Os primeiros 21 milhões destapados

Há notícias verdadeiramente surpreendentes:

Mais de 21 milhões de dólares recebidos por altos responsáveis do regime angolano no caso que envolve o negócio ilícito da venda de armas da Rússia a Angola passaram por bancos portugueses em Lisboa e Almada, revela o jornal Público esta sexta-feira.

A notícia do jornal é baseada no julgamento do caso “angolagate”. Mas calma: é em França e, por enquanto, só estão envolvidas altas figuras da política francesa. Terramotos deste tipo ainda não fazem tremer a Península Ibérica.

Há uns anos, quando UNITA ainda sobrevivia fazendo sangue nas zonas de diamantes (e não só), usava o eixo Centro de Angola-Zaire (hoje RDC) para se abastecer. Os aviões, com sinalização portuguesa no interior, mas propriedade de uma companhia francesa, circulavam durante a noite e protegidos pelas nuvens para não serem detectados. Aterravam em pistas de terra batida, iluminadas por archotes. Obviamente, as viagens eram perigosas e, por cada uma delas, cada membro da tripulação recebia mil dólares. Houve alturas que a circulação dos aviões obedecia a uma rotina, digna de uma rota internacional: partia sempre à mesma hora de Kinshasa com destino ao Andulo. Numa dessas viagens, um dos pilotos contou-me que não havia motivo para grandes aflições: do outro lado, a dita empresa francesa tratava de pagar a generais do MPLA para ficarem quietos.

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2 respostas a Os primeiros 21 milhões destapados

  1. xatoo diz:

    o que é um facto é que os quadros superiores que sobreviveram, quer sejam da Unita ou do Mpla estão todos ricos.
    ainda falta falar do papel dos Israelitas nisto
    quando quiser e/ou souber, camarada Emidio, sou todo ouvidos

  2. Quem lê Angola pelos olhos do Público certamente pensará que os franceses, russo, etc., etc., só “untaram” os do MPLA. E ficamos com a sensação de que só os do MPLA é que violaram o embargo de armas, que então vigorava sobre a antiga jóia da coroa…do Império Português.
    Bem, em abono dos do MPLA, sempre se poderá dizer que eles tinham de fazer pela vida. Caso contrário, assistiriam à marcha triunfal do “Doutor Savimbi” sobre a metrópole luandense, algo que certamente José Manuel Fernandes e cia desejariam que tivesse acontecido.
    Enfim, os do MPLA acabaram por dar desenlace ao longo conflito militar que assolou o país, algo que muito gente pelas nossas bandas ainda não digeriu.

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