Os livros que não temos

O meu filho, estudante do 10.º ano, ainda está à espera de dois livros escolares; ambos da Texto Editora. Se tivermos em conta que muitos livreiros exigiam pagamento antecipado para aceitarem encomendas, imaginaremos facilmente a irritação causada por estes atrasos – para já nem falar no principal, o prejuízo para os miúdos.
No millieu editorial, abundam agora as historietas tragicómicas sobre o grupo Leya: como um afunilamento excessivo em duas ou três gráficas, as que se teriam submetido ao esmagamento de margens ordenado pelo novo titã, que depois foram incapazes de tudo imprimir; como um armazém megalómano onde os livreiros teriam de procurar eles mesmos os títulos desejados. Ignoro se a realidade é tão cómica como a má-língua. Mas certo é que aquele lindo e famoso pavilhão da Feira do Livro não conseguia acomodar os compradores e nem sequer tinha forma de se fechar durante a noite – quanto dinheiro em vendas não terá custado ao grupo?
Os profetas da eficiência economicista podem saber a sua liturgia de trás para a frente; mas cada vez que a aplicam às cegas a mercados que não conhecem, o resultado não anda longe deste.

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2 respostas a Os livros que não temos

  1. Maria João Pires diz:

    Deixa-me aproveitar o teu post para um ataque de fel que tem este imbróglio na base…já tinha escrito sobre isto no outro antro e acrescentava, às críticas ao grupo Leya, o seguinte:

    “Para além de maldizer o grupo Leya já tive que me irritar com alguns senhores professores a quem a falta de bom senso deu para ameaçar que vão marcar faltas aos miúdos que não têm ainda manual. Será que estas singelas alminhas não percebem que não é responsabilidade nem dos putos nem dos pais a não existência de manuais à venda?! Ah!Não preciso acrescentar que ameaças vãs são péssima pedagogia, pois não?”

  2. patti diz:

    Também a minha filha, no 8º ano, está à espera do livro de Inglês e tb ele da Texto.
    Vou pegar no dinheiro que tenho gasto em fotocópias e depois levo aos senhores da Leya.

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