Das filhas da puta


Tal como à Fernanda Câncio, também a mim sempre me fez confusão insultar a mãe de alguém e não a pessoa em questão. No México, por exemplo, insultar a mãe é considerado um insulto pior do que insultar a pessoa. Deve ser característico das sociedades tradicionais com famílias mais matriarcais.
Outro aspecto que me faz muita confusão é, em inglês, não poder aplicar tal insulto a uma mulher. Se eu quiser dizer de uma americana ou inglesa que é uma “filha da puta” em inglês, não posso. Não se aplica. “Son of a bitch” é tão institucionalizado que até as suas iniciais SOB são usadas neste contexto (embora possam em Nova Iorque ter outro significado, por mim frequentado às vezes). “Daughter of a bitch” é coisa que ninguém diz. Será por cavalheirismo? Mas não será esta uma discriminação inaceitável de género? E será por isso que a Fernanda gosta tanto da língua inglesa?

Este artigo foi publicado em cinco dias, Filipe Moura. Bookmark o permalink.

22 respostas a Das filhas da puta

  1. Andre diz:

    o Filipe a frequentar o SOBs. Tens bom gosto, meu!! experimentaste o plato montanhes ? A sanitizacao da linguage, tao cara as-aos feministas, perturba-me as sinapses. nao faz muito sentido.

  2. Pedro diz:

    cavalheirismo? au contraire, my son. Às americanas chama-se bitches, mesmo. Os seus filhos é que são os sons, sem culpa nenhuma, coitados.

  3. André, acho que nunca lá jantei. Lembro-me de caipirinhas a um preço astronómico.

    Pedro, tem razão. Mas em português também se diz “filha da puta” – não se qur ofender a pessoa directamente e ofende-se a mãe, algo mais distante e que nem se conhece. Em inglês, para as mulheres esta opção não existe. Acho isto significativo.

  4. eh ehe em italiano
    tem muita graça o ” filho de uma minhota!”

  5. A utilização dessa expresão (na minha opinião reveladora de má formação, exceptuando se a ofensa for dirigida a um árbitro de futebol) acarreta a compreensão e conhecimento de um destes chavões: “Filho de peixe sabe nadar”, ou “Quem sai aos seus não degenera”.

  6. Pedro diz:

    Os portugueses nunca ofendem directamente ninguém. Repare que cabrão também não atinge directamente o visado, mas a puta da mulher do visado. Somos muito delicados, é o que é.

  7. xatoo diz:

    ora ora são expressões idiomáticas
    filho duma bicha, cara de cu, fuinha filho dum cabrão, (vai lá ver se o teu pai ainda é o mesmo, (alentejanando) etc. No norte a coisa é mais grave: seus azeiteiros do caralho
    bom, este post é uma maravilha para dar ar ao léxico 🙂
    desopila-se o vernáculo e não se ofende ninguém

  8. Luis Moreira diz:

    caros nada disto.Vejam, até se diz,” filho de uma puta fora a mãe que não tem culpa”! O que se quer dizer é que o gajo é tão filho da puta que mesmo tendo uma mãe óptima,ainda assim é filho da puta.Tem tudo a ver com o gajo,nada a ver com a mãe.Grande cabrão!A mesma coisa.Não és mas devias ser. Nada a ver com a mulher. És tão merdas,tão bronco, que só um filho de uma puta ou o filho de um corno é que podia ser como tu és!

  9. “Outro aspecto que me faz muita confusão é, em inglês, não poder aplicar tal insulto a uma mulher. Se eu quiser dizer de uma americana ou inglesa que é uma “filha da puta” em inglês, não posso. Não se aplica”

    Serve-te “you cunt” (*)? É o pior insulto de todos na língua inglesa e tem a vantagem de poder aplicado a homens.

    (*) e não “kunt”, como alguns ignorantes por vezes escrevem.

  10. rosa-que-fuma diz:

    se calhar é em italiano, mignota
    rebuscando, é puta
    mas já nao me lembro em que lingua

  11. Filipe Abrantes diz:

    Ofender (atacar) os pais, os filhos ou a esposa de alguém é algo que fere mais do que atacar o próprio. Isto pelo facto de a maioria das pessoas sentir o dever de proteger quem é da sua família e sentir honra e uma obrigação muitas vezes sofrer para que familiares sofram menos, por exemplo. Nada há de “estranho” ou “confuso” nisto. É natural.

  12. pcarvalho diz:

    A mim não me ofende a minha mãe pelo simples facto de nunca ter sido.Filho de um putanheiro,aí sim,porque era verdade!:)

  13. GL diz:

    “No México, por exemplo, insultar a mãe é considerado um insulto pior do que insultar a pessoa. Deve ser característico das sociedades tradicionais com famílias mais matriarcais.”

    No México? E por cá? Por que país tem andado?
    Acho que não tem a ver com sociedades matriarcais, e sim latinas/católicas. É que Mãe é santa. Deve ser o culto à N. Sra.

  14. rosa que fuma
    é italiano.
    …..
    Uma coisa que enfurece igualmente os homenzinhos é a expressão
    ” dás mau nome à tua mãe!”, mas é assertiva. Ficam logo em sentido meio atarantados à procura de bons modos.
    ……..
    Uma vez, ia numa rua estreita da minha vila, ouvi uma acalorada discussão entre mãe y filha (brasileiras) que davam largas à voz de janelas abertas. Pelo meio uma delas lá bradou ” você me chamou de Santa? só faltava você me chamar de Santa!”… lindo! todos os PT que andavam pela rua não evitaram a gargalhda. ” Esta ouvindo? É só filho de Santa rindo.” Lindo2x. Desconcertante, discussão de brasileiro.

  15. GL, tanto quanto sei no México é pior. No México há mesmo o hábito instituído de insultar a mãe quando se quer ofender (tanto que os outros insultos nem se levam a sério – somente os “à mãe”). Foram mexicanos que mo disseram – lembre-se do filme (mexicano) “E a tua mãe também”.
    Não falei em “sociedades matriarcais”, falei em “famílias matriarcais”, como as tradicionais católicas, sem dúvida.

  16. Tárique diz:

    mas a verdadeiramente belíssima idiossincracia da língua portuguesa no respeitante a esta expressão é poder-se (dever-se) utilizar o qualificativo feminino quando o sujeito é masculino:

    “fulano é um filha da puta!”
    “esses gajos são uns filhas da puta do pior”

    aposto que isto não tem paralelo em nenhuma outra língua (e talvez nem no portugues africano e brasileiro)

  17. Tarique,

    Tem. “Fia da puta” no nordeste, por exemplo. Português do Brasil, pelo menos, segue as mesmas tendências vernaculares…

  18. Tárique diz:

    A verdadeiramente bela idiossincracia da língua portuguesa respeitante a esta expressão é poder-se (dever-se) utilizar o qualificativo feminino quando o sujeito é masculino. exemplo:

    “fulano é um filha da puta”
    “aqueles gajos são uns filhas da puta do pior”

    Melhor, a utilização do artigo definido na contração “da” em vez do expectável e indefinido “de” amplia o grau de insulto: a mãe do sujeito não se limita a praticar a desonrada actividade – fá-lo com tal dedicação e/ou exclusividade que a sua identidade se merge com a da profissão. E é esta fusão tão completa que por vezes se alastra aos membros da sua família – sendo a senhora A puta o seu filho poderá ser UM “filha da puta” ou, sem o ser, ser “filha da puta”.

  19. GL diz:

    “Tem. “Fia da puta” no nordeste, por exemplo. Português do Brasil, pelo menos, segue as mesmas tendências vernaculares…”

    Não é só no nordeste brasileiro. Todo carioca fala “Filha da Puta”, sempre, seja masculino ou feminino. Só se fala “Filho da Puta” quando se enche a boca e se quer dizer que um determinado indivíduo é mesmo um grande Filho da Puta. Se não for com “o” não tem o mesmo efeito. O Filho da Puta é muito mais filho da puta do que um mero filha da puta. Por exemplo, “aquele comentador da TV é um Filho da Puta”… e por aí vai.

  20. AGG diz:

    Aqui no norte dizemos filho da puta, já agora, não entendo o porque desta questão, aqui em cima (mas tb todos sabemos que estamos atrasados “prálem de 20 anos”), ninguém diz filha da puta a uma mulher, a n ser que seja uma mulher a outra, substitui-se pelo mais simples puta ou cabra (igual ao you cunt).

    a explicação mais simples é que um homem ser puta é motivo de orgulho pois é sinal que tem “trabalhado” com muitas, como tal tem de se dizer filho da puta para nós percebermos que é mesmo um insulto….

  21. Ricardo Santos Pinto diz:

    Antes putanheiro do que punheteiro.
    Realmente, há mulheres muito putas. E outras são mesmo filhas da puta!

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