A haver “receio” era mesmo do ridículo


Os atlantes andavam moídos de preocupação: «e se a recusa em ouvir Manuel Joaquim Dias Loureiro se dever exclusivamente ao receio que possa existir sobre o conteúdo da sua declaração?»
Pronto. Podem já dormir descansados. De Dias Loureiro, só ouvimos protestos de santa ignorância e límpida inocência: «não tenho nenhum conhecimento. Nunca participei em nenhuma reunião sobre a compra do Banco Insular de Cabo Verde» (aliás, foi preciso abrir um jornal para saber da transacção), «havia auditores, havia contas auditadas, havia o Banco de Portugal e pessoas em quem confiava quase cegamente». Ele terá pedido ao BdP «especial atenção» ao BPN em 2002, claro que para preservar a credibilidade do banco. Mas, vá lá, sempre lhe pareceu algo estranho o peculiar dia-a-dia do estaminé: «não havia reuniões naquele banco».
Por fim, a confissão tocante e algo miraculosa: «quando saí da política não tinha dinheiro nenhum. Geri dinheiro com parcimónia, com sensatez». Mas qual dinheiro, se não o tinha? É um percurso inverso ao do BPN: tinham dinheiro (dos outros) mas tanto o “geriram” que ele desapareceu.

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Uma resposta a A haver “receio” era mesmo do ridículo

  1. antonio diz:

    Luís Rainha, é mesmo assim, acho que o Schumpeter (ou o Espada…) já explicaram a coisa: chama-se “destruição criativa”, e é o ‘motor da história’ uma vez que parece que a classe operária e agregados perderam o jogo por falta de comparência… :(I

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