Acabar com a peçonha de uma vez, não é professor Vital Moreira?

Tinha lido há dias este post assinado por Vital Moreira, e, já na altura me meteu confusão. Tinha mais que fazer, e hoje fui desenterrar a coisa do obscuro Causa Nossa, datada de 15 / 11.

Confesso que não li muitos postes tão absurdos, tão rancorosos e incendiários como este:

«Não tendo conseguido evitar a guerra da maioria dos professores contra a avaliação (e contra as demais reformas no ensino), o Governo só tem uma via a seguir, se não a quiser perder – tornar claro que não cede, aguentar firme e ganhar a população a seu favor contra a tentativa de boicote corporativo, invocando o interesse geral (e sobretudo o interesse da escola e dos alunos) contra os interesse sectoriais e profissionais.
Esta é, aliás, a “regra de ouro” na luta reformista contra os grupos de interesse, como escrevi a seu tempo a outro propósito.
Ao contrário do que alguns defendem, o Governo pode bem suportar a perda eleitoral entre os professores, que aliás nenhuma cedência agora recuperaria. O que não deve arriscar são as perdas bem maiores que teria entre os eleitores em geral, caso fosse vencido e perdesse a autoridade reformadora, que constitui o seu grande activo político e eleitoral.»

Leio, e pergunto-me: O que é que isto quer dizer?

Pretende-se criar uma nova PIDE ?, desta feita uma Polícia de IMPOSIÇÃO e Defesa do Estado, não é? O que é isto que Vital Moreira escreveu que eu não percebo? Ele percebe? Acho que também não.

Senão vejamos, nada de cedências obrigar cento e cinquenta mil profissionais a engolir um absurdo selvático de uma forma selvática, se necessário? Que selvajaria é esta? Polícia de Imposição, já! e para a defesa do Estado! Aguentar firme, firme e sem ceder nada, guerra total, acabar com a peçonha dessa classe de cento e cinquenta mil, uma ninharia, uns mosquitos, pedir, à maneira de João Jardim, às pessoas, ao povo que lhes trate da saúde, que desfaça essa corporaçãozita de privilegiados, ou, como dizia o outro, dessa classe de parasitas bem pagos como nenhuns outros.

Já que os votos dos professores estão perdidos, diz o bloguer, então que se parta para a conquista da população. Trucide-se pois quem não se deixa “reformar”. E, de caminho, se a desobediência  civil continuar, que se ponham a quase todos processos disciplinares com expulsão, ou perto disso. Cem, setenta ou vinte mil professores expulsos, que oportunidade para criar uma escola decente, trabalhadora, limpa e ordeira. Bravo, senhor professor. Eu gostei.

(Faço notar que este assunto não é de todo desconhecido; Vítor Dias também o abordou)

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11 respostas a Acabar com a peçonha de uma vez, não é professor Vital Moreira?

  1. fogo diz:

    estamos 100 % unidos no desprezo ao sr. Vital, que parece um taberneiro daquelas tascas de há (mais de) 34 anos.

  2. FIN diz:

    Absolutamente absurdo é o conteudo deste post.
    Criação de Pide? Engulir um absurdo selvático de
    forma selvática? Pedir-se-ia ao autor do post um
    comentário, minimamente articulado sobre o
    texto que diz comentar. Alguma coisa inteligente,
    com alguma substância. Chega-nos apenas
    esta obra prima. A coisa com outro sistema
    educativo ia lá… Este blog, de que sou
    leitor regular, tinha até bons colaboradores…

  3. joão viegas diz:

    A mim parece-me que o que Vital Moreira diz é muito simples : se ha uma coisa sobre a qual é legitimo o Governo mostrar-se firme, e mesmo intransigente, é a primazia do interesse geral sobre os interesses particulares. Por conseguinte, enquanto os professores aparecerem unicamente como defensores dos seus interesses particulares, não se pode ceder a chantagens (tipo “se não nos ouvir, não votamos em si”) e ha que lhes responder como Mirabeau fez noutros tempos : eu estou aqui por vontade do povo, e assim continuarei até que o povo decida o contrario.

    Simples.

  4. Não sei se Vital Moreira terá paciência para lhe responder, mas sempre lhe direi que prefiro a firmeza dele à sua raiva. Dantes ser contra o regime era ser comunista, agora defender uma reforma imprescindível é ser da PIDE ou assemelhar-se ao Jardim madeirense. Francamente!

  5. Sejeiro Velho diz:

    Confesso que não li muitos postes tão absurdos, tão rancorosos e incendiários como este:

    Esta observação serve que nem uma luva ao comentário que o/a senhor/afaz ao texto do professor

  6. jpt diz:

    Vital Moreira é tão sectário e autoritário a defender (este) PS como o era a defender o PCP. Há hábitos que não se perdem. Aprender a ser democrata custa.

  7. Bjorn Pal diz:

    Carlos Vidal:
    Não seja demagogo, populista e (aparentemente) mentecapto.
    Leia as coisas mais do que uma vez e não na diagonal.
    Tente fazer uma primeira abordagem imparcial (é difícil mas não impossível – apenas os broncos e os boçais não conseguem).
    Depois o mais complicado: contextualize – se necessário faça uma revisão ou uma leitura inicial dos textos do autor em questão (seja ele quem for) e procure perceber a sua linha de pensamento e a(s) suas(s) ideologia(s)…
    Depois sim, faça sua análise…
    Pelo que tenho lido presumo que deva ser jornalista – a utilização de frases bombásticas, bem escritas e com potencial incendiário e acima de tudo, escorrendo retórica balofa, denunciam a “espécie”. Apenas não encontro os costumeiros erros gramaticais e de sintaxe (para além de diversos non-sequiturs) pelo que presumo que seja da geração acima dos 45 anos.
    Um bom dia.

  8. Sérgio diz:

    Como antes disse, a bufaria anda por aí.
    Estes empregados do partido, defendem aquela corja até às ultimas consequências ou não fosse o partido o seu único ganha pão.
    O que é engraçado é que a maior parte dos animais que comentaram este post têm aquele ponto de vista engraçado: os outros têm privilegios, mas eu tenho direitos.
    Já agora, o meu tom não é de raiva, é de nojo de vocês todos, que andam a morrer por voltar a ter uma ditadura. Pelo menos o culto de personalidade daquele falhado já se começa a notar. E o gajo não vale mesmo nada. A menos que a capacidade de rastejar pela máquina partidária acima seja sinónimo de competência o que não é.
    É a esperteza saloia, os “esquemas”. E é assim que este partido governa.

    Bravo ao 5Dias e a outros blogs, que continuam a denunciar as atrocidades democráticas do “Partido” e do “Circulo Interno”.

  9. Carlos Vidal diz:

    Gostei do comentário de Bjorn Pal – totalmente errado. Não tenho mais de 45 anos nem sou jornalista !
    Remeto “defesa” para um post acima intitulado “Relembro apenas”.

  10. António Figueira diz:

    Carlos,
    Como “imposição” e “internacional” começam as duas por “i”, a polícia cuja invenção atribuis ao Dr. Vital dá pelo acrónimo de PIDE. Ora eu não tenho simpatia nenhuma pela actual incarnação do Dr. Vital, candidato a ideólogo-mor do regime e fustigador das lutas sociais com o argumento espúrio do anti-corporativismo; mas se há coisa que o Dr. Vital não é, é PIDE, no sentido histórico do termo – e parece-me que a criação de um novo sentido para o termo, a-histórico, desvaloriza o seu sentido verdadeiro. A PIDE foi um grande mal; usar o seu nome mesmo com um sentido obviamente não literal e como provocação intelectual tem o efeito colateral de banalizar o termo, de criar pidezinhas entre as quais a PIDE stricto sensu, aquela que prendia, torturava e matava, seria apenas uma espécie de primus inter pares. Acho má táctica – semanticamente falando.
    Abraço, AF

  11. Carlos Vidal diz:

    Caro António Figueira,
    É capaz de ser uma má táctica e uma banalização de algo trágico, a verdadeira PIDE, concedo evidentemento razão ao reparo, mas espero que a presença do acrónimo não seja aquilo que vá suscitar a discussão do post, além do mais seria uma verdadeira “imposição policial” o evento que Vital Moreira parece pretender pôr em marcha.
    Contra cento e cinquenta mil pessoas (acho que o número está certo) é obra.

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