As questões nuculares do debate

Entre o debate e o sono, lá resisti até ao fim. Mas pelo menos já percebi onde tem estado Palin nestes últimos dias: a decorar a colecção de slogans que hoje soletrou sem cessar para as câmaras, com o ar sincero de um vendedor de milagres adelgaçantes na Teleshop. «Vamos pôr o governo no lado dos americanos»; «o meu estado produz energia»; «a culpa disto é da cobiça em Wall Street e em Washington»; «está sempre a apontar o dedo para o passado» (esta saía-lhe mal Biden mencionava uma das desgraças dos últimos 8 anos); «McCain é um maverick»; «eu sou uma outsider».
Palin tem a espessura das folhas de papel que escrutinava sem parar, não fosse esquecer de um daqueles mantras vitais. Mas está longe de ser a «dona-de-casa do Alasca» de Sousa Tavares; trata-se de um animal político versado nas artes da sobrevivência em habitats hostis (fugindo com maior ou menor destreza a questões incómodas), capaz de apelar ao sentimento e de seduzir uma certa América folksy e simples. Mas isso não chega para ser VP e não chegou sequer para Biden.
Uma coisa acertada ela disse: «não vou atribuir todos os comportamentos humanos ao aquecimento global». Aí estamos todos de acordo, presumo. Tal como no facto de a senhora ter muito mais charme a dizer «nucular» vezes sem fim do que o seu mestre Bush.
A sério, a sério, acho que, se dependesse só dos debates, preferiria votar em Biden do que em Obama.

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