Radicalismo centrão
19 de Novembro de 2008 por Tiago Mota SaraivaO Carlos Vidal escreveu um post sobre o que deseja para a esquerda que incendiou o radicalismo centrão. Com a cassete do costume pode ler-se o “Soviete, meu amor” do André Salgado ou o “Isto anda tudo ligado” do Pedro Correia, autênticos exemplos do que aqui escrevi.
A necessidade de esconder a alternativa de esquerda, ora procurando desvalorizá-la ora combatendo-a com um discurso violento e “alberto jardinista”, é a receita.
Mas também é um sinal.

Comentário de Lidador
Data: 19 de Novembro de 2008, 15:00
Cá está.
O proletariado de um modo geral e a classe operária em particular, atravessam uma época exaltante, se bem que eu desconfie que aqui a malta do cinco dias terá de experiência operária um tempo semelhante ao tempo que eu passei a assessorar a Madre Teresa de Bombaim, ou lá o que é.
Mas enfim, os amanhãs radiosos voltaram a cantar, o grande capital treme de medo, Marx levanta-se e voa como o Conde Vlad Drácula, e até o nosso governo, inspirado pelos trinados da mudança, já retomou a saga revolucionária do saudoso João Cravinho, nacionalizando por decreto um banco, antro tenebroso da alta finança arqueo-capitalista, neoliberal e proto-gananciosa.
A adjectivação ganha asas e de Ary dos Santos volta a ouvir-se o “cabeçudo, dromedário … lãzudo, publicitário, malabarista , cabrão”, que a cantiga é uma arma contra a burguesia.
No glorioso caminho para o socialismo espera-se agora que o governo não fique por aqui e melhore a partitura nacionalizando as petrolíferas, as telecomunicações, a Liga Sagres, o quiosque do Sr Martins, a churrasqueira Rainha dos Frangos, os pilares da ponte S.João e por aí adiante, exceptuando o meu carro, claro.
Os reaccionários neoliberais, ultra-neocons e arqueo-capitalistas andam calados que nem a Dr Manuela Ferreira Leite, e consta que alguns já estarão a preparar a fuga para o Brasil, como os Champalimaudes, os Amorins os Espíritos Santos e as Fátimas Felgueiras.
Teme-se que as próprias rotundas de Viseu emigrem precipitadamente para o sertão brasileiro.
O que é capaz de não ser uma grande ideia porque vagueiam por lá lulas gigantes que mudam de cor com impressionante rapidez, ao ritmo da cachaça. E, se bem que algo desafinados, os amanhãs também querem cantar, misturando as estrofes da Internacional com o samba do mensalão, numa mistura bolivariana de Fórum de S.Paulo com ritual de Candomblé.
Para a Venezuela muito menos, porque aí só canta o Exu Chavez, a anunciar o nascer de um novo amanhã cantante e bolivariano, a partir das cinzas putrefactas do neoliberalismo ultra neocon, arqueo-imperialista e proto-capitalista.
E eu, reaccionário impenitente e irrecuperável, que bem queria odiar o grande capital mas nem as pequenas quantias consigo desprezar, temo que o ritmo revolucionáro não me entre na corneta, mesmo que me encostem à muralha de aço.
Uma chatice!
Felizmente temos aqui a malta do cinco dias para nos animar, embora me pareça que estão a confundir o Groucho com o Karl.