Praxes merdosas

Eles fazem bicha, de sorriso alarve no rosto, à espera de serem lambuzados com merda. Depois, correm para o início da bicha à espera de mais. Quando a bosta se esgota, ainda uma esperança resta: para o ano podem ser praxados de novo. As praxes da Universidade de Évora são assim. Segundo um cromo da associação de estudantes local, trata-se de «uma manifestação cultural que deve ser respeitada». Assim a modos que como os touros de Barrancos, mas sem touros, só com as bostas. Para o chefe dos supostos coprófilos, «uma praxe bem feita respeita as pessoas, integra, é esse o objectivo». Bem; se calhar o curso em questão tem como objectivo formar assessores políticos. Assim, vão-se logo habituando às agruras da profissão.

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9 respostas a Praxes merdosas

  1. Há que rularizar o que nunca terá nem idéia de universal.

  2. Pedro Sá diz:

    Se são de Agronomia nenhuma outra praxe faria sentido hihi

  3. É um pouco por todo o país que isso sucede. Em Braga, o delírio praxístico até teve honras de bloqueio à comunicação social e teses de urdiduras montadas pelo governo:
    http://avenidacentral.blogspot.com/2008/10/praxe-3.html

  4. emiele diz:

    Eu aprecio é a ideia da «manifestação cultural»!
    Já me têm querido «vender» essa coisa da importância das praxes para a integração dos caloiros na academia etc e tal. Nunca comprei, mesmo quando são brincadeiras completamente inofensivas. Houve um caso ou dois, que se aceitava (os estudantes de medicina que andaram a recolher ofertas de medula óssea, ou os de não sei onde que foram limpar a floresta) mas é sempre uma sujeição a uma autoridade que não entendo que deva existir, só por andar há mais anos por ali…
    Quanto a estes casos, os ‘praxadores’ é que deviam apanhar com a porcaria na cara!

  5. ricardosantospinto diz:

    Se alguém se sujeita a levar com merda na cara, é porque gosta. Ninguém tem culpa disso.

  6. Vanessa Luz diz:

    Meu caro,

    Obrigada pelo seu post e a memória olfactiva que o mesmo imprime. Por causa dele tive o prazer revivalista da praxe na Universidade de Évora. Decerto falo com conhecimento de causa, quer melhor? Um testemunho de quem andou a chafurdar na bosta?

    Começo com um reparo, não leve a mal, mas deve separar dois conceitos distintos, a bosta e a merda.

    Sugiro que encaremos a bosta como um produto orgânico animal, resultado da digestão sabida e vertido gravitacionalmente para onde calha. A merda será então tudo o resto.

    Com o seu post, relembrei um momento merdoso. Aquele em que tentava tomar um banho decente, numa tentativa fortuita de me desenvencilhar dos quilos de bosta que tinha em cima e a minha senhoria castrava-me o uso de água necessário a tal gesto. Já com o aquecedor, no Inverno, era a mesma coisa. Lixado.

    Mas sei que anseia pelos pormenores sórdidos, passemos então ao banho de bosta. Fi-lo voluntariamente e só na bosta perfumada, ou seja, vaca depois de seca, bolinhas de ovelha e de cabra. Na dos suínos nem pensar e felizmente os canídeos não são de interesse zootécnico, imagine só. Não pedi para repetir, fiquei satisfeita com a dose. Também elucidada quanto ao futuro, que não suportava o cheiro animal, que deveria mudar de ramo ou trabalhar num escritório. Neste sentido a praxe foi certeira, cumpriu o seu objectivo.

    Mas também havia praxe com merda, é verdade. Lembro-me de alguns caloiros que passavam dias a limpar o esterco, melhor dizendo, a merda fossilizada na casa dos tais praxadores. Depois de limpa a casa, preparavam o jantar e no fim da noite correspondiam às taras subversivas, já então manifestadas por alguns universitários.

    Gente merdosa e doente, ou apenas complexada, que usa e abusa de um conceito académico para intimidar outros, fracos, fortes, sugestionados ou até mesmo, igualmente merdosos.

    Questione a merda, não a bosta!

    Cumprimentos perfumados

  7. Tárique diz:

    “liberdade sem igualdade é privilégio e injustiça”

    a pressão para a submissão é esmagadora, mesmo que não seja forçada fisicamente

  8. Ricardo Silva diz:

    Caro emiele, posso-lhe dizer que fiz algo parecido com o que descreveu. Nunca fui praxado…e melhor, logos nos 1ºs dias de faculdade quando um praxista/praxador (nao sei o termo, mas para mim pode ser “o palhaço”) me tentou enfiar algo pela cabeça abaixo, quem levou com o dito produto foi ele! É pá…soube mesmo bem! E olhem….estou aqui..acabei o curso há já 6 anos (provavelmente 1º que o palhaço citado anteriormente), e fiz muitas amizades que ainda hoje mantenho! Nunca me praxaram, nunca praxei ninguem.

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