Da decomposição

O mundo não está dividido em más pessoas de direita e boas pessoas de esquerda. As pessoas más são transversais a todo o espectro político. A ideia que os banqueiros não podem ser gente honesta é imbecil. A injustiça do mundo reside num sistema desigual e não na falta de ética de determinados indivíduos. Normalmente, da desonestidade dos banqueiros não podemos retirar mais do que conclusões sobre os próprios. Diversas são determinadas épocas, que normalmente precedem as rupturas, em que certas camadas parecem perder completamente a noção da diferença entre o bem e o mal. Nessa altura, parece exalar de um regime um persistente fedor a decomposição. Um sistema político que recompensa, como fossem normais, a falsificações de balanços, o branqueamento de capitais e o enriquecimento ilícito,  promovendo a  violação das suas próprias regras, é um sistema podre. Nesse estado, as concepções ideológicas, dos poderosos, já não se expressam do ponto de vista das escolhas políticas, mas em efusiva cleptocracia.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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