A graxa fará mal ao cérebro?

Os Repórteres sem Fronteiras emitiram há dias o seu ranking da liberdade de imprensa, escalonando 173 países, da Islândia à Eritreia. Tal classificação vale o que vale; mas facto é que Portugal desceu da 8.ª posição, em 2007, para a actual 16.ª.
O DN noticiou o facto. Até aqui, tudo bem. Mas a ânsia de minimizar danos foi mais forte do que o respeito pela inteligência de quem lê. O redactor lembrou-se de acrescentar esta criativa ressalva: «Na verdade, a 16.ª posição de Portugal em 2008 corresponde a um sexto posto, devido a vários países que estão na mesma posição (ex aequo)». Ou seja, é indiferente que o nosso pais tenha agora merecido uma classificação de 4 pontos, quando anteriormente recebera 2. E nem o facto de 15 países estarem agora à nossa frente impede o jornalista de achar que, bem feitas as contas, até só descemos dois lugares…
Trata-se de uma revelação aritmética fabulosa; se 171 países tivessem ficado empatados, a Coreia do Norte poderia gabar-se de ter ficado em 2.º lugar. Bem, provavelmente até está mesmo a gabar-se disso; só me custa é ler tais distorções utilitárias no que já foi um bom jornal.

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