Haiti, em que esses acontecimentos engatilharam outro evento histórico-mundial: a primeira revolta de escravos negros. Possivelmente o momento mais sublime da Revolução Francesa ocorreu quando a delegação haitiana, liderada por Toussaint l’Overture visitou Paris e foi entusiasticamente recebida pela Assembléia Popular como iguais dentre iguais.

A vitória de Obama é um signo da história no triplo sentido kantiano de signum rememorativum, demonstrativum, prognosticum. Um signo no qual a memória do longo passado de escravidão e da luta por sua abolição reverbera; e um evento que agora demonstra uma mudança; uma esperança para conquistas futuras. O ceticismo apresentado por trás das portas fechadas mesmo de progressistas angustiados – e se, na privacidade da cabine de votação, o racismo publicamente repudiado reemergisse? – provou-se errado. Uma das coisas interessantes a respeito de Henry Kissinger, o mais recente realpolitiker cínico é como a maior parte de suas previsões estava errada. Quando as notícias do golpe militar anti-Gorbachov de 1991 chegaram ao Ocidente, por exemplo, Kissinger imediatamente aceitou o novo regime como um fato. Ele colapsou ignominiosamente três dias depois. O cínico paradigmático conta a ti confidencialmente: “Mas não vês que tudo, na verdade, diz respeito a dinheiro/poder/sexo, que declarações de princípios ou de valores são apenas frases vazias que não contam para nada?” O que os cínicos não vêem é a sua própria ingenuidade, a ingenuidade de sua sabedoria cínica que ignora o poder das ilusões.

A razão por que a vitória de Obama gerou tamanho entusiasmo não está apenas em que, contra todas as chances, realmente aconteceu: ela demonstrou a possibilidade de que uma coisa dessas acontecesse. O mesmo vale para todas as rupturas históricas – pense na queda do muro de Berlim. Mesmo que todos nós soubéssemos da ineficiência corrupta dos regimes comunistas, não acreditamos realmente que ele iria se desintegrar – como Kissinger, éramos todos vítimas do pragmatismo cínico. A vitória de Obama era claramente previsível desde pelo menos duas semanas antes das eleições, mas ainda assim foi experienciada como uma surpresa.

A verdadeira batalha começa agora, depois da vitória: batalha pelo que essa vitória efetivamente significará, especialmente no contexto de dois eventos nefastos: o 11/9 e o atual derretimento financeiro, como uma instância da história que se repete, a primeira vez como tragédia, a segunda, como farsa. O discurso do presidente Bush aos norte-americanos depois do 11 de Setembro e depois do derretimento financeiro soaram como duas versões da mesma fala. Em ambos os momentos, ele evocou a ameaça ao american way of life e à necessidade de resposta rápida e decisiva. Em ambas as vezes, solicitou a suspensão parcial dos “valores americanos” (garantias para a liberdade individual, capitalismo de mercado) para salvar esses valores. De onde vem essa similaridade?

A queda do muro de Berlim em 9 de novembro de 1989 marcou o começo dos “felizes anos 90”. De acordo com Francis Fukyama a democracia liberal tinha, em princípio, vencido. A era é geralmente vista como tendo chegado ao fim em 11 de Setembro. Contudo, parece que a utopia teve de morrer duas vezes: o colapso da democracia política liberal em 11 de Setembro não afetou a utopia do capitalismo de mercado global, que agora chegou ao fim.

O derretimento financeiro tornou impossível ignorar a irracionalidade gritante do capitalismo global. Na luta contra a AIDS, a fome, a falta de água ou o aquecimento global, podemos reconhecer a urgência do problema, mas sempre é momento para refletir, para adiar decisões. A conclusão mais importante do encontro de líderes em Bali para conversar sobre mudança climática foi celebrada como um sucesso, a de que deveriam se encontrar de novo em dois anos para continuar as conversações.

Porém, com o derretimento financeiro, a urgência foi incondicional; uma soma além da imaginação foi imediatamente encontrada. Salvando espécies em extinção, salvando o planeta do aquecimento global, encontrando uma cura para a AIDS, salvando as crianças famintas…tudo isso pode esperar um pouco, mas “Salve os bancos!” é um imperativo incondicional que requer se tome providências imediatas. O pânico foi absoluto. Uma unidade transnacional e não-partidária foi imediatamente estabelecida, sem ressentimentos.

Compare os 700 bilhões de dólares gastos para estabilizar o sistema bancário só pelos EUA aos 22 bilhões de dólares suplicados às nações ricas para ajudar às pobres a superar sua crise alimentar, dos quais apenas 2,2 bilhões foram concedidos. A culpa pela crise alimentar não pode ser atribuída aos suspeitos usuais de corrupção, ineficiência ou intervencionismo estatal. Até Bill Clinton sabia que “somos todos culpados, inclusive eu”, ao tratar da produção de alimentos como commodities, no lugar de um direito vital dos países pobres. Clinton foi muito claro ao culpar não apenas estados ou governos, mas a política ocidental de longo prazo, imposta pelos EUA e pela União Européia e decretadas pelo Banco Mundial, FMI e outras instituições internacionais.

Países da África e da Ásia foram pressionados a derrubar os subsídios governamentais aos produtores, abrindo o caminho para que as melhores terras fossem usadas no lucrativo plantio para exportação. O resultado desse tipo de “ajuste estrutural” foi a integração da agricultura local na economia global: safras foram exportadas, agricultores foram expulsos de suas terras e levados ao trabalho em condições de escravidão, e os países mais pobres tiveram de importar cada vez mais comida. Dessa maneira, foram postos numa dependência pós-colonial, vulneráveis a flutuações de mercado – preços exorbitantes de grãos (causados em parte pelo uso para os biocombustíveis) têm significado fome nesses países, do Haiti a Etiópia.

Clinton está certo ao dizer que “comida não é uma commoditie como as outras. Deveríamos retomar uma política de auto-suficiência alimentar. É loucura para nós pensar que podemos desenvolver países ao redor do mundo sem aumentar sua capacidade de alimentarem a si mesmos”. Há pelo menos duas coisas a acrescentar aqui. Primeiro, os países desenvolvidos do Ocidente tomaram muito cuidado em manter sua própria auto-suficiência alimentar através do subsídio financeiro aos seus produtores (subsídios agrícolas constituem quase metade de todo o orçamento dos EUA). Segundo, a lista de coisas que “não são commodities como as outras” é muito maior: afora os alimentos (e a defesa, como todos os patriotas sabem), há água, energia, meio-ambiente, cultura, educação, saúde – quem tomará decisões quanto a essas coisas, se elas não podem ser deixadas para o mercado? É aqui que a questão do comunismo tem de ser levantada, de novo.

A matéria de capa na Time de 5 de junho de 2006 foi “A Lista de Mortos em Guerra no Mundo” – um relato detalhado da violência política que matou 4 milhões de pessoas no Congo ao longo da última década. Nenhuma onda de ajuda humanitária se seguiu; só umas duas cartas de leitores. Time escolheu a vítima errada: deveria ter mirado em mulheres muçulmanas ou em monges tibetanos. A morte de uma criança palestina, para não mencionar a de uma israelense ou norte-americana, vale milhares de vezes mais centímetros de colunas do que a morte de congoleses anônimos. Por que?

Em 30 de outubro, a Associated Press fez uma reportagem na qual Laurent Nkunda, o general rebelde que sitiou a capital da província do leste, Goma, disse que ele queria falar diretamente com o governo sobre suas objeções à ajuda de um bilhão de dólares dada pela China para ter acesso à vasta riqueza mineral do país em troca de ferrovias e rodovias. Questões neocoloniais à parte, esse acordo põe uma ameaça vital aos interesses dos senhores da guerra locais, à medida que cria as bases para a infra-estrutura da República Democrática do Congo como um estado unido funcional.

Em 2001, uma investigação da ONU sobre a exploração ilegal de recursos naturais no Congo descobriu que o conflito no país gira fundamentalmente em torno do acesso, controle e comercialização de cinco minerais-chave: coltan (combinação de duas palavras que descrevem a columbita e a tantalita, minerais altamente cobiçados), diamantes, cobre, cobalto e ouro. De acordo com essa investigação, a exploração dos recursos naturais no Congo pelos senhores da guerra locais e por exércitos estrangeiros era “sistemática e sistêmica”. O exército de Ruanda fez no mínimo 250 milhões de dólares em 18 meses, vendendo coltan, que é usado para fazer celulares e laptops. A investigação concluiu que a guerra civil permanente e a desintegração do Congo “criaram uma situação em que todos os beligerantes ganham. O único a perder nesse negócio monumental é o povo congolês”. Por trás da fachada de uma guerra étnica, discernimos então os contornos do capitalismo global.

Entre os grandes exploradores estão os Tutsis de Ruanda, as vítimas do genocídio há 14 anos. No começo deste ano, o governo de Ruanda publicou documentos que demonstravam a cumplicidade da administração Miterrand com o genocídio: a França apoiou o plano Hutu para tomar o controle, inclusive fornecendo-lhes armas, a fim de retomar a influência perdida pelos anglófilos Tutsis. A negação da França dessas acusações, como sendo totalmente infundadas foi, para dizer o mínimo, ela mesma sem fundamento. Trazer Miterrand para o Tribunal de Haia, mesmo postumamente, quebraria uma barreira fatal, ao julgar um líder político ocidental que se pretendia protetor da liberdade, da democracia e dos direitos humanos.

Nas últimas semanas tem havido uma extraordinária mobilização da ideologia dominante para combater as ameaças à ordem atual. O economista neoliberal francês Guy Sorman, por exemplo, disse recentemente numa entrevista na Argentina que “a crise será bastante curta”. Ao dizer isso, Sorman está obedecendo à exigência básica no que concerne ao derretimento financeiro: renormalizar a situação. Como ele disse num outro lugar, essa substituição sem fim do velho pelo novo – conduzida pela inovação tecnológica e pelo empreendedorismo, eles próprios encorajados pelas boas políticas econômicas – trazia prosperidade, mesmo que aqueles deslocados pelo processo cujos empregos se tornaram redundantes possam, compreensivelmente, oferecer-lhe objeção. (Essa renormalização coexiste com seu oposto: o pânico das autoridades em tornar o público pronto a aceitar a solução – obviamente injusta – proposta como inevitável.) Sorman admite que o mercado é cheio de comportamento irracional, mas rapidamente acrescenta que “seria absurdo usar o comportamento econômico para justificar a restauração das excessivas regulações estatais. Afinal de contas, o estado não é mais racional que o indivíduo, e suas ações podem ter consequências enormemente destrutivas”. Ele continua:

Uma tarefa essencial para os governos democráticos e para os construtores de opinião, quando confrontados com ciclos econômicos e pressões políticas é assegurar e proteger o sistema que tem servido tão bem à humanidade, e não mudá-lo para pior, sob o pretexto de sua imperfeição. Ainda, essa lição é sem dúvida uma das mais difíceis de traduzir na linguagem em que a opinião pública aceitará. O melhor dos sistemas econômicos possíveis é na verdade imperfeito. Quaisquer que sejam as verdades descobertas pela ciência econômica, o livre mercado é afinal apenas o reflexo da natureza humana, ela mesma dificilmente perfeita.

Raramente a função da ideologia foi descrita em termos tão claros: para defender o sistema existente contra quaisquer críticas sérias, legitimá-lo como uma expressão direta da natureza humana.

É improvável que o derretimento financeiro de 2008 funcione como uma bênção aparente, o despertar de um sonho, uma lembrança sóbria de que vivemos na realidade do capitalismo global. Tudo isso depende de como será simbolizado, em que interpretação ideológica ou histórica vai se impor e determinar a percepção geral da crise. Quando o curso normal das coisas é traumaticamente interrompido, o campo é aberto para uma competição ideológica “discursiva”. Na Alemanha de fins dos anos 20, Hitler venceu a competição para determinar qual narrativa explicaria as razões da crise na República de Weimar e o modo de sair dela; na França em 1940 a narrativa do marechal Pétain venceu a batalha para encontrar as razões da derrota francesa.

Conseqüentemente, para pôr em termos marxistas fora de moda, a tarefa principal para a ideologia dominante na atual crise é impor uma narrativa que não jogará a culpa pelo derretimento no sistema do capitalismo global como tal, mas em seus desvios – regulação frouxa, corrupção das grandes instituições financeiras, etc.

Contra essa tendência, deveria insistir-se na questão-chave: qual “o defeito” do sistema que o torna de tal modo vulnerável à possibilidade dessas crises e colapsos? A primeira coisa a ter em mente aqui é que a origem da crise é “benevolente”: depois da bolha tecnológica de 2001, a decisão nas agendas dos partidos foi a de facilitar o estado real dos investimentos, a fim de manter a economia funcionando e de evitar recessão – o derretimento dos dias atuais é o preço pelo EUA ter evitado uma recessão sete anos atrás.

O perigo é, então, que a narrativa predominante do derretimento não seja uma que nos acorde de um sonho, mas que nos permita continuar sonhando. E é aqui que deveríamos começar a nos preocupar: não apenas com as conseqüências econômicas do derretimento, mas com a óbvia tentação de revigorar a “guerra ao terror” e o intervencionismo norte-americano para que a economia continue funcionando. Nada foi decidido com a vitória de Obama, mas ela amplia nossa liberdade e, portanto, o objetivo de nossas decisões. Não importa o que aconteça, permanecerá um signo de esperança, na contramão desses tempos de trevas; um signo de que a última palavra não pertence ao cínico realista, da direita ou da esquerda.

Publicado originalmente na London Review of Books, em 14 de novembro de 2008

Slavoj Zizek é filósofo e psicanalista. Também é co-dirigente do International Centre for Humanities at Birkbeck College. Seu livro mais recente é In Defence of Lost Causes [Em Defesa das Causas Perdidas] (Verso). Tem vários trabalhos publicados no Brasil, entre eles, Às Portas da Revolução – escritos de Lenin de 1917 e Bem-vindo ao deserto do real, ambos pela Boitempo Editorial.

Tradução: Katarina Peixoto

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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  4. Nuno, uma observação à tradução (que não sei quem a fez). Os “billion” em inglês devem ser traduzidos por “mil milhões” em português. Em português, “bilhões” significa “milhões de milhões” enquanto que em inglês não.

    Já agora, se o nome de Žižek não for escrito com estas letras esquisitas que são como zês com acentos circunflexos de pernas para o ar, mais vale escrever foneticamente: Jijek.

  5. João André,
    É verdade. Mas, o site Carta Maior é brasileiro e os brasileiros não seguem a norma francófona como nós, mas a anglo-saxónica. O resto deve ser preguiça e não terem essas letrinhhas no teclado.

  6. Carlos Vidal diz:

    O bom esloveno é uma força da natureza.
    Por isso, não creio que seja “Jijek”, mas sim “tchitchek”.
    Estarei errado ?

  7. Caro Carlos, eu sigo a lógica da escrita fonética servo-croata, mas é possível que não se aplique no caso esloveno. Olhando na Wikipedia russa, ou seja, usando o cirílico (que usam de forma fonética para nomes não russos), vejo que escrevem Жижек, o que se lê precisamente Jijek. Mas posso confirmar isso depois se estiver interessado.

    No servo-croata, já agora, para ser Tchitchek, seria usando os caracteres č ou ć (o primeiro é mais forte e o segundo mais suave). Mas repito, não sei se o esloveno será igualmente escrito assim.

  8. Carlos Vidal diz:

    Grato, João André, tente confirmar-me esse dado, se puder, sem contudo esquecermos a substância do texto. Deveras interessante no ponto em que acentua a importância de um evento inverter a lógica da inevitabilidade. Daquilo que julgamos não poder acontecer. É onde Zizek se aproxima de Badiou. Saber viver o acontecimento é fundamental, independentemente das suas consequências. A felicidade de muitos (como esquecer que em Harlem se festejou durante três dias?) não pode ser rasurada, faça Obama o que fizer, com a colaboração de quem quer que seja. Por isso é que fiz um post sobre o OUTUBRO que o PS rasura. Houve um estremecimento do mundo nesse momento – e esse estremecimento perdura, nem que seja na forma do espectro de que fala Marx.

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