Credibilidade?


O Insurgente interpela o 5Dias: se a falsificação das declarações do patusco director do “Público” agora nos indigna, é estranho não nos termos antes indignado com o relatório da ERC. Ou seja, o facto de não termos engolido a impostura «diz muito sobre a imparcialidade dos comentadores» (depois, logo acorreu a habitual hoste de gafanhotos desvairados, clamando que o pobre JMF «choruu a quando dos iraquianos a destrurem a estátua de Saddam» e que nós ficamos românticos quando há «ataques a civis»).
No que me toca, tenho o álibi perfeito: nem tinha dado pela história, na sua primeira encarnação. Mais: mesmo agora, continuo a ver nas palavras de Sócrates uma insinuação desagradável. Velada e sotto voce, mas ameaçadora: uma «referência ao facto de ter estabelecido uma boa relação com o Eng. Paulo de Azevedo durante o período que durou a OPA» parece-me, a ter mesmo existido, descabida. Não mafiosa, como seria com o acrescento fatal, «vamos ver se isso não se altera», mas, ainda assim, totalmente inapropriada.
Aliás, a partir do momento em que soube que tinham existido pressões governamentais no sentido de abafar a história da licenciatura manhosa, deixei de atribuir qualquer resquício da tal credibilidade ao eng.º Sócrates. Acredito até que, se um dia alguém se dedicar a reconstituir a memória destes tempos lamentáveis, o início do fim do presente governo será atribuído aos dias em que se percebeu que quem nos liderava era afinal um perfeito espelho do seu povo: o bom português dos esquemas, dos favores de amigos, da vitória das aparências dos canudos sobre as realidades esquálidas. A verdade é simples e triste: o nosso primeiro-ministro, depois de afanosamente procurar a forma mais expedita e menos trabalhosa de compor o currículo escolar, ainda teve o topete de mandar esconder a história, mal se viu apanhado.
Importa, no entanto, deixar uma ressalva: falar de “credibilidade” na mesma página em que surge o nome “José Manuel Fernandes” só mesmo como exercício humorístico.

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