Homens de pouca fé


Como sabemos, a esquerda europeia foi a principal derrotada pela vitória de Obama. Mas andam mais uns quantos perdedores por aí, escondendo o monco caído, procurando cantos escuros onde não se dê muito pela eloquente tristeza. A malta que há uns meses profetizava ao bom Obama epílogos sem glória nem proveito acumulou enganos que agora gostaria de ver atirados para debaixo do tapete mais fundo. O que vale é que não falta gente vigilante que não os deixa safar-se sem mais nem menos.
Por exemplo, o nosso ex-sócio João Pinto e Castro já apanhou um opinador profissional em delito de lesa-Obama: «a notícia da semana» é que Vasco Pulido Valente lá teve de «reconhecer que errou, segundo o próprio, por ter sobrevalorizado o racismo dos americanos.» Só que o futuro ainda há-de provar que «Pulido é o sábio, e Obama o tolo», pois para poder «medir bem» a herança de Bush, «Obama teria que ler estas crónicas ou incluir Pulido no círculo dos seus conselheiros pessoais, uma omissão que não tem desculpa. O cinismo travestido de lucidez pode ter sofrido um rude golpe, mas ainda estrebucha.»
Tanta lucidez justiceira, temperada pelo apropriado grão de ironia, até deslumbra. E devia servir de lição, por exemplo, a quem há meses escrevia que o então pré-candidato Obama só ganhava em eleições por caucus. E «quando chegarmos às eleições a sério» seria «de esperar também nessa altura resultados bem distintos». O vaticínio era preciso e sombrio: «o eleitorado democrático anda a divertir-se à brava, mas o seu candidato corre o risco de repetir, em Novembro, o score de McGovern» (37.5%). Pior: «Em matéria de eleições americanas, eu estou como o Alpedrinha: não tenho nenhuma prova de que McCain derrotará inevitavelmente Obama – mas sei.»

Esperem; mas quem assinou estes obituários antecipados foi alguém de nome… João Pinto e Castro!?

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