Virem lá os holofotes práqui, se faz favor

«Miguel Sousa Tavares abandonou a reunião do executivo municipal onde se discute o alargamento do terminal dos contentores de Alcântara. “Não vim aqui para assistir a uma sessão de propaganda do Porto de Lisboa”, disse aos jornalistas.» Transformando assim, digo eu, o evento numa sessão de propaganda de Miguel Sousa Tavares.

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13 respostas a Virem lá os holofotes práqui, se faz favor

  1. xatoo diz:

    esta acção é pesquisa no terreno para uma nova novela. A ver se o homem sossega:
    já procuraram dentro dos contentores a ver se encontram os originais dos escritos do MST que foram roubados?

  2. Ricardo Santos Pinto diz:

    Como é óbvio, os capangas da Mota-Engil entraram em acção a mando do dono. Apesar da notícia o omitir, chamaram-lhe javardo e disseram-lhe para ir escrever livros para o Porto. Haja respeito, nos comentários e nas atitudes. Por ele e por quem tanto defendeu a liberdade, como os seus pais.

    «Os gestos se escondem
    Ninguém lhe responde
    Solidão vindima
    E não querem vê-lo
    Encontra silêncio
    Que em sombra tornados
    Naquela cidade
    Quanto passo andado
    Encontrou fechadas
    Como vai sozinho
    Desenha as paredes
    Sob as luas verdes
    É brilhante e fria
    Ou por negras ruas
    Por amor da terra
    Onde o medo impera
    Os olhos se fecham
    As bocas se calam
    Quando ele pergunta
    Só insultos colhe
    O rosto lhe viram
    Seu longo combate
    Silêncio daqueles
    Em monstros se tornam
    Tão poucos os homens.»
    (Sophia de Mello Breyner)

  3. Ricardo Santos Pinto diz:

    Pareces achar muito bem que meia dúzia de energúmenos tente agredir alguém, seja quem for, apenas porque tem uma opinião diferente.
    Também pareces achar bem que esse alguém, seja quem for, tenha de sair pelas portas traseiras da Câmara Municipal, por quem foi convidado, escoltado pela polícia até ao seu carro particular.
    Ser convidado para uma discussão pública de um projecto não é igual a ser convidado para uma sessão de propaganda desse mesmo projecto. Foi embora? Eu faria o mesmo!
    Pessoalmente, acho mais estranho que 200 estivadores estivessem naquele local àquela hora. Quem os mandou para lá? Como diz, e muito bem, o Nuno Ramos de Almeida, «quem se mete com a Mota-Engil, leva».

  4. Luis Rainha diz:

    Falta-me ver a relação entre a arruaça lamentável e o abandono da sessão mal o homem da APL começa a falar. O MST não foi impedido de entrar, parece-me.

  5. Ricardo Santos Pinto diz:

    «Sousa Tavares acabou, uma hora depois, por abandonar a reunião pública quando se apercebeu que estava prevista uma apresentação prolongada do projecto de alargamento de Alcântara, a cargo de Manuel Frasquilho, presidente da Associação do Porto de Lisboa (APL)»
    Percebo o abandono da sala uma hora depois do início. Discussão pública e propaganda são coisas diferentes. Eu faria o mesmo.
    A arruça, sim, essa é que é lamentável.

  6. Carlos Fonseca diz:

    Um dos atributos deste Raínha é ser ‘Rei do Disparate’; ou dito de outro modo, é um subserviente conde do reino de capoeira, cego cumpridor de ordens de galinhas daqui e de acolá, patos, perús e coelhos.
    Tudo isto porque, na infância, tropeçou em meia dúzia de pintos, patos e coelhos, ficando com um galo (doido) que ainda hoje lhe canta no meio da testa.
    Não há galinhola, pato, perú e coelho a quem ele não se renda humildemente. Sabe que, caso não obedeça, o despromovem a estivador da Liscont.
    Compreende-se, pois, que seja defensor do dito planfetário: “Lisboa é para lixar, a Liscont para lucrar” – eesta é a bublime proclamação do Raínha convertido a Rei do Disparate, mediante o estatuto de cidadão honorário de ‘A-dos-Coelhos’. Ah! MST, nem ouvir fala dele.

  7. Luis Rainha diz:

    A tirada do «eesta é a bublime» saiu-lhe um pouco arrevesada. Podia antes experimentar «glu-glu», ou lá o que é que os perus fazem. Não ia fazer grande diferença.

  8. Ricardo Santos Pinto diz:

    Carlos Fonseca,

    Não te queixes do Luis Rainha, que pelo menos publica os comentários que nós entendemos por bem fazer.
    Sabes por experiência própria, tal como eu sei, que, até há bem pouco tempo, havia nesta casa quem censurasse os comentários só porque não concordava com eles. Felizmente, foi para outras paragens, mas para fazer exactamente a mesma coisa.
    Houve um «post» que, no que diz respeito à censura, chegou a ser hilariante. Penso que foi sobre o Paulo Pedroso.
    Isso, o Rainha não faz isso. Esse mérito, pelo menos, deves conceder-lhe.

  9. Carlos Fonseca diz:

    Luís Raínha,

    Como se compreenderá, tratou-se uma gralha que rectifico: ‘esta é a sublime …’. E fiquemos por aqui.

    Rodrigo Santos Pinto,

    Estou de acordo quanto aos cortes, até porque fui um dos censurados. A Fernanda Câncio, por exemplo, fê-lo várias vezes.
    Apenas fiquei revoltado com a posição subjectiva do Luís Raínha que colocou o ‘pó’ ao MST acima do interesse de uma cidade. Ainda para mais num processo de duvidosa legalidade, em claro benefício da Mota-Engil e com prejuízo para Lisboa.
    Um interesse público da natureza daquele que se discute sobreleva quaisquer desavenças pessoais. Também quero agora acreditar que as desavenças não sejam acrescidas de simpatiais pelo Rei dos Coelhos e, se assim fôr, libertemos então o Luís Raínha da capoeira.

  10. Luis Rainha diz:

    Carlos,

    Isso da gralha passou-me pela cabeça. Ou era isso ou um aneurisma. Mas o que é que lhe terá passado pela ideia mais, depois de eu ter escrito isto: «tudo aquilo cheira a madeirização da política nacional: a confusão entre o privado e o público, a amizade alcandorada a factor crucial nos negócios, a visão dos concursos públicos como empecilhos a evitar, o desprezo altaneiro pelo que possa ser o interesse público, a utilização do deus Progresso como caução para tudo e mais alguma coisa.» ?

  11. Carlos Fonseca diz:

    Luís Raínha,

    Sou um homem comum. Portanto, erro e tenho dúvidas.

    Palavra de honra que não dei por aquilo que agora escreve. Peço então desculpa.

  12. Luis Rainha diz:

    Não precisa mesmo. Eu também tenho dúvidas; por isso às vezes tenho de prestar atenção aos dois lados.

  13. Ricardo Santos Pinto diz:

    Apoiado, Carlos Fonseca. Luis Rainha para fora da capoeira. E já agora, é Ricardo, não Rodrigo.
    Quanto ao resto, não era na Fernanda Câncio que estava a pensar quando escrevi aquilo. E sei que também foste censurado por mais alguém.

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