A crise terá consequências benéficas?

Se tudo descambar mesmo, dos EUA à Malveira, numa crise de proporções bíblicas, um só efeito agradável permanecerá. Durante para aí 100 anos, não voltaremos a ouvir falar em “liberalismo”.

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30 respostas a A crise terá consequências benéficas?

  1. ezequiel diz:

    é muito provável que tenhas toda a razão, infelizmente.

  2. Justiniano diz:

    O efeito agradável poderá também por termo à sua irremediável mediocridade de espírito!

  3. RAF diz:

    Podes rezar de joelhos, e ler o Antigo Testamento. No dia seguinte ao Fim da História, alguém vai começar a vender qualquer coisa, tudo recomeça do 0.

  4. Luis Rainha diz:

    E no dia a seguir tenho eu aberta a minha banquinha de publicitário…

  5. ezequiel diz:

    depois do que aí vem…uma longa recessão global…o neo-liberalismo económico…devias ter escrito a coisa assim, Luís :)…vai ficar de pantanas!!! na psique pública…a classe política vai pensar 50 vezes antes de defender o neo-liberalismo….

    um outro efeito positivo de tudo isto (se é que há algum) será o seguinte: o intervencionismo vai passar a ser muito mais inteligente e selectivo!!

    Um intervencionismo baseado nas novas infotechs…um intervencionismo rápido e eficiente que não vai por em causa o dinamismo inerente do mercado…espero eu!!

  6. ezequiel diz:

    Ou seja, um intervencionismo Obamaniano.

  7. Nuno Ramos de Almeida diz:

    A parte da Malveira é que me chateia.

  8. Luis Rainha diz:

    Justy,
    Você está quase a aprender a rimar. Não desista.

  9. jcd diz:

    O muro já caiu há 20 anos e ainda não deixámos de ouvir falar de socialismo.

  10. MigPT diz:

    O Rainha provavelmente tem razão. Devido a uma desinformação muito bem montada, muita gente neste momento acha que esta crise surge por causa do mercado não estar regulado (embora nem saimbam que este é um dos mercados mais regulados). Por isso, aqui vai uma receita para criar o efeito que estamos a assistir neste momento:

    Acto 1 – Intervenção estatal

    1933: Como ferramenta do “New Deal”, os bancos de investimento são impedidos de actuar também como bancos comerciais (o que permitiria a estes obterem depósitos).

    Acto 2 – Criação de duas empresas públicas

    1938: Como parte do “New Deal”, o Presidente Roosevelt cria a Fannie Mae e em 1970 o Congresso cria a Freddie Mac. Com as garantias dadas pelo governo federal, estas podem oferecer crédito mais barato, de tal forma que estas dominam o Mercado hipotecário americano.

    Acto 3 – Intervenção estatal

    1989: The O governo Americano decide intervir e paga a financia a 1ª crise do crédito hipotecário conhecido por “savings and loan crisis”. Esta actuação abre um precedente perigoso: Se o sistema assume posições de alto risco no crédito, a cobertura desse risco é dada pelo governo federal.

    Acto 4 – Intervenção estatal

    1995: O CRA (Community Reinvestment Act) é revisto, pelo que os bancos são forçados a dar mais crédito hipotecário a famílias com baixos rendimentos. Em contra-partida são autorizados a criar produtos financeiros com as carteiras deste Crédito (que passa a chamar-se Subprime), que podem vender a outros. Foi pioneiro neste novo mercado o famoso Bear Sterns em 1997.

    Acto 5 – Intervenção Estatal

    2001-2003: Em vez de deixar o mercado libertar-se nos negócios que rebentaram na bolha das dotcom’s e por causa do 9/11, o FED reduz as taxas directoras de 6,5% para 1%. Tudo isto conjugado com a forte expansão da massa monetária, estava criado o caldo para a bolha no imobiliário.

    Aqui estão os factos.
    Agora sim, todos concordamos que este problema surge porque o mercado está muito liberalizado, não haja dúvida.

  11. Luis Rainha diz:

    Não. Aqui estão alguns dos factos. E se tem de ir a 1933 para coleccionar 5 argumentos, não me parece que consiga explicar com toda essa ligeireza uma situação tão complexa. Como bem sabe, falta tanta coisa no seu retrato…

    Mas nem é isso o fundamental agora. O que eu afirmei de forma anedótica é que vai ser precisa muita lata para daqui a uns meses voltar a entoar a cantilena “deixem os mercados em paz”.

  12. ezequiel diz:

    JCD

    e quem é que anda a implementar ou “socialismo”…Jospin? Shroeder…Blair ou Brown????? Quem? Pois é: ninguém.

    e persistem no erro de tratar todas as formas de intervencionismo como “socialismo.”

    resta saber se estas intervenções do estado vão servir para alguma coisa.

    Não sou economista, mas temo que não servirão para coisa alguma!

    vem aí uma tempestade ui ui ui….

  13. jcd diz:

    Claro que tem de ir a 1933. Veja bem que uma das primeiras acções da “nova regulação” para ‘salvar o sistema’ foi justamente abrir a porta aos bancos de investimento para captarem depósitos.

  14. Parece é que estamos face ao apogeu do Libertinismo económico … e que somos todos muito simpáticos e educados … n chamamos as coisas pelos nomes.

  15. MigPT diz:

    Hummmm, parece-me que nem em português o Rainha lá vai. Da próxima talvez com desenhos.
    Qual foi a parte do intervencionismo que não percebeu? foi a imposição de regras, a criação de entidades que trouxeram desequilibrios na oferta ou a obrigação de oferecer a mercados de risco?
    Nada disto, a parte realmente importante para o Rainha foram as datas. está tudo dito.

  16. Justiniano diz:

    Luis!
    A inteligencia dos seus argumentos é inempenhável!
    Já o seu sentido de humor, e as suas características galhofeiras, intrínsecas minguantes, apelam ao chamamento e possibilidade de abraçar a carreira artística circense.
    A sua esperança revelada demonstra o seu elevadíssimo interesse esclarecido, aquele que o determinismo da sua condição permite!
    O liberalismo, que a Constituição da Republica impoe, caso não saiba, não é uma ideia contingente mas sim o suporte civilizacional de um mundo que, aparentemente, o Luis quer, infantilmente, ver ruir!
    Quanto ao resto, lamento mas, estou em crer que não faz a mínima ideia doque se trata!

  17. Luis Rainha diz:

    MigPT,
    Vai desculpar-me, mas você é que nem sequer entendeu um mísero post de duas linhas. O que ali escrevi é que a crise, a ser intensa e prolongada, vai tirar a toda a gente vontade de negar a necessidade ocasional de rectificações e regulações. Nunca escrevi, nem sequer pensei, que o mercado financeiro americano está em perigo por “não estar regulado” – sei que lhe dava jeito que fosse esta a ideia, azar.
    Quanto à sua tentativa de atribuir as culpas precisamente à regulamentação, não à cupidez, nem ao trabalho em roda livre de agentes como os mortgage brokers, nem à assimetria de informação dominante em muitas transacções de produtos financeiros, etc… é apenas superficial e tendenciosa.

    Justiniano,
    Não é pateta pomposo quem quer. É necessário, ao menos, saber escrever as palavritas.

  18. Justiniano diz:

    “O que ali escrevi é que a crise, a ser intensa e prolongada, vai tirar a toda a gente vontade de negar a necessidade ocasional de rectificações e regulações.”
    MigPT!
    É melhor mesmo fazer os desenhos!!

  19. o sátiro diz:

    Quem se fartava de falar em (neo) liberalismo era a esquerda arcaica-saudosa-do-desastre-soviético.
    O Fukuyama também adivinhou o fim da História há 15 anos e enganou-se.
    Pelo exemplo que dão os países de planificação central-Cuba, Norte Coreia,Vietname- que só se aguentam com polícias em cada canto dos bairros, e os cidadãos inquilinos do Estado sem meios para qualquer reclamação( senão vão para as cavernas-prisões), o liberalismo tem obrigatoriamente que ser o futuro.
    Não é por semanas de crise que o Estado todo poderoso toma conta da economia.
    Nãi sei se repararam, mas a economia US ainda funciona; ainda há mercado; as tecnológicas não sofreram quase nada; ainda nem sequer entrou em recessão. Mais facilmente entra a UE. A China nem mostra estatísticas ( nos USA há praticamente todas as semanas);o Putin teve que fechar a Bolsa 2 ou 3 dias: os capitais fugiram e, sem isso e a tecnologia, não tem petróleo e gás para vender e alimentar a máquina de guerra.
    Enfim, a grande depressão durou anos e uma década depois os Yankees ganharam a guerra na Europa e no Pacífico.
    Vá lá a gente perceber isto…

  20. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Luís,
    Francamente, não amofines o pobre do Justiniano. Já o Senhor o defendia, dizendo que o reino dos céus é feito para ele.
    É verdade que ele tem o pequeno problema de não conseguir escrever mais do que um limitado número de palavras. Há quem pense que ele é apenas um gerador automático de expressões desagradáveis. Não estou de acordo: há máquinas que parecem muito mais inteligentes e bastante menos broncas.

  21. anonymouse diz:

    100 anos sem citações multiplas e exaustivas de hayek e referências genu-veneravéis à austria também me parece bem. Claro que o insurgente fechava por falta de assunto.

  22. Justiniano diz:

    Fazem Claque!?
    Infantilidade mediocre!
    Deixo-vos, agora, na vossa epifania, em cerimónia de auto contemplação!

  23. Nik diz:

    A ideia de que as regulações do mercado, nomeadamente através de intervenções estatais, desvirtuam ou falseiam os pretensamente puros e infalíveis mecanismos de mercado é uma ideia falsa, abstrusa e anti-histórica. Os mercados (incluindo os mercados negros) sempre foram regulados (incluindo a tiro). Não existe nem nunca existiu mercado desregulado. Quanto maiores e mais complexos os mercados, maior e mais complexa é a sua regulação. As medidas reguladoras podem ser muito diversas, desde vitalmente importantes até muito nefastas. Legislar sobre emissões de carbono é fazer uma regulação do mercado, zelando interesses vitais da humanidade. Legislar sobre inside trading é regular o mercado, zelando interesses privados e públicos. A intervenção directa do Estado nos mercados (muitas vezes por incapacidade ou incipiência da iniciativa privada) já não é tabu há mais de cem anos.

  24. O que p’ra ‘qui vai…
    O liberalismo de costumes, julgo que Luís se refere ao casamento entre homossexuais não terá, necessariamente, de dar origem a uma crise de proporções bíblicas, cf. com http://portugalgay.pt/religiao/index.asp?id=8.
    Não tenho a certeza se consegui atingir a essência do «post» , causa-me perplexidade como é que se pode ser liberal nos costumes e depois querer um Estado que controle e apascente os cidadãos, impedindo-os de tomar decisões e correr riscos.

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  26. Luís Rainha, minha doida, deixa-me na tua “epifania, em cerimónia de auto contemplação!”, mas, por favor, não engravides.

  27. Luis Rainha diz:

    Pedro,
    Po mim, estou longe de querer um Estado «que controle e apascente os cidadãos». Basta-me um que imponha alguma transparência e justiça no acesso à informação na generalidade dos mercados, impedindo, já agora, os abusos de posição dominante e as cartelizações para que a ganância que nos é endémica tende a empurrar essas paisagens sobre-humanas que são os idealizados Mercados.
    Quanto a isso do casamento, agora sou eu que não entendo; mas olhe que, por mim, pode e deve casar com quem lhe apetecer (se a/o nubente for maior de idade e tiver 2 ou menos patas). Só isso.

  28. MRC diz:

    O mais curioso é que a salvação do liberalismo passe por uma maior intervenção do Estado que é precisamente o oposto a esse mesmo liberalismo.
    Não deixa de ser um facto irónico, sobretudo para todos aqueles que, como Fukuyama, defendiam a ideia da vitória da economia de mercado liberal sobre outras formas de organização económica.

  29. Pingback: Luís ‘Fukuyama’ Rainha « O Insurgente

  30. mf diz:

    Não se irá falar em liberalismo assim como não se irá falar em comunismo. Talvez se discuta uma teoria qualquer em que percebendo que não somos todos iguais ( não somos , mesmo) a diferença será aproveitada , não explorada , e em que todos trabalharão por objectivos. Quem acabar primeiro tem um prémio e vai de férias. Não tem salário maior , entendeu? vai de férias com um premiozito prás gozar. Tão bom ser eficiente 7 meses por ano e dolce far niente outros 5.
    Ou sei lá , haverá quem prefira descansar e fazer ronha no trabalho e dedicar 11 meses ao emprego ( ou equivalente ) e só 1 de férias. Mas isso é lá com eles
    .Eu lutarei pelos meus 5 meses de férias. Estou desejando um sistema económico e relações laborais assim.

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