Há coisas fantásticas, não há?

O jornal que divulga o inefável sociólogo Alberto Gonçalves está a ficar contagiado com o estilo do arguto comentador. Numa notícia sobre o segundo volume das Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal, apresentadas ontem por Jerónimo de Sousa, com escritos de 1947 a 1964, contendo alguns inéditos documentos e cartas da prisão, o jornalista (o editor?)  acaba assim a prosa supostamente noticiosa: “Com este segundo volume, tornaram-se ontem públicos mais uns metros de fita da célebre “cassete” de Cunhal”.
Independendentemente de se habilitarem a várias cartinhas para o provedor do leitor, alguém tem de explicar aos jornalistas do DN que uma coisa é escrever colunas de opinião e outra escrever notícias. A distinção parece não ser muito frequente por aquelas bandas. Eu, pessoalmente, dispensava, nas notícias, as piadolas cretinas dos estagiários a cargo do sociólogo Gonçalves.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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9 respostas a Há coisas fantásticas, não há?

  1. luis eme diz:

    claro que a frase está completamente fora do contexto, mas também era evitável esta mania que o PCP tem, de transformar sessões públicas, abertas a toda a gente, em comícios…

  2. Esse Alberto Gonçalves não passa de um cretino primário. Triste o jornal que lhe dá voz.

  3. Model 500 diz:

    Muitos já se encarregaram de demonstrar que boa parte das pretensões da objectividade não passava de ideologia – o jornalismo como construção social da realidade. Nesses estudos, a teoria das notícias como espelho, como simples reprodução da realidade é negada.

  4. Model 500,
    O facto de o jornalismo não ser nunca objectivo não quer dizer que o trabalho jornalismo não tenha regras e não busque uma certa objectividade. É a mesma coisa que as ciências sociais, o facto dos cientistas sociais terem pontos de vistas, não quer dizer que não haja um método científico que tente dividir juizos de valor de juizos de facto, como defendia Weber. Afirmações cretinas como se vêem nesta notícia do DN não fazem parte do jornalismo, por muito que o jornalista tenha o direito de pensar com os seus pontos de vista.

  5. Model 500 diz:

    Claro Nuno. O meu comentário era uma pequena provocação. Uma coisa é neutralidade axiológica outra distinta é objectividade. Apesar de ninguém estar isento de valores deve-se contudo ter capacidade de distanciamento face ao objecto, no sentido de procurar objectividade.

    Se não estou enganado era Marx que dizia que uma coisa são juízos de facto outra diferente são os juízos de valor, podendo no entanto estar relacionados.

  6. jorge c. diz:

    Ainda ontem referi outra. Os “zigue-zagues do PSD”, termo escolhido pelo jornalista depois de uma apreciação de sondagens e comentários a essas sondagens, aparece como título.
    O DN tornou-se num jornal menor e de propaganda. Tem um ritmo muito semelhante ao do PM.

  7. Carlos Vidal diz:

    Caro Nuno. Observação pertinente. O Problema passa desde logo por comprar esse jornal, coisa que não o faço, sem saber o que perco diariamente. Mas enfim, se perco, perco (crónicas de F. Câncio e de biotecnólogos, etc, etc). De qualquer forma é a escola “Correio da Manhã”, pior que o original. Não se pode esperar mais.

  8. Antónimo diz:

    gostava era de conseguir identificar o nome d@ tol@ que escreveu isso. R.P.A. é o q, que na ficah técnica não se chega lá?

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