Pescadinha de rabo na boca


Segui a recomendação do PPM e vi o atlante Pedro Marques Lopes na SIC Notícias. E ouvi-o dizer uma coisa fabulosa: «estou convencido de que não há um social-democrata, mais convicto, mais fanático, de base, num sítio qualquer, que esteja convencido de que Manuela Ferreira Leite consegue chegar a primeira-ministra nas próximas eleições» (ao minuto 20 do programa). E logo veio a conclusão apocalíptica: «ora bem, isto é de uma gravidade extraordinária!»
Grave? Talvez. Mas o quê? O suposto pensamento do laranjinha comum? Ou apoiar-se nessa invenção e dela saltar para uma qualquer teoria que na hora dá jeito?
Maior mixórdia entre percepção e realidade, entre imaginação e facto, não pode haver. O analista avança com o seu presciente “convencimento” do que vai no íntimo dos militantes laranjas e meio segundo depois já está a emitir deduções letais para a sua liderança. Isto é fazer a festa e lançar os foguetes, morder a própria cauda e proclamar que se apanhou o mundo.
Não sei bem se testemunhei um episódio alucinatório ou um caso de wishful thinking elevado a patologia. Certo é que ser analista do nosso próprio reino de fantasia deve ser divertido, embora não seja muito útil para quem vive do lado de cá.

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6 respostas a Pescadinha de rabo na boca

  1. Maria Alberta Fitas diz:

    Vi o Sr. Pedro Marques Lopes pseudocomentar a polémica avaliação dos professores, no dia 15 de Novembro, no programa da SIC, Eixo do Mal. Considero que para se rir imbecilmente dos disparates que diz poderia ir para o “Isto só riso” que faria melhor figura. Não conhece nada sobre o que opina. Vou referir-me a um pequeno fragmento de todos os disparates afirmados: que os professores titulares são os mais experientes. É mentira! Os professores titulares foram aqueles que, nos últimos sete anos da sua carreira, tiveram, por exemplo, uma turma e de resto, reduções por uma quantidade de cargos cujo desempenho nunca foi avaliado, mas era conveniente que assim fosse. Por exemplo, se havia turmas para um grupo disciplinar eram atribuídas, a um professor, 5 ou 7 turmas, como eu sempre me aconteceu, ou seja, qualquer coisa como 200 alunos, se não toca de encher com esses cargos. O que tinha 200 alunos precisou, sempre, de muitas horas para corrigir trabalhos, em casa, ou não? Sempre vivi para a Escola Pública, porque não tinha tempo para mais. Mais, titular é quem há 15 anos seria Director de um Centro de Formação e hoje nem dar aulas consegue, porque perdeu o contacto total com a realidade! Há imensos professores, como eu, com imensos pontos,à altura do concurso, mas a concorrer num Departamento, em que concorriam 14 pessoas, para 4 vagas e noutro Departamento, na mesma escola, pessoas que nem os pontos tinham, a entrarem porque o número das vagas era muito superior. Critérios? Nunca os conhecemos! Aliás, se eu estivesse a 30 quilómetros,não há outra mais próxima, desta Escola, poderia ter entrado! Então aí já seria uma professora muito experiente! Muito, mas muito, haveria a acrescentar! Esclareça-se, não papagueie a intoxicação que o Governo lhe dá, isso faz-lhe muito mal a si, mas sobretudo ao País!

  2. Aires da Costa diz:

    Maria Alberta Fitas

    “cujo desempenho nunca foi avaliado, mas era conveniente que assim fosse”

    Por acaso não tem aí um vídeo, uns recortes de jornais ou uma simples fotografias daquelas portentosas manifestações de professores contra o facto de os desempenhos que se refere nunca terem sido avaliados?

    Já agora aqueles desempenhos deviam ter sido avaliados por quem? Pelos professores? pelo Conselho Executivo? pelos alunos? pelos pais? por inspectores do MEC? pelas Universidades? por empresas externas tipo auditoras? pelos centros de explicações da zona? Por quem ?

  3. joanaes diz:

    Não vi o programa, mas pelo relato assemelha-se muito ao estilo Luis Delgado (numa SIC N perto de si), que quando não é irritante até á morte pode produzir resultados absolutamente hilariantes.

  4. Model 500 diz:

    Uma coisa que tenho vindo a constatar ultimamente é que sempre que aparece alguém a defender a ministra e a correspondente avaliação, é de imediato trucidado. Confesso que estou a mudar de opinião e que começo a simpatizar com a ministra. Perante a lamentável figura que os professores andam a fazer começa a ficar cada vez mais claro que se o governo não ceder e aguentar firme, ganha a população a seu favor.

    Se pelo contrário, o governo ceder, decreta nesse mesmo dia a sua certidão de óbito.

  5. Alfredo P. diz:

    Estava para escrever aqui um comentário sobre o PML, essa nova “estrela” da TV (só neste fim-de-semana apareceu em dois programas da SICN), mas desisto, por falta de adjectivos. Todos os que usasse seriam insuficientes para definir a qualidade das prestações do dito senhor.
    Apenas anoto, a propósito, que é preciso topete para fazer, repetidamente, figuras tristes e rebolar-se de riso com a façanha.

  6. sixty diz:

    Enfim, temos mais um comentador patético ao estilo de Miguel Sousa Tavares.
    Outro arrogante de primeira. Outro Sócrates. Acho que lhe fazia muito bem ir dar aulas durante uma semana para perceber o que é os professores passam numa sala de aula? Tente fazer isso! Por acaso não sou professor, mas sou filho de um! O povo adora estes comentadores da treta…que ganham milhões a dizer mal dos outros portugueses!

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