Ai é? Ai é?

Parece que hoje é o dia das ameaças descabeladas. Um dirigente de uma dita associação de PMEs veio ameaçar o governo com um crescimento propositado do desemprego, em retaliação contra o aumento do salário mínimo: «O primeiro-ministro tem de ter consciência que temos 43720 contratos de trabalho a termo, o que quer dizer que se continuar a insistir, nós vamos difundir por todos os nossos associados que, à medida que os contratos da termo terminam, não se renovam». Ele vai portanto «difundir» não sei bem o quê e as PMEs, que até só contratavam aqueles 43720 trabalhadores por solidariedade social, vão mandá-los para a rua. Pois, pois.
Os militares também não andam satisfeitos, depois de se verem desconsiderados face a profissões que eles têm por «equivalentes» à sua (eu, que lá gastei ano e meio, nem estou bem a ver o que tal possa ser). Vai daí, Loureiro dos Santos avisa-nos de que andam alguns jovens militares («mais corajosos, destemidos, talvez menos prudentes») com uma azia tal que até poderão fazer «alguns disparates, mas que poderão ter uma certa repercussão pública não só nacional, mas até internacional e portanto ter também efeitos muito negativos para a nossa democracia avançada e madura». Fica dado o confuso recado.
Tenho ideia que Portugal deve ter-se desprendido de Espanha e vogado até à América do Sul enquanto dormíamos; ou então, é a retórica de Chávez que anda a fazer escola.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

8 respostas a Ai é? Ai é?

  1. Luis Rainha,

    Se há muitos sectores a fazer ameaças (não têm outro nome) ao governo é sinal que sentem uma fraqueza no seio do próprio sistema político (e não só quem ocupa o poder actualmente) que o torna permeável a uma “mão pesada”. Por amor de deus haja quem saiba ler os sinais.

  2. Aires diz:

    estava a ver que ninguem comentava

    este “aproveitamento” e “transformação” das “dificuldades” da crise…

    em “oportunidades”…

    triste país este

    onde os corporativismos não tem um fundo minimo que seja de algum patriotismo e solidariedade…

    mandem-nos todos para o Afeganistão, que são voluntarios, que nós, mais velhos, fomos obrigados ir involuntarios, para as colónias…

  3. Rita Pereira diz:

    Como diz o Pedro, atenção aos sinais e aos avisos dos militares!
    Outra revolução de cravos, não haverá, até porque os motivos que levaram a ela já não existem, a guerra de África.
    A motivação agora seria outra, e com o descontentamento geral da população, nem quero pensar ao que levaria uma revolução.

  4. temos 43720 contratos de trabalho a termo

    -Quantos é que o tal sr representará?
    -O perigo de aumento de desemprego existe, porque aliado ao aumento do preço da mão de obra está o agravamento fiscal previsto no Código do Trabalho para a contratação a termo. Mas quem efectivamente necessita, contrata!

  5. M. Abrantes diz:

    Quando se ameaça com o arremesso de pedras, é porque a conversa há muito se entornou.

  6. Não vou qualificar as Ignóbeis declarações do comentador televisivo general (feitas ao estilo de “quem avisa amigo é”), que já colheram o apoio de outros oficiais. Contudo, julgo que se apresenta hoje uma oportunidade histórica para que o papel das forças armadas em Portugal seja submetido a uma profunda revisão e análise face ao actual enquadramento do nosso País no cenário internacional.
    A inspiração pode mesmo vir do outro lado do mundo, mais precisamente da Costa Rica!
    “Costa Rica fue el primer país del mundo en eliminar su ejército con el fin de invertir más recursos en obras sociales, salud y educación, lo que provocó que la nación alcanzara un alto desarrollo humano.”

  7. Pingback: cinco dias » E lá segue o nosso PREC

Os comentários estão fechados.