Afastam-se os tubarões, entram as piranhas?

Não me parece tarde de mais para fazer emergir das catacumbas este comentário do nosso leitor Gibel, que aqui chegou para corrigir um meu tiro ao lado:
O mercado, a mão invisível, etc. é pura divagação. É preciso é discutir concretamente o modelo de governação das sociedades cotadas: porque é que se chegou a um ponto em que os accionistas pouco poder têm face aos directores executivos, em suma, pouco têm a dizer sobre os destinos das sociedades de que são donos? (em parte, devido à implementação exagerada de shark repellents destinados a prevenir OPAs hostis da concorrência, que acabam por reduzir para além do razoável o poder dos accionistas); porque é que os conselhos gerais e de supervisão deixaram de representar devidamente os accionistas e de fiscalizarem apertadamente aqueles directores que aprovaram para si próprios as tais remunerações obscenas perante a complacência de quem deveria defender os accionistas?.. an soión. Sinceramente, acredito que muitos destes problemas só serão corrigidos com alguma inteligência jurídica da parte da regulação; certamente não serão corrigidos com planos trilionários à custa do contribuinte, cujos resultados serão incertos e que sinceramente não me convencem. A propósito, o polémico Harold Geneen escreveu em Managing, há mais de trinta anos :«Above the exalted chief executive, if you look closely, is a large, amorphous mass, representing the owners of the corporation, the stockholders, who more often than not far outnumber all the employees. And if you look even more closely, you will see that the mass of owners is connected to the corporate pyramid by an archaic, creaking contraption at the top call the board of directors. (…) The board was elected to act in the place of the owners. The board’s responsibility is to sit in judgment on the management, especially on the performance of the chief executive, and to reward, punish, or replace the management as the board, in its wisdom, sees fit. That is what is supposed to happen. That is what may appear to happen. But it doesn’t. (…) Over the years [boards] have grown so soft and so ineffectual that most often they are a captive of management, rather than effective representatives of the company owners.»

E um adágio célebre do mesmo Geneen: «The worst disease which can afflict executives in their work is not, as popularly supposed, alcoholism; it’s egotism.»

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1 Response to Afastam-se os tubarões, entram as piranhas?

  1. emiele diz:

    Tinha-me passado este comentário.
    Muito bem recuperado, juntamente com a imagem das piranhas.
    É que elas comem vorazmente!

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