Atenção que a sabujice não é uma qualidade (depois de Bush, a que ponto chegámos); e, de novo, um post com final feliz

1.
Li, de F. Câncio, por mero acaso, um “perfil” da ministra da educação no DN de 22 de Novembro.
Como classificamos um “texto” que se transforma de panegírico em hagiografia ?
Entendo por panegírico um elogio acrítico, um encómio esquecido de um determinado grau de reserva. Por sabujice entendo uma humilhação sem dignidade. 
Link ? Nem pensar. Estranho o silêncio da “blogosfera” dita de “esquerda”. Ah grande esquerda !

ADENDA: a ministra da educação tem-se dedicado à atribuição de prémios a professores (o prémio Professor do Ano em nada se distingue do salazarista “A aldeia mais portuguesa de Portugal”); tem ainda pedido muitas desculpas à classe, à “corporação”, como dizem; os poucos leitores destas linhas nunca imaginaram um torcionário a pedir desculpa ao seu preso e a dizer-lhe que o que faz é para bem do país, de todos nós? Pois, se surgirem aqui comentários (e suponho que não), apenas falo sobre o ponto 2. deste post: o final feliz.

2.
Final feliz: Victoria Silvstedt, again

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

22 respostas a Atenção que a sabujice não é uma qualidade (depois de Bush, a que ponto chegámos); e, de novo, um post com final feliz

  1. Ricardo Santos Pinto diz:

    Posso comentar o ponto 1?

  2. Carlos Vidal diz:

    Caro Ricardo,
    Pode, obviamente.
    Ou deve, se preferir.
    Mas só falo sobre o ponto 2.

  3. wolverine diz:

    utilizar termos como panegírico ou hagiografia parece-me não só razoável como até provavelmente aplicável ao trabalho em questão, tanto pelo tom como pelo momento de publicação do mesmo.
    já falar de sabujice é um excesso linguístico que me parece não só desnecessário como até prejudicial à validade da crítica feita.

    o final feliz é fraquinho.

  4. Almajecta diz:

    Vamos então ao que interessa, o ponto 2.
    Desgraçadamente nas explicações do final feliz de vitória s. nunca fica claro de todo a que realidade e a que manifestações-evento e configurações específicas está a fazer referencia.
    Por exemplo, distingue entre arbitrariedade supreficial feminista de uma post modernidade confusa e a post modernidade precisa que propugna, conserva e desenrrola, uma pluralidade autêntica. Sem dúvida, renuncia a argumentar os seus conceitos a partir de exemplos concretos, pelo que deixa nas mãos do leitor a tarefa de dar conteudo aos ditos conceitos. As suas explicações, em última instância abstractas e ideológicas, limitam-se a explicar a atitude espiritual de validade genérica e manifestamente idealizada que atribui aos representantes nomeados apresentando-a como a unica dotada de sentido.
    Por isso se apoia nesta passagem de final feliz nas teses de Jean-François Lyotard, um dos principais representantes da denominada governação post moderna. Tambem este distingue entre uma post modernidade 2.0 supostamente caracterizada pelo cínico ecletismo do vale tudo, e uma post modernidade respeitavel que aspira a uma confrontação real.

  5. Ricardo Santos Pinto diz:

    É mais sobre a Adenda.
    O Prémio do Professor do Ano é uma verdadeira palhaçada, mais uma aberração desta verdadeira aberração que é a Ministra da Educação.
    Um professor é pago para ensinar. Se é bom ou muito bom, não faz nada de mais – cumpre apenas a sua obrigação. Deve receber o seu salário e nada mais.
    Prémios para quê? Até parece que existe o Médico do Ano, o Juiz do Ano, o Enfermeiro do Ano, o Trabalhador das Finanças do Ano, etc.. Coitadinho dos professores – como são todos uma merda que nada fazem, os poucos que fazem alguma coisa de jeito até merecem um prémio.
    Quanto às desculpas pedidas aos professores em pleno Parlamento, entrego à Ministra da Educação o Prémio de Cínica do Ano.

  6. Saloio diz:

    Senhor Carlos Vidal: acho curioso o senhor classificar o comentário da FC como o fez, quando ela, volta e meia, faz elogios semelhantes a outra rapaziada do PS, sobretudo se estiverem no actual governo.

    Assim, e apesar de eu não concordar com tais fretes vindos de onde vêm (a central jornaleira nacional a soldo do Rato e do lobby esquerda- caviar), sou neste particular obrigado a concordar com a ministra.

    Não sei se vai sanear o meu comentário, mas a verdade é que os professores em Portugal se deixaram enredar pelo “dolce far niento”, servindo-se da profissão por não terem mais nenhuma onde é fácil ganhar uns cobres e ter direito a reforma sem grande esforço, com tão poucas horas de trabalho e sem qualquer responsabilidade em termos de qualidade.

    O senhor pode lá ir para a rua gritar para o pé dos outros 120 mil, e pedir para a ministra ser demitida, mas no íntimo o senhor sabe que nada vai ser como dantes, com esta ou com qq outro ministro; o povo português já os topou e voçês vão ter mesmo que trabalhar.

    Claro que muitos vão ser injustiçados – como em todos os outros grupos profissionais; mas há que por termo às progressões automáticas, às 12 horas de trabalho semanal, às férias repetidas, e à indiferença profunda e generalizada perante os miúdos.

    Numa palavra (e salvo poucas excepções): têm de trabalhar, independentemente do ministro.

    Quanto à Milu: sempre a vi até aqui como uma provinciana, vestida à terrinha, a apanhar a carreira no Campo das Cebolas, com figurino da Rua dos Fanqueiros e corte de cabelo à flausina dos arrabaldes. E a servir-se do poder como um polícia bruto do tempo de salazar.

    Mas mudei de ideia: ela irá cair em desgraça quando Sócrates, em plena campanha eleitoral, a sanear (como fez ao Campos, da saúde). Irá ficar com poucos amigos e fazer uma travessia no deserto de 5/7 anos.

    Só que depois regressará à politica, a pedido de inúmeras famílias, quando o país necessitar de alguém forte e com carácter.

    Com o máximo respeito pelo senhor deixe-me dizer-lhe do alto dos meus quase 60 anos: muito ao contrário do que o senhor se queira convencer, abra os olhos, pois o país não gosta destes professores.

    Digo eu…

  7. A Fernanda Câncio está a especializar-se em “perfis” de ministros.

  8. Luis Moreira diz:

    Saloio, pode dizer isso mil vezes que a classe de professores está convencida que é amada e admirada.Que é aceitável que tenha todos os previlégios negados aos outros portugueses,que não seja avaliada,que sejam todos iguais,que cheguem todos ao topo da carreira e que o nosso atraso escolar nada tem a ver com eles!!! (estão lá para quê?) Se estivessem interessados em trabalhar pugnavam por uma escola autónoma, onde os professores tomassem em mãos os seus destinos. Mas não, é bom andar a reboque desta guerra surda entre os burocratas do ministério e os burocratas do sindicato! Quem compra?

  9. Carlos Vidal diz:

    Saloio, apareça sempre, censura nem pensar. Muito menos para quem tem empenho numa posição que assume apontando algo que discordo, mas apontando: não acho que a multitude popular não goste destes professores, nem acho que antes desta ministra tivessem vida folgada – 25 horas semanais, reuniões, programações, aulas e relacionamento problemático com uma população desejosa de liberdade e não domesticável. Aquilo é difícil. Na minha escola é mais fácil, têm mais idade. Mas não percebi a última parte do comentário: fala-me do regresso da senhora, mas aquilo é mente perversa, e não vejo relação entre a perversão e a ordem de que fala.
    wolverine, o direito ao insulto é importante – contudo, fui apenas objectivo. O final, é escolha minha. Logo, aí fui subjectivo. Fraquinho ? Aquilo é nórdico e a sério.
    Ricardo Pinto, prefiro a “aldeia mais portuguesa” quer ao prémio professor do ano, quer à doutora LR. David Fernandes, grato pela informação, mas desconheço a especialidade da senhora. Caríssimo Jecta, qual é a relação entre a Victoria e o Lyotard?
    De qualquer modo, recordo-lhe um autor de que gosta muito, Hal Foster, que, nos idos 80, escreveu com oportunidade um “Against Pluralism”. Muito bom, prostético e tudo.

  10. Carlos Vidal diz:

    Os privilégios dos professores fazem-me sempre lembrar os privilégios que tinham os escravos de séculos passados: podiam não trabalhar se estivessem, por exemplo, muito doentes, mas mesmo assim eram tidos por manhosos. Não sei porque é que isto me vem à cabeça.

  11. Nik diz:

    Este blog esta a avacalhar-se a grande velocidade. Conversa de taberna. Decoração de garagem. Cabeças de taco.

  12. Ricardo Santos Pinto diz:

    Saloio,

    Parabéns por aderir às novas tecnologias com tão provecta idade.

  13. Carlos Vidal diz:

    Bruce Nauman, decoração de garagem ?

  14. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Acabaste com o final feliz?

  15. Carlos Vidal diz:

    Nuno, estou tentado, estou tentado, e vou tentando.

  16. ana diz:

    Caro Carlos:
    onde é que foi aluno e há quantos anos? Os professores, muitos deles, não querem saber do ensino nem dos alunos. E sabem isso perfeitamente.

  17. Carlos Vidal diz:

    Ana, não sei nada disso “perfeitamente” como diz. Fui aluno na antiga Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, hoje Faculdade de Belas-Artes – UL, e não comprovo nada do que diz / dizem dos professores. Acho que a ministra está muito mal habituada – está habituada a uma escola exclusivamente partidária, o ISCTE é um feudo do PS, uma dependência partidária, como sabe. De lá veio a ministra (que para lá voltará, pobres iscteanos), o MBA (???????) de J. Sócrates, o Ministro Vieira, o Ferro, o Pedroso, se calhar o Pedrosa, alguns assessores do 1º, etc, etc. A ministra não conhece o ensino nem superior nem secundário, nem básico, ela conhece o PS. E V. não devia ir atrás dela.

  18. Ricardo Santos Pinto diz:

    Não, Carlos Vidal, a senhora não vai voltar para o ISCTE.
    Aqui, subscrevo o que diz, com a devida vénia, o «Do Portugal Profundo»: A demissão da ministra da Educação é inevitável. Sócrates usou-a para concentrar nela a contestação. (…) A ministra será demitida por Sócrates após o acordo possível com os professores e bem antes das eleições europeias.
    Aliás, a demissão da ministra não é apenas uma convicção política minha, baseada no interesse eleitoral de Sócrates: é a própria ministra que se expõe, por deslumbramento e incapacidade de consumo diferido, de quem teve origem muito humilde, na compra de um apartamento, conforme referido pelo 24Horas de 3-11-2008, ecoando notícias que circulavam já pelos blogues. Segundo o 24 Horas de 3-11-2008 (a fonte neste caso), a ministra vive num apartamento da Azinhaga das Carmelitas em Carnide, e na sua idade (52 anos, nasceu em 1956) terá, há pouco tempo, alegadamente comprado um apartamento de cobertura com 160 m2 por 500 mil euros na luxuosa Avenida de Roma em Lisboa, através de uma hipoteca de 883.690 euros que se presumem também para as obras em curso no apartamento (“uma remodelação arquitectónica profunda”) a cargo da empresa Tanagra. Faça o leitor a simulação do encargo e verifique se, sem rendimentos extraordinários, lhe parecem suportáveis as prestações mensais do alegado empréstimo de 883 mil euros (aos 52 anos…) com o salário de ministra (temporário…) ou de professora universitária, mais do companheiro também professor universitário e com idade próxima. Pode a ministra prever a sua contratação por instituição do sector (por exemplo, um grupo económico, como o GPS), mas não se me afigura razoável no período após a função de ministra. Não… a hipótese mais provável é a seguinte: Sócrates já explicou à ministra que ela tem de sair, mas ofereceu-lhe um lugar manifestamente elegível na lista do PS ao Parlamento Europeu, o qual lhe garante, pelo menos, cinco anos de receita principesca, com eventual renovação do mandato (e depois pensão) – e pode até levar o companheiro para assistente. Como as eleições para o Parlamento Europeu são em Junho, e entretanto terá de participar na campanha, Maria de Lurdes Rodrigues será demitida de ministra da Educação até Abril de 2009 – faltam-lhe 5 meses, no máximo, pois pode sair a qualquer momento… Tem, portanto, a ministra a demissão anunciada. Logo, é desnecessário bater em cadáveres políticos.»

  19. Carlos Vidal diz:

    Caro Ricardo,
    Gostei muito de ler o que li, porque me parece fazer sentido e, se a fonte está certa, o caso da hipoteca justifica que a sra. vá para Bruxelas para a poder pagar. Não que um partido tenha como função dar esmolas douradas aos seus servidores para poderem pagar hipotecas. Mas o PS não é e nunca foi propriamente um partido político: é um grupo organizado de angariadores de votos que de tanto em tanto tempo jogam numa “esquerda” soft para depois ultrapassarem a direita pela direita. Sempre foi assim desde 74. Sobretudo com Soares e Sócrates, não esquecer o inventor da coisa, esse, o citado fundador. Se assim é, e tenho para mim que assim é, aquilo não é um partido, nunca foi, é uma agência de empregos e de gestão, por acaso com um instituto dito “superior” para reciclagem de quadros e acordos: tal como o Do Portugal Profundo tb comenta o doutoramento de Manuel Carvalho da Silva pelas mãos de Vieira da Silva. Apesar da fonte ser o 24 horas, parece-me que a coisa faz sentido.
    Mas a questão também é outra: a hagiografia do DN recai sobre uma mulher, pobre, honrada, simplória, seja, mas que, por razões que desconheço (mas suspeito) se entreteve nestes últimos anos a descredibilizar uma classe de intelectuais, os professores, coisa que carroceiros tipo MST sempre gostaram de desdenhar por acharem qua a “escola é a vida”, o deserto da Saara em jipe, etc, etc, misturado com pseudoliteratura.
    Esta descredibilização teve e tem ainda (segundo diz terá até Abril, veremos), teve, dizia, foros psicopatológicos sádicos. A táctica é tipo madeirense: desprestigiar as pessoas para a populaça as arrasar e justificar assim que tudo se faça – o tiro saiu mal à senhora, muito mal, e, ao contrário do que se pensa, o governo tem ali um grande problema, mesmo que a mande embora (ou sobretudo por isso). Não se está, portanto, a bater num cadáver, está a bater-se em alguém que cumpriu à risca uma jogada doentia nestes últimos anos, e aí todo o combate e crítica são coisas poucas. Além do mais o engenheiro assumiu várias vezes a defesa da sua dama educativa e exibiu-a em comícios do partido como vero trunfo. Não sei se a deslocação para Bruxelas resolve o que quer que seja, e até julgo que ela sairá antes de Abril. Veremos, veremos qual o futuro daquela gente.

  20. Ricardo Santos Pinto diz:

    Não sei se reparaste que, caso se confirme a maioria relativa do PS em 2009, o que é mais do que provável, o CDS-PP aparece cada vez mais como o parceiro de uma coligação pós-eleitoral.
    De resto, não tenho qualquer dúvida que Sócrates faria mais depressa alianças com Paulo Portas do que com Francisco Louçã.

    Quanto à ministra, que acabou de entregar o Prémio Nacional de Professores, o «Lurditas d’Ouro», basta olhar para o seu «curriculum» para ter uma noção do que andou a fazer, à custa do Estado, nos últimos anos. Só observatórios e coisas do género. Só cargos políticos. Só tachos.

  21. Carlos Vidal diz:

    Caríssimo, não tenho dúvida nenhuma que J Sócrates nutre um asco profundo à esquerda, ao sentido e história da “esquerda” e à própria palavra “esquerda” (que, não sabendo o que significa minimamente, detesta, como detesta e detestou estudar, engenharia ou qualquer outra coisa). Esse asco vai levá-lo ao PP como o seu mestre Soares, não esqueçamos, ou vai tentar a aventura Cavaco: o homem também andou pelo PPD/PSD, como diz o outro. E a aventura Cavaco manda-lhe tentar um governo minoritário, balbúrdia, tentativa de maioria, etc. Aquela gente é capaz de tudo, “aquela gente” quer dizer o PS na maioria esmagadora dos seus militantes, quadros e eleitores. O que os move é asco puro à esquerda, nenhum sabe o que isso é, mas julgam saber que os “comunistas” são a coisa pior do mundo: o PS sobrevive de mentiras e fantasmas.

  22. Carlos Vidal diz:

    Mas, acima de tudo, sobrevive à custa da palavra “socialista”.
    Paradoxal, não é ? Não, não é.

Os comentários estão fechados.