APENAS para mahlerianos (menos broncos do que eu, claro)

Sempre me habituei a respeitar e a venerar este homem: Valery Gergiev, amigo fiel de Putim e super-homem, super-conductor. É director do Teatro Kirov de S. Petersburgo, gravou toda a história da ópera russa (e que história !) para essa etiqueta gloriosa e para a Philips. Foi até há pouco maestro principal da Orq. Sinfónica de Roterdão. Agora é o principal de outra sigla famosíssima, a OSL, Orquestra Sinfónica de Londres. É ainda maestro convidado principal da Metropolitan Opera House de Nova Iorque. Ele não é uma pessoa, sei-o bem, são para aí três ou quatro indivíduos. Agora para a OSL está a gravar a integral sinfónica de Mahler: saíram, se não me engano (o que é o mais certo), a primeira sinfonia, a terceira, a sexta e a sétima. É sempre um projecto central de uma vida, de qualquer vida ou mais do que isso, mas Gergiev quer fazer a coisa em pouco tempo. Percebo a 1ª , mas a 7ª  acho um disparate total. Como é que vai acabar esta saga do grande conductor. Como sou bruto, posso estar enganado. Ouvi mal ? Há ajuda ? Quem está interessado nisto ?

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11 respostas a APENAS para mahlerianos (menos broncos do que eu, claro)

  1. Carlos Vidal diz:

    Perdão, “amigo fiel de Putin”, claro.

  2. jorge diz:

    Conheço o Mahler do Bruno Walter,do Klemperer,do Tennstedt,do Bernstein. Nunca ouvi o Gergiev em Mahler,mas se se tornou um mahleriano apaixonado e aprofundado,dado que não está certamente a fazer uma aproximação biográfico-didática do grande Gustav,pode começar e continuar por onde lhe der mais jeito e apetência.Já reparou que as sinfonias que citou são exactamente as que não incluem canto,nem solista nem coral? Talvez seja um critério de conveniência logística,por exemplo. Mas fico com curiosidade,e vou encomendar algo,para comparar com os meus conhecidos.Cumprimentos mahlerianos.

  3. Carlos Vidal diz:

    Muito bem observado, claro. O Gergiev penso estar a fazer disto o seu projecto londrino mais importante. Realmente não sei quando ele chegará à oitava, ou quando esta estará disponível. É de esperar com ansiedade e expectativa. O que poderá aí acontecer? De resto, de acordo, Walter, Klemperer, Bernstein (e Boulez). Parece-me mais fraco o Tennstedt, e juntaria talvez o melhor, ou próximo disso: o Riccardo Chailly (para não falar de Claudio Abbado, o especialista). Saudações também mahlerianas.

  4. joão viegas diz:

    Não percebi patavina do seu post e não sei onde quer chegar. Quem ouve a BBC ja pôde apreciar Gergiev (que é sobejamente conhecido por ser irregular, mas também capaz do melhor) em Malher com a LSO. Eu confesso que tinha um certo receio e que fiquei muito bem impressionado (acho que a que ouvi foi precisamente a 7a, ou tera sido a 6a ?).

    No entanto, à cautela, comprei bilhetes para ouvi-lo com a LSO em … Prokoviev.

  5. Carlos Vidal diz:

    Gergiev é irregular em Mahler, parece-me que sim, ou evidentemente tem-no sido. A integral não terminou (mas já me parece preocupante). Mas não é irregular em Prokofiev, nunca. A não ser que esteja cansado, ou outra coisa. Em Prokofiev, o João Viegas sabe estar seguríssimo.
    Como aprecio muito este russo, a aura e o trabalho, desconheço ainda se a sua integral ficará como referência. Só isso. E como me pareceu que as que ouvi, uma gostei bastante, a outra nada, e ainda como me parece que esta integral – agora – é a mais importante em curso, escrevi este post despretensioso, sem me arrogar de crítico musical (que não sou), nem musicólogo. Apenas aprecio Gergiev e não gostei de uma das partes desta sua integral. Por isso interrogo-me pela qualidade da conclusão do ciclo. E pedi opiniões capazes. Está claro ?

  6. joão viegas diz:

    Claro, muito claro. Eu também me considero um (muito) simples amador e não vou muito à bola com o pretensiosismo de alguns criticos. Apenas não tinha percebido o sentido do seu post (sorry).

    Quanto à integral de Malher, aconselho-o vivamente a estar atento a este site : http://www.bbc.co.uk/radio3/ (se é que não o conhece ja) onde se podem ouvir os concertos gravados pela BBC (nomeadamente os do ciclo Malher/Gergiev). Os programas podem ser ouvidos durante os 8 dias que seguem a sua radiodifusão.

    Quanto a Gergiev, ainda não tive nenhuma oportunidade de o ouvir em concerto. Se bem percebi o que diz, devo preparar-me a passar um bom serão com Prokofiev (com “f”, estou-me sempre a esquecer). Em Malher, fiquei convencido (e mesmo muito bem impressionado) com o que ouvi na radio (a 7a, tenho agora quase a certeza). No entanto ha muitos outros grandes intérpretes de Mahler, mesmo para além dos referidos acima. Este ano assisti a dois concertos memoraveis desse ponto de vista, que ambos me parecem deixar o Gergiev para tras : M. Jansons (com a orqu. da radio da baviera) e D. Zinman (Tonhalle de Zurique), ambos tocaram a 1a sinfonia…

    O que consta por ai acerca do Gergiev é que o problema não esta no talento do homem, indiscutivel e grande, mas na mania que ele tem de aceitar tudo e de fazer 31 coisas ao mesmo tempo em detrimento do tempo necessario para assegurar a qualidade minima. Ao que tenho ouvido dizer, em alguns concertos, a falta de preparação é notoria, e isto é claramente frustrante para quem esta a ouvir.

    Oxala isto não aconteça no concerto a que vou assistir. Mas como se trata de uma das primeiras tournées como Director da LSO, acho que ninguém vai sair desiludido. Eu depois conto…

    Saudações Mahlerianas (e Prokofievanas)

  7. joão viegas diz:

    Tinha escrito um comentário, mas foi-se. Pontos resumidos por ordem de importância

    1. Prokofiev com “f” (você tem razão, estou sempre a esquecer).
    2. Eu é que li mal, mas agora já entendi o que queria dizer.
    3. Os concertos da LSO podem muitas vezes ser ouvidos na BBC 3, inclusive nos 8 dias que seguem a radiodifusão. Se não conhece o site, vá ver e esteja atento.
    4. Eu pessoalmente gostei da 7a (?) que ouvi por Gergiev, embora tenha ficado mais contente com outros intérpretes de Malher (este ano, por exemplo, Jansons e Zinman, para além dos clássicos referidos acima).
    5. Tanto quanto sei, o talento de Gergiev é unanimemente reconhecido. O problema do homem é mais aceitar tudo, o que implica que às vezes aparece sem preparação (o que é um desrespeito do publico).
    6. Por isso escolhi Prokofiev (com “f”) e, se percebo bem, vou ficar satisfeito (no que me diz respeito será a primeira vez, pois ainda nunca ouvi Gergiev em concerto).
    7. Saudações Malherianas e Prokokievanas

  8. Carlos Vidal diz:

    Ah, então agora está tudo claro e ainda bem. Confirme-me apenas se ouviu a sétima ou a sexta. De resto, Prokofiev é seguríssimo nas mãos de Gergiev: quer a integral sinfónica, quer a integral de concertos para piano e orquestra, que suponho que conhece com Alexander Toradze. Na ópera há a “Semyon Kotko” e muitas outras.
    Quanto ao nosso Mahler, se eu tivesse de escolher (e perdoem-me se estou musicalmente errado), escolheria Chailly e Bernstein.
    Cumprimentos melómanos.
    CV

  9. joão viegas diz:

    (Quase) de certeza que foi a 7a. O programa incluia também Schoenberg.

    Quanto a Malher, tem perfeitamente razão e tanto Bernstein como Chailly sobressaem. Para ir mais longe, so sinfonia por sinfonia (ja ouviu a 9a por Barbirolli ? Ou a 2a por Abbado no magnifico disco em Lucerna com La Mer de Debussy ?). O tema é infinito…

  10. Teresa diz:

    Conductor????!!!!

  11. Carlos Vidal diz:

    Caro João Viegas, o tema é infinito com certeza e ainda para bem, para mahlerianos e Chaillianos, etc. Tenho e conheço bem a nona pelo Barbirolli, é uma referência. O Abbado é outro que referi atrás, e chamei-lhe o “especialista”. Mas (desmintam-me se for o caso) não lhe conheço uma integral, ou que a tenha feito com o mesmo agrupamento sinfónico, e que a tenha editado como a integral “Abbado”.
    Teresa, não posso dizer conductor ? É uma brincadeira devido à aura de Gergiev. Mas pronto, emendo: regente de orquestra.

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