A feira de Carcavelos e a estratégia espanhola

Mal foi empossado primeiro-ministro, José Sócrates anunciou com o entusiasmo conhecido qual seria a prioridade do Governo português: “Espanha, Espanha, Espanha”. Pragmático, meses depois, Sócrates já começava a rodar a prioridade, apontando a agulha para África, mais precisamente para Angola. O que aliás até lhe causou engulhos internos, dentro da sua família socialista. De mão estendida, lá andam os portugueses a mendigar uns negócios e um dirigente do PS já me confessou que se não fosse Angola, “isto estaria bem pior”.
Mas enquanto o Governo português empurra os empresários portugueses ao negócio tipo “feira de Carcavelos”, seguindo aliás, uma sina lusa que já data do séc XVII, a Espanha, a tal que era prioritária, avança em bicos de pés. Mas pés de ouro, como se pode ler:
O secretário de Estado espanhol para as Relações Exteriores, Ângelo Lossada, disse sexta-feira à macauhub em Maputo que a Espanha aumentou o seu apoio à África ao sul do Sahara de 150 para 1190 milhões de euros de 2004 para 2008.
Lossada fez estas declarações à macauhub à margem da cerimónia de encerramento do segundo encontro havido em Maputo entre 24 universidades espanholas e 22 universidades africanas.
“África é agora a nossa prioridade depois da América Latina”, disse o secretário de Estado para as Relações Exteriores espanhol.
Dá para perceber a diferença de estratégia. Desde que Lisboa aposta em África, não me lembro de ter havido um encontro de universidades portuguesas e africanas. Mas sei de muitos encontros, reuniões, discussões de como vender produtos, de como transportá-los em contentores, de como enriquecer rápido e em força. Agora, deixar uma marca e apostar no futuro são coisas para quem sabe e para quem quer.

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