A voz do dono

O que podem ver na peça jornalística acima é quase inacreditável. Mas aconteceu. Há pouco mais de quatro anos, a gerente de um McDonald’s algures no Kentucky recebeu um telefonema de alguém que se anunciou como agente da polícia. Este convenceu a gerente de que uma sua funcionária era suspeita de furtos a clientes. Louise Ogborn, de 18 anos, viu-se assim atirada para um pesadelo que iria durar três horas: as instruções do “polícia” levaram a que ela fosse despida, agredida, humilhada e por fim forçada a um acto sexual com o namorado da gerente. Tudo porque uma voz sem corpo, mas investida do poder da autoridade, deu ordens nesse sentido.
Soube-se depois que este fora apenas o culminar de uma série de dezenas de casos similares, ocorridos ao longo de uma década e tendo sempre como alvo funcionários de cadeias de fast food. Porquê esta preferência? Simplesmente porque tais restaurantes são comandados por hierarquias rígidas e por manuais de conduta inflexíveis e omniscientes: as batatas são fritas x minutos, as mãos lavadas y vezes por hora. Qualquer fuga à rotina prevista deixa os dependentes do manual sem referências, ansiosos por ordens superiores que façam regressar a normalidade o mais depressa possível. Ademais, a conhecida experiência de Milgram já demonstrara que são poucos os que recusam cumprir ordens que fazem sofrer terceiros; a voz do dono fala mais alto do que a da consciência.

Um suspeito de ser o autor desta “partida” foi detido e levado a julgamento, sendo absolvido. A vítima acabou por receber cerca de seis milhões de dólares da McDonald’s.

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10 respostas a A voz do dono

  1. LR, que planeta é esse?

  2. Luis Rainha diz:

    Sei lá eu…

  3. http://wideeyecinema.com/?p=105 Vê este doc.; arranjou o xatoo. Vale. ( No post dele – Monsanto – tens mais Informação.)

  4. O nosso…
    Milgram quando partiu para as suas experiências perguntou a colegas qual a percentagem de sujeitos que iriam até ao fim a cumprir ordens. A resposta unânime foi de 2-3%, que é o número reconhecido de indivíduos que não manifestam sensibilidade ao sofrimento de outros. Os resultados não podiam ser mais conclusivos. E distantes.

    (2% é um número que é alarmantemente alto e merecia reflexão,
    mas isso é outro assunto).

  5. A miúda sim, estaria completamente condicionada.
    Mas tenho as minhas dúvidas quanto à gerente. E o namorado dela, por favor…

  6. rff diz:

    Que história mais insólita…

  7. Surreal… tontos, do primeiro ao último.

  8. Pingback: cinco dias » A experiência do mal

  9. Milu diz:

    Que coisa mais ridícula! Custa muito parar um pouco e… Pensar?

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