A casa da gente
27 de Setembro de 2008 por Luis RainhaNo meio desta história manhosa das casas sociais da CML, há episódios difíceis de tragar. Baptista-Bastos, no “Expresso” de hoje, revela que usufrui de uma destas benesses imobiliárias há 14 anos. Mas o jornalista acha que «não há aqui prendas». «Quando precisei pedi.» E mais nada; nem sequer se sente vagamente compungido a revelar a sua renda – «quanto pago é privado».
Ao que parece, ele sabia ser corrente a atribuição de casas a artistas e jornalistas, pelo que nada o incomoda na sua situação. E olhem que é o mesmo Baptista-Bastos que durante décadas distribuiu vigorosas vergastadas didácticas sobre os lombos do país, dos políticos e da restante cambada de aleijões éticos que por aí pulula. Prosas bravas, fumegantes de superioridade moral, tiradas altivas como «os partidos converteram-se em agências de empregos, desprovidos de ideais morais, com clientelas domesticadas porque as sinecuras e o nepotismo são compensadores.» Pois.
Não sei se ele não percebe mesmo que não deveria, enquanto autonomeada consciência de esquerda da nação, proclamar a normalidade de tudo isto. Ou se apenas faz de conta, aguardando que a poeira assente. Mas defender que a simpática oferta de Sampaio e João Soares, à pala do património camarário, é assunto «privado», isso ainda torna tudo muito mais penoso.

Comentário de Jason Statham
Data: 27 de Setembro de 2008, 14:53
Este caso é simplesmente nojento. Puro nojo.
Pessoas que não precisam a terem casas de borla praticamente. 140e é o preço de um quarto miserável, de 3×3m num bairro antigo em Lisboa. Mas a Senhor Brito pagava isso pela sua casinha na rua Salitre.
N O J E N T O.