Bilhetes de Paris

Gosto de passear no Google. Na maior parte das vezes só me perco. Algumas vezes, esqueço-me. Poucas vezes encontro algo de novo. Hoje, tropecei nos Bilhetes de Paris. Confesso que procurava um texto de Badiou -Ninguém é perfeito. Tropecei no Badiou e Zizek. Depois fui lendo o resto do blogue. Deixo-vos este texto da jornalista e blogueira Leneide Duarte-Plon sobre o futebol e política , a propósito da polémica, que sucedeu em frança, devido a  jovens filhos de imigrantes terem vaíado a Marselhesa, no Estádio de França. Leiam.

Michel Platini foi um craque da seleção francesa e hoje é o presidente da União européia de futebol (UEFA). No meio da histeria e da burrice que tomou conta da classe política francesa na semana passada, ele foi uma das vozes mais lúcidas e inteligentes.
A polêmica envolvendo futebol e políticos começou quando a seleção francesa jogou no Stade de France, em Paris, contra a seleção da Tunísia. Antes do jogo, quando uma cantora de origem tunisiana cantava A Marselhesa, o hino nacional foi vaiado por milhares de jovens torcedores. Ora, esses jovens nasceram na França. Mas vaiam o hino nacional.
Não é a primeira vez que A Marselhesa é vaiada. Isso já aconteceu num jogo contra o Marrocos e em outro contra a Argélia. Os três países foram colônias ou protetorados franceses.
Por que jovens descendentes de ex-colonizados vaiam A Marselhesa? Em vez de se fazer essa pergunta, que daria como resposta o fracasso da integração «à la française », Sarkozy, o primeiro-ministro Fillon, a ministra da Saúde e do Esporte e seu secretário de Estado multiplicaram as declarações de horror, espanto e indignação. Chegaram a propor que, numa próxima ocasião, o jogo seja interrompido e o estádio esvaziado. O secretário Laporte sugeriu que nunca mais a seleção francesa jogue contra esses países magrebinos no Stade de France.
O que disse Platini? Em longa entrevista ao “Le Monde” ele denuncia a manipulação política em torno do futebol, «refém da classe política», e critica a idéia de suspender o jogo quando o hino for vaiado. Além disso, pergunta, irônico: «Quando é que vão ter a brilhante idéia de pôr um policial atrás de cada torcedor?»
Ele minimiza o acontecido dizendo que em outras ocasiões esses mesmos jovens cantam o hino nacional quando a França joga contra um país europeu ou durante a Copa do Mundo.
Platini confessa que nunca cantou a Marselhesa antes dos jogos, mesmo achando que é o mais bonito hino nacional do mundo. Para ele, cantar aux armes citoyens antes de um jogo de futebol lhe parecia ir contra o espírito esportivo. «Era um jogo, um esporte, e não uma batalha de uma guerra. Por isso, nunca pude cantar o hino».

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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4 respostas a Bilhetes de Paris

  1. xatoo diz:

    espoliados de todos os credos, uni-vos, a nossa pátria é o mundo

  2. M. Abrantes diz:

    Platini lúcido e inteligente. Uau, alguém trouxe o Champagne?

  3. y tu andas a escrever à pt-brasuca, não é?

  4. nuno castro diz:

    deves é mostrar este textito ao teu amigo Ezequiel, sobretudo a parte sobre o Badiou…e o facto de ser a superstar na América. fenómeno engraçado que replica o velho entusiasmo por Sartre nas terras do tio sam

    é que o Ezequiel parece ser óptima pessoa, tem só este problema de achar que o Badiou é shait (ezequiel dixit)

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