Ao contrário do que o Paulo Querido parece pensar…

… eu não escrevi isto para me gabar de ler Castells (aliás, quem é que não leu?). A ideia tampouco era dar «uma lição de como citar fontes relevantes.» Quis apenas assinalar que a cegueira do Google face aos blogues menos “salientes” já vem de longe e que é inútil importar opiniões e profecias americanas para a nossa pequena blogosfera lusófona. As grandes tendências não se apanham com feelings nem com um ou dois exemplos avulsos. Não adianta grande coisa proclamar verdades made in USA como «Hoje, é difícil distinguir entre uma boa parte dos blogs do que são sites noticiosos e informativos.» Tal poderá ser verídico na terra  do Huffington Post, mas não na paróquia do Abrupto.
A não ser que queiramos fazer o papel de apóstolos do hip, sempre de gadget novo debaixo do braço, pronto a substituir a obsolescente moda da semana passada.

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3 respostas a Ao contrário do que o Paulo Querido parece pensar…

  1. Carlos Fernandes diz:

    O Paulo Querido pode saber muito de blogs e de internet, agora fazer futurologia com estes temas parece-me muito abusivo…
    Isto dependerá de muitas, muitas, coisas: futuros Governos de esquerda ou direita mais/menos censores e mais/menos entusiastas da ( ou desta)informática, etc, etc…

    Entretanto, já descobri mais uma utilidade da informática: se estiver com o meu portátil e alguém ao pé de mim me estiver a chatear, este pode ser usado como uma grande e eficaz arma de persuasão, “cala-te pá, ou levas com o portátil na mona”…

  2. Chego atrasado ao post, mas chego (thanks Google).

    Luís, não me passou pela cabeça que te estivesses a gabar 🙂

    Discordo da inutilidade da importação de opiniões e profecias e mesmo de reflexões e exemplos (não meteste, adianto eu). É, aliás, curioso ver onde e de que forma a blogosfera portuguesa começou a divergir da americana, a qual seguia a praticamente par e passo nos idos de 2002/2003.

    Todas as tendências, pequenas e grandes, começam num pequeno feeling e com 1 ou 2 exemplos avulsos — só depende do momento em que cada um “entra” no comobio da atenção à tendência em causa. No meu campo, tenho tido bastos exemplos disso. A auto-edição: em 98 era aos meus olhos uma grande tendência muito clara. Em 2002 mais se acentuou, com a ferramenta blog. Mas para quem tenha entrado no comboio em 2008 (caso dos nossos jornais), qual é o momento em que lhe chama “grande tendência”? 98 — ainda nem estavam na net, quanto mais…? 2002 — isso era coisa duns pategos informáticos? 2004 — ah, o chinfrim dos utilizadores?

    Sim, as medidas do Google não são adequadas para certos valores humanos. Apesar de admiráveis, os algoritmos são cegos a muitas situações. Eu diria que à medida que cresce a quantidade e complexidade de material para analisar e catalogar, fica patente a ineficiência dos mecanismos infomáticos puros.

    A saída?

    Várias.
    Uma: mecanismos infomáticos da geração seguinte ao Google (curiosamente, comecei a ver desenhar-se uma Grande Tendência esta mesma semana, não adiantará à conversa informar qual o site mas cá vai: http://cli.gs)

    Outra, que já podemos ver em diversos projectos: “temperar” os algoritmos com editores humanos. O cuil.com vai provavelmente fracassar pelo lado comercial (não pelo conceito). A Wikipedia é o melhor exemplo. O Knol chegou em segundo, logo está tramado.

    O próprio Twitter (e leva isto à guisa de grande tendência que só vai ser sê-lo daqui a um ano nos EUA e daqui a 2 ou 3 cá) terá uma palavra relevante no campo da filtragem do relevante.

    Terá? LOL… Eu já só uso o Google para pesquisar merdas técnicas e de programação — e isto porque no Tewitter não as tenho. Tudo o mais das minhas realidades (jornalismo, new media, política internacional, web social, empreendorismo, comunicação lato senso), os melhores links são os que me dão as pessoas que eu sigo no Twitter. Não procuro nada disso no Google — nem mesmo nos blogs, onde perco demasiado tempo. Vou lá lê-los, sim, mas já depois de accionado o filtro de relevância dos posts que interessam.

    Assim: vale a pena ver o que se passa nos EUA (e a ponta, onde quer que ela esteja) para perceber o que é provável passar-se noutros locais (como cá). E cá já estamos a verem diminuir as importâncias dos blogs-blogs e a aumentarem as importâncias dos blogs-meios de comunicação profissionais, organizados ou em vias de.

    A fechar: 1 das principais vantagens dos blogs, para terem leitura, foi tecnológica, mesmo que os seus escribas tendam a pensar o contrário. O Google “prefere”, ou “vê melhor”, páginas com a informação melhor estruturada (meta-informação) e assim tende inevitavelmente a atribuir maiores pesos a essas páginas, e às páginas parecidas que se ligam a elas, umas às outras, em profusão. Ora, os OCS e media tinham páginas deficientemente estruturadas (aqui funciona também a linguagem do 1.0 e do 2.0 ) e eram pontos de rede anémicos, isto é, sem links, e os links são a seiva, o sangue, da ecologia reticular.

    À medida que os OCS e media reformatam o seus HTML e abrem canais aos links, o Google dá por eles. Disparam nos SERP. Logo, passam a ocupar os lugares anteriormente ocupados pelos blogs nos resultados.

    Um exemplo vivo, recente: o Expresso. Duas pequenas alterações técnicas fizeram com que os conteúdos do jornal passassem a aparecer sistematicamente no topo do News Google, em vez de nos “relacionados”. Coroando o trabalho da equipa editorial que há 2 anos lutava por melhorar.

    (O que me desgosta é que o prémio podia ter vindo antes, não fossem as casmurrices.)

    Abraço

  3. Rectificando: “E cá já estamos a ver diminuirem as importâncias”

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