O gang dos sonetos

A livraria Pó dos Livros, como muitas outras, sofre uma praga ainda mais insistente que o nemátodo do papel: os amigos do tomo alheio. Agora, parece que a ladroagem especializada em poesia fina tem atacado com notória regularidade.
Eu tenho uma teoria a alvitrar: trata-se do mesmo bando de gatunos literários que assaltaram recentemente a casa de Miguel Sousa Tavares, pifando-lhe o computador prenhe de excelentes inéditos. Os ilustrados ladrões leram tudo aquilo, absorveram os enredos de MST, ainda em estado larvar, repetiram boquiabertos as falas da tal peça teatral inacabada. Depois… foram a correr em busca de antídoto. E aportaram à Pó dos Livros, desesperados e desvalidos.

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3 respostas a O gang dos sonetos

  1. Carlos Vidal diz:

    Pois, só mesmo o pó para os salvar. Depois de MST, só lavando os olhos com poeira para de novo ver bem. É um paradoxo, mas que podemos nós fazer, aquilo vende (mas já vendeu mais, valha-nos isso, ou o pó dos nossos livros verdadeiros).

  2. Tiago Mota Saraiva diz:

    Quando ouvi a notícia do MST, não me preocupei, mas este post é um prenuncio de um processo de intelectualização dos larápios em cursos. Qualquer dia somos furtados por artistas da palavra, de gramática perfeita, noutras línguas ou em verso.

  3. Carlos Vidal diz:

    Depois de lerem MST, os tipos tiveram de ler e roubar livros da Fiama. A inteligência, neste caso, dos larápios, salva e salvou-lhes as vidas. Ganhou a Fiama e ganhámos todos.

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