A partir de hoje, sou benfiquista na clandestinidade

Pode não haver almoços grátis. Mas barrigadas de riso inteiramente à borla, essas não param de nos chegar à mesa. Como a crónica de hoje de um João Malheiro, no gratuito Destak. Se bem percebi a coisa antes de ficar com a visão toldada pelas lágrimas, o homem está a anunciar o lançamento de um seu livro, algures na Av. da Liberdade, essa «sublime alameda, onde melhor bate o coração da cidade».
Não consigo fazer justiça ao encaracolado da prosa, à arca de Noé lexical que aqui aportou. Fiquem com o miolo da coisa, salvo seja: «Os textos, esses, valem o que valem, mas sempre valem porque valem futebol. Futebol que vale por ser o forro de tudo. De tudo o que, mais ou menos forrado, é do esguardo de todos.
Desfilam ideias, ideais, ideários. Desfilam identidades, idionomias, idílios. Desfila bem-dizer, até bendizer. Sempre que desfila maldizer é para bem-dizer, até bendizer do que a bola tem de mais bem-fadado, mais bem-merecido. De mais genuíno. E bem.
O futebol, escrevi num dia de sincera devoção, é a comitiva que não pára, que não vai parar no século XXI. Segue virtuosa, segue selecta, rejeita a prostituição futebolística. Segue compacta, segue sorrabada, percebe a saudade aflita.
O povo que honra a tribo, ao vê-la passar, põe rosto suplicante, esquece-se de ter medos, de ter outras fomes. Lança-lhe a flor. E a flor vale o amor.»
Contaram-me que o autor entretido em tão gongórica autopromoção já foi director de comunicação do Benfica. Não admira que ninguém entenda o que por ali se passa.

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8 respostas a A partir de hoje, sou benfiquista na clandestinidade

  1. Chico da Tasca diz:

    Na clandestinidade porquê ? Por causa da escrita do Malheiro ?

    Este ao menos não anda pelos bordéis a embrulhar prostitutas em papel de rebuçado para as oferecer de presente aos árbitros.

    E também não anda a papar jantares na Assembleia da Republica em acções de branqueamento promovidas por alguns lacaios que se auto-intitulam de deputados.

  2. me diz:

    «Contaram-me que o autor entretido em tão gongórica autopromoção já foi director de comunicação do Benfica. Não admira que ninguém entenda o que por ali se passa.»

    Esqueceram-se de lhe dizer que, actualmente, é membro de uma “tertúlia” sobre o social light, da SIC (penso). Heim… Assim até se percebe melhor porque é que «Os textos, esses, valem o que valem, mas sempre valem porque valem futebol. Futebol que vale por ser o forro de tudo. De tudo o que, mais ou menos forrado, é do esguardo de todos» – seja lá o que for que isso quer dizer.

  3. Luis Rainha diz:

    Chico,
    Por mim, antes ••••• as ••••• que ••••• o Português…

  4. M. Abrantes diz:

    Um clube que aceita o Malheiro como director de comunicação, merece todos os dilúvios que lhe caiam em cima. Pelos vistos o Altíssimo anda a pensar o mesmo … há praí 20 anos (eh,eh,eh).

  5. cristã diz:

    cada um….o que consegue, não?

  6. JPG diz:

    Acho extremamente injusto que se reduza o gongorismo a semelhante insignificância. Não. Aquilo não é gongórico. É mais carro alegórico, por assim dizer. Uns escritos sobrenutridos de adjectivação, com algo de altamente calórico. Estilo folclórico, em suma. A “Liga dos Últimos” em versão papel ou, como diria o igualmente brilhante Gabriel Alves, um arrazoado catita (iiihhhh oooohhhhh) escrito com o pé que estava mais à mão.

  7. o sátiro diz:

    a aceitação qu esse malheiro tem no social só mostra k tipo d “social” anda nos media.

  8. anticachim diz:

    Razão tem o quim barreiros ! isto e só inveja só INVEJA ,força malheiro da-lhes com o pau ,mais nepia

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