Vacas loucas na alta-finança

Primeiro, o colapso que assolou os instrumentos financeiros apoiados em hipotecas imobiliárias manhosas teria chegado chegado sem aviso. Os CEOs da Moody’s e da Standard & Poor’s (empresas que classificam semelhantes operações com ratings) bem tentaram sacudir o dilúvio do capote: a desgraça fora «unanticipated» e «unprecedented».
Mas a camuflagem já foi levada pelo vendaval: a investigação do Congresso americano revelou trocas de e-mails internos que antecipavam a força da tormenta com a presciência de um Noé financeiro. A minha passagem favorita é «It could be structured by cows and we would rate it», embora a parte do «Let’s hope we are all wealthy and retired by the time this house of cards falters» também não esteja nada má.
Da credibilidade destes ratings depende, em grande parte, o funcionamento transparente e fiável do mercado, pois eles contribuem para diminuir as assimetrias de informação. O que concede às empresas que os atribuem um tremendo poder. E alguma responsabilidade, acrescentaria eu. Mas, como admitiu o CEO da Moody’s «Ratings quality has surprisingly few friends». E o resto já é História.

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