(à atenção de J P Castro e de um tal T. Vasques, que se incomodaram com o meu “manifesto” para a esquerda portuguesa)
Tenho duas interpretações na memória desta Hammerklavier, uma a de Pollini, de 1976 (pena que Pollini, na última vez que nos visitou tenha pouco menos que destruído esta sonata, e sobretudo este andamento, o meu mui preferido Adagio sostenuto. Appassionato e con molto sentimento: em Lisboa Pollini levou isto num tempo de “esmagamento” de cerca de 10m., quando na gravação para a Deutsche o faz, lindamente, em 17m.).
Mas a outra, que me parece superior (e desculpem-me se me engano) é a do maior pianista beethoveniano do século XX (não é?) – Wilhelm Kempff. Procurei por Kempff, com este Adagio, apenas o Adagio, no youtube, mas tão entusiasmante só me surgiu Brendel, o homem que se despedirá dos palcos este ano, um dos intérpretes do século XX (e para o XXI), que visitará a Gulbenkian, na tal tournée de despedida, este mês.
Esqueçam-se do futuro da “esquerda portuguesa”, vamos. Se isto não superar tudo, então não o sei o que o fará.
Eu já me esqueci da (vossa) “esquerda” (porque a pus muito à direita da esquerda, claro).




A julgar pela idade do Brendel no video, aposto que nenhum de nós era vivo quando ele foi gravado.
Claro, por suposto. E também quando me refiro à minha memória da interpretação de Pollini de 1976, estou a referir-me ao CD, nem sequer ao vinil. Mas assisti ao seu “desastre” recente em Lisboa, isso sim, lembro-me bem, e não gostei.
Há mais vida musical(felizmente)alem do Youtube… Porque não experimenta ouvir a Hammer pelo Emil Guilels ou pelo velho Backhaus? Tem de mandar vir os cds por alguma Amazon,mas vale a pena. O Kempf era um “habitué” do falecido Círculo de Cultura Musical,e concordo, de experiência, que um excelente beethoveniano. Sem dúvida que nestas companhias apetece mandar às malvas a Esquerda,a Direita,e restantes comparsas da política do campanário local…
Estás tão à esquerda, tão à esquerda, que só consegues estar na Coreia do Norte. Boa viagem.
Édobasílio, não sei quem o senhor é, mas estive na Coreia do Norte na tournée da Orquestra Filarmónica de Nova Iorque, e gostei muito.
Caro Jorge, estamos a falar de assuntos sérios e ainda bem.
Se a conversa sobre a esquerda em Portugal passa pelo PS, então não tenho palavras e ouço a música de que mais gosto e preciso. Ou mesmo que passe por qualquer outro lugar, também tudo deve parar perante a Hammerklavier. Ou todas as 32 sonatas do mesmo homem, ou a 7ª (minha preferida, se tivesse de escolher uma – e uma vez mais teria de falar em Harnoncourt ou a recente caixa de Jos van Immerseel) ou os últimos quartetos de cordas ou a “Grosse Fuge” – são de uma estranheza e bizarria que não sei dizer nada sobre isso. Por falar em pianistas, há de facto os que me recomendou, mas entre os históricos também poderíamos falar de Arturo Benedetti Michelangeli e Sviatoslav Richter, e por aí fora (sabendo que o “pai” de todos, e o primeiro a gravar a integral das sonatas, se não estou em erro, foi Artur Schnabel, mas não sei se é a melhor referência). E acho que, quanto aos melhores, já dissemos quase tudo. Continuaremos esta conversa, certamente.