O círculo quadrado

Ou estou balhelhas de todo ou ontem vi mesmo o Pacheco Pereira a garantir que apenas aceitava um método de avaliação de professores: através das notas dos seus alunos. Admitindo, quando muito, uma qualquer «correcção socioeconómica».
Será que ele não reparou mesmo que isto é imaginar os professores como fabricantes de crianças, ou como pasteleiros que recebem todos massa rigorosamente igual, podendo depois ser julgados pelo sabor dos seus bolos? Não fará ideia de que num mesmo ano, numa mesma escola, convivem sempre turmas hediondas e turmas brilhantes? Se calhar, mais valeria recorrer logo a uma tômbola para avaliar os docentes e pronto.

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24 respostas a O círculo quadrado

  1. m&m diz:

    «Não fará ideia de que num mesmo ano, numa mesma escola, convivem sempre turmas hediondas e turmas brilhantes?»

    isto é preocupante . Porquê que acontece? quem é que elabora as turmas? São os profs, ou não?

  2. Luis Rainha diz:

    O meu rapaz mais velho está no 10.º ano. Chegou agora à nova escola, como todos os seus colegas. A turma dele tem, em média, boa notas, bom comportamento. A turma “ao lado”, onde também conheço alguns miúdos, é quase o oposto. Porquê? Vá-se lá saber: capricho dos deuses, da dinâmica de grupos ou da estatística, não sei.

  3. Algarviu diz:

    Não poucas vezes basta um “artista” ou dois para influenciar de modo decisivo o comportamento de todo o grupo. Normalmente pela negativa, que pela positiva esse arrastamento não é tão fácil.

  4. LA-C diz:

    “Não fará ideia de que num mesmo ano, numa mesma escola, convivem sempre turmas hediondas e turmas brilhantes?”

    Se houver exames nacionais a todos os anos de escolaridade e se na “correcção socioeconómica” se incluir as notas que os alunos tiveram no ano anterior não fica o problema resolvido? (tirando, obviamente para os priofessores dos alunos do primeiro ano, para os quais não há ano anterior).

  5. LA-C

    Os Exames Nacionais devem ser primeiro para os Professores ( Como em Espanha!) y só depois para os Alunos!
    Aliás, essa coisa de aferir, ou começar a aferir o mérito por exames Nacionais! era um bom princípio.

  6. LR, o CSI de qq cidade EUa é mais fixe para ver do que o Pacheco, aprendes mais …

  7. Carlos Vidal diz:

    Não sei a quem é que Algarviu se refere com “artista”. Nem percebo o seu comentário. Mas é bem verdade, um “artista” (assim mesmo, entre aspas, muito bem) é uma coisa altamente perniciosa. Pior que um artista, claro.

  8. Luis Rainha diz:

    LA-C,
    E que dizer dos professores que têm os dois tipos de turma? São excelentes ou péssimos?

  9. j diz:

    “a turma “ao lado”…”

    Tive a sorte de nunca ter problemas com os meus filhos na escola (nem em lado nenhum), tendo sido educados naquela máxima de mais liberdade em função de mais responsabilidade, desde muito novos.
    Mas tive sorte, seguramente, porque, “ao lado”, conheço amigos com o mesmo tipo de atitude e que não tiveram a mesma sorte.

    Mas o que me leva aqui a comentar a expressão de Luís Rainha de “a turma “ao lado”…” reside no facto de em algumas escolas que conheci existir uma atitude discriminatória na formação das turmas, não integradora, um pouco a exemplo dos bairros sociais para onde vão os pretos e os ciganos.
    Pois, da experiência que conheço, não raras as vezes que as turmas são constituídas em função do tipo de família dos pais, dos alunos da cidade e dos arredores, um pouco na lógica do antigamente com a separação do ensino liceal do ensino técnico, com cunhas de pais influentes para que os seus filhos fiquem na turma que mais lhes convém, onde não hajam pretos e ciganos, de preferência.

    Quanto à “avaliação” nem me pronuncio, tal a instrumentalização politica que cavalga no processo, não ficando nada bem visto o PSD, porque quanto ao PCP e ao BE até se compreende.

    O processo está claramente politizado, com a ministra de cedência em cedência para que o PS consiga salvar a face, de um lado, e com os sindicatos, do outro lado, a complicar o sistema intencionalmente, porque me começo a convencer que, de facto, os professores não querem ser avaliados, ou melhor, apenas querem a avaliação que melhor sirva os seus interesses e não o da qualidade do ensino pela via da sua melhor qualificação.
    Aliás, o “político” Mário Nogueira praticamente nunca deu aulas na vida e a licenciatura dele parece ser do tipo “novas oportunidades”, a ser verdade o que um professor ainda ontem me disse, professor que de tão ocupado com as fichas de avaliação passa bem parte do dia no café (a corrigir testes e a preparar aulas… Tal como eu, naquilo faço, porque o café não é só para malandros).

  10. Pacheco Pereira começou por querer influenciar MFL, mas acabou por ser ele a deixar-se influenciar pelas bacoradas dela

  11. LA-C diz:

    Luís Rainha, fico sem perceber como é que o que diz não é contemplado pelo que eu escrevi no meu comentário anterior.

  12. m&m diz:

    o critério que subsiste à elaboração das turmas é que está mal. Não há coincidências. A composição delas devia ser aleatória e não «caprichosa com arranjinhos divinos».

  13. LA-C diz:

    “E que dizer dos professores que têm os dois tipos de turma? São excelentes ou péssimos?”

    Luís Rainha, se se fizer a correcção tendo em conta os resultados dos alunos no ano anterior, que diferença faz a qualidade da turma?

  14. Luis Rainha diz:

    j,
    No caso que descrevi, as turmas foram compostas apenas por ordem de chegada. Não me parece que haja mais elementos de grupos desfavorecidos numa ou na outra.

    Luís,
    A integração em turmas problemáticas pode afectar os alunos, e muito. Que no ano seguinte um professor pudesse ser beneficiado na avaliação por ter alunos oriundos daquelas condições adversas, também não parece muito justo: haveria subidas de notas, mas talvez pouco devidas às capacidades do docente. Ou o caso contrário, claro.

  15. LA-C diz:

    “Que no ano seguinte um professor pudesse ser beneficiado na avaliação por ter alunos oriundos daquelas condições adversas, também não parece muito justo”

    Mas por que raio haveria de ser beneficiado?

  16. Luís, imagina dois professores diferentes a darem a mesma disciplina aos mesmos alunos. Aquel com quem os alunos tiverem melhores notas (notas essas que deveriam ser dadas por um exame externo, independente dos professores) é o melhor professor. Isto é evidente, e é o que o Pacheco quer dizer.
    Neste momento estou mais preocupado com a avaliação em geral (que é rejeitada pelos sindicatos) do que com o modelo. Mas prefiro um modelo o mais objectivo e facilmente quantificável possível. É claro que há muitas condicionantes, mas para um bom modelo tens de ter uma fórmula, que deve depender somente de parâmetros quantificáveis (notas dos alunos assiduidade…).

    “A integração em turmas problemáticas pode afectar os alunos, e muito.”

    Claro. É trabalho dos sociólogos/economistas/whatever definir matematicamente o que é uma turma problemática.

    “Que no ano seguinte um professor pudesse ser beneficiado na avaliação por ter alunos oriundos daquelas condições adversas, também não parece muito justo: haveria subidas de notas, mas talvez pouco devidas às capacidades do docente. Ou o caso contrário, claro.”

    Aqui é que não percebi nada…

  17. A De Puta Madre repete a cassete dela em todos os posts, mas acho que ela tem a sua razão. Olé!

  18. Sejeiro Velho diz:

    Não vejo nada de aberrante na opinião do Pacheco Pereira. Eu penso também que o resultado obtido pelos alunos deveria ser o critério mais valorizado, digamos 75%. A escola, conhecedora da camada sócio-económica dos seus alunos, estabelaceria metas a atingir em cada turma, se não fosse posssível fazê-lo para cada aluno.
    Há turmas que são ronhosas com um professor e brilhantes com outro.O mesmo para cada aluno.

  19. LA-C diz:

    Assino por baixo o comentario de filipe moura das 18h52

  20. Luis Rainha diz:

    «dois professores diferentes a darem a mesma disciplina aos mesmos alunos» é hipótese absurda, irreal e inútil.

    « Turmas problemáticas» não no sentido sociológico, como percebeste, mas sim de comportamento/desempenho escolar.

    A passagem que não percebeste, por complicação minha, tem um sentido simples: as notas do ano passado de um aluno são resultado dos seus professores, da sua aplicação e do ambiente que tinha na turma. Este também afecta as notas (e correlaciona-se com factor “aplicação”). Logo, iria inquinar uma avaliação aos professores inteiramente baseada em notas, mesmo com a correcção do factor “notas passadas”.
    Em parte, os docentes iriam ser avaliados também por um factor completamente fora do seu controlo: como é que a turma actual se comparava com as turmas passadas de cada aluno.

    Não se confundam: eu não acho que o factor notas seja irrelevante, longe disso. Mas fazer dele o único a considerar, já me parece bem esquisito.

  21. m&m diz:

    «No caso que descrevi, as turmas foram compostas apenas por ordem de chegada»

    ou é ingénuo ou está a mangar

  22. Luis Rainha diz:

    Sim; ninguém conhecia por lá os alunos, as escolas de onde vinham não tinham má reputação… nem imagino a sua sinistra teoria conspirativa.

  23. ana diz:

    Mas olhe que é a pura das verdades. Se for a uma cidade pequena, todos os pais tentam meter os filhos nas “turmas dos filhos dos professores”.

  24. Luis Rainha diz:

    O meu caso nem é de Lisboa, não conhecia nenhum professor na escola e ignorava tal mania. Mas já vou no segundo filho que entra no 10º ano naquela escola e não me queixo do meu método ingénuo. Mas sei que há quem não aprecie muito a turma dos seus rebentos.

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