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Todos querem o euro

21 de Novembro de 2008 por Rui Curado Silva

À atenção do João Rodrigues

Neste interessante artigo publicado no Financial Times é realçado o euro-entusiasmo emergente fora da zona euro após o desespero gerado pela actual crise financeira. Na Polónia, o mais atlantista dos países europeus, o euro é agora considerado como uma forma de protecção contra a crise financeira, cerca de 70% dos islandeses desejam a adesão ao euro, em recente sondagem realizada na Suécia 47% dos cidadãos declararam-se favoráveis à moeda única contra os 42% do SIM no último referendo e na Dinamarca pela primeira vez a maioria da população deseja o euro. Neste país discute-se já a organização de um referendo após um ataque especulativo sofrido pela coroa dinamarquesa em Outubro que obrigou o banco central a aumentar as taxas de juro de 5 para 5,5% (1,75% acima do valor da eurozona) para evitar futuros ataques.

Europeísta
O Filipe Moura apresentou-me como sendo europeísta. No entanto convém esclarecer que sou europeísta, não porque considere que exista algo especial ou transcendental no continente europeu, mas sim porque considero que a soma da Europa unida é bem superior à soma das paroquiazinhas separadas. Poderia do mesmo modo ser africanista, bolivarista ou oceanista, desde que os mesmos princípios fossem implementados nas respectivas zonas do planeta. Dito isto, estive desde a primeira hora entre aqueles que à esquerda consideraram o euro como um instrumento que iria contribuir para unir mais a Europa e tornar a União bem mais imune a ataques especulativos, como os que ajudaram a destruir as economias de alguns dos “tigres” asiáticos nos anos 90. Apesar de muitas coisas ainda poderem correr mal, o mínimo que se pode dizer é que o euro cumpriu na perfeição a função para a qual foi criado e, permitam-me a ousadia, acho mesmo que nas últimas semanas acabou de se pagar. Façam uma estimativa dos custos adicionais que a crise provocou fora da Eurozona e apliquem-nos aos 15 países onde circula o euro e chegarão certamente a um valor bem superior aos custos da sua implementação.

Comentários

Comentário de Filipe Moura
Data: 21 de Novembro de 2008, 18:40

“sou europeísta, não porque considere que exista algo especial ou transcendental no continente europeu, mas sim porque considero que a soma da Europa unida é bem superior à soma das paroquiazinhas separadas. Poderia do mesmo modo ser africanista, bolivarista ou oceanista”

Claro, pá. (E americanista, não?)

Comentário de luis naves
Data: 21 de Novembro de 2008, 19:57

muito bem. excelente post

Comentário de luis naves
Data: 21 de Novembro de 2008, 20:01

excelente post. muito oportuno. concordo inteiramente

Comentário de Rui Curado Silva
Data: 21 de Novembro de 2008, 20:12

Um bolivarista já é um americanista, americanista do sul. Um do norte deve ser para aí um naftista (desde que não seja a Palin a enumerar os países) ;)

Comentário de altc
Data: 22 de Novembro de 2008, 11:38

Este novo colaborador do 5 Dias é, de facto, extraordinário.
No post anterior era não sei o quê da Europa e dos automóveis de Detroit e mais não sei o quê. Não reparou que por esse lado já tinha a casa a arder.
Agora quando aumenta o número daqueles que tem dúvidas quanto à possibilidade de manutenção na zona euro dos chamados PIGS (principalmente Portugal e Grécia) vem filosofar sobre o euro e as suas vantagens. Começa-lhe a arder a casa também por este lado e, o filósofo, olha para a Dinamarca e para a Suécia.
Deve ser miopia. Só vê bem ao longe.

Comentário de altc
Data: 22 de Novembro de 2008, 11:40

Correcção:
Claro que não deve ser miopia senão não via bem ao longe.