, nem a gente janta

Quis oferecer a alguém o Agosto, do Rubem Fonseca, que eu tenho numa edição da D.Quixote. Não há, está esgotado. Então quero a edição brasileira, da Companhia das Letras. Não há, “venda proibida em Portugal”, os direitos são propriedade da D.Quixote. O livro é, portanto, pura e simplesmente impossível de comprar e, logo, de ler, porque a D.Quixote não vende nem deixa vender. Sugestão da empregada de uma livraria: “-Se conhecer alguém que vá passar férias ao Brasil, peça-lhe”. Aliás, porque não ir ao Brasil de propósito para comprar livros?

A distribuição de livros brasileiros em Portugal é péssima, as edições portuguesas de autores brasileiros são raras, não há uma livraria de edições brasileiras decente em Lisboa (para quem ainda avaliar as edições brasileiras de livros publicados originariamente noutras línguas pelas traduções manhosas da MacGraw-Hill dos tempos da faculdade, sugiro uma vista de olhos às edições da Martins Fontes, por exemplo, é o suficiente para mudar de ideias). Enche-se a boca de lusofonia e de política da língua e depois é isto. Salvam-se neste deserto (onde a histórica Livros do Brasil parece ter morrido de indigestão, encostada à palmeira de algum oásis), a Campo das Letras (editora de quase todo o Rubem Fonseca, mas que, por razões que desconheço, se tem esquecido do genial Bufo & Spallanzani) e a Cotovia, que, com as suas edições de brasileiros clássicos e modernos, fez por merecer os nossos parabéns no seu vigésimo aniversário.

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SEXTA | António Figueira
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