A esquerda portuguesa é, sabe-se já, a grande derrotada destas eleições americanas. Antes de mais, porque tem como princípio imutável a crença na estupidez terminal dos americanos: «Se Obama perder é porque os americanos são racistas. Se McCain ganhar é porque o povo americano é estúpido. Se Obama ganhar é porque o povo americano que era estúpido quando elegeu Bush se tornou inteligente.» Pois é. O nosso anti-americanismo primário deixou-nos sem escapatória.
Depois, por muitos foguetes que deitemos, amanhã vamos acordar com a triste realidade de um inquilino da Casa Branca «muito menos “alternativo” do que a esquerda europeia pretende que seja – e será certamente uma desilusão para a esquerda hippie-chique que delira com a figura.» E está visto que «depois de tantas esperanças depositadas em Obama, a desilusão seria muito maior e o clima de pessimismo posterior bastante mais difícil de superar.» Obama opõe-se aos casamentos homossexuais. Obama terá um mandato muito menos multilateralista do que se pensa. Obama é um balão cheio de retórica impossível de concretizar. Obama ainda vai acabar por invadir o Paquistão.
A ideia, já se sabe, é uma só: a esquerda escusa de se animar muito, pois mesmo que a direita pareça ter perdido, ganha na mesma. Conformemos-nos portanto à funesta certeza: «faltam poucas horas para que a esquerda europeia comece a dizer mal de Obama.»
Pelo sim, pelo não, recuso-me a dar-lhes a alegria de terem razão e vou começar já, não daqui a poucas horas: nunca gostei do corte de cabelo de Obama.





Caro LR: penso que tem razão.
Só um cego que não queira mesmo ver é que poderá imaginar um Obama “alternativo”. Mesmo com o apoio vergonhoso dos media que, tal como aqui com Sócrates, irão “esquecer-se” das omissões e das falsas promessas.
Uma coisa é fazer desejar ofertas, outra é cumpri-las. Mesmo com a desculpa da crise, Obama não irá satisfazer mais de 10 % das suas promessas: uma coisa é a propaganda (e ele é exímio nisso), outra coisa é a realidade, a falta de fundos, o congresso e a tradicional inércia para alterações de fundo.
Claro que vai ser mais do mesmo…apenas com mais conversa.
Assim uma espécie de Guterres lá dos states…
Digo eu…
Elbow é uma doença que se cura partindo o espelho lá e casa.
Vamos perder o caraças. Ganhámos! SPOOOOORTING!
(E eu gosto do corte de cabelo do Paulo Bento.)
OK, vamos ver, para começar ele há várias esquerdas, né? Concordo com o efeito mediático, com a tendência em nos entusiasmarmos com um gajo bem falante com laivos progressistas, e no fundo penso que, até certo ponto, cada um vê o que quer.
Até não acho “os americanos todos estupidos”, mas faz sentido pensarmos simplesmente em que tipo de Mundo queremos e que orientação cada um destes candidatos propoe. Basta ouvir muitas das pessoas que o apoiam e que lhe dão voz: O’Rilley, Fox… o radicalismo é imenso e se da Europa as diferenças, vistas do lado esquerdo, podem parecem pequenas (…??), basta ligar a TV nos EUA para ver como são grandes. Concordo com o Rui Tavares qd diz que por mais voltas que se dê à questão, o Mundo não será igual com Obama que com McCain.
A diferença entre os 2 torna-se abismal quando se pensarmos na vice presidencia: fosse quem fosse o vice do Obama, é inanceitável alguem ser candidato com uma vice lunática evangelista que abate lobos de helicóptero.
Será que só isso não basta?!?
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