Tenho como certo que se a actual comunicação social existisse em 1973, estariamos hoje a comemorar o “democrata” Pinochet contra o “totalitário” Allende.
A cobertura do Público da tentativa de golpe de Estado na Bolívia é um exemplo desse tipo de posicionamento manipulador: o correspondente do jornal conseguiu noticiar num dia que a cimeira dos chefes de Estado da América do Sul iam exigir ao presidente Evo Morales que negociasse com a oposição e, no dia seguinte, conseguiu escamotear o apoio desses dignitários ao presidente eleito da Bolívia. Ler esta crise no, insuspeito, El Pais ou no Público é conhecer duas versões dos acontecimentos totalmente opostas. Adivinhem lá quem deve estar a fazer jornalismo?
Mas escola do José Manuel Fernandes e da sua objectividade muito particular tem muitos discípulos. Li hoje na edição online do Jornal de Notícias esta passagem esclarecedora sobre uma alegada tentativa abortada de golpe de Estado na Venezuela: “Com frequência, o presidente Hugo Chávez acusa a oposição de estar a conspirar para o derrubar. A oposição acusa o governo de tentar confundir os venezuelanos e de reactivar denúncias de supostas tentativas de golpes de Estado em épocas eleitorais, neste caso as eleições regionais de 23 de Novembro. Em Abril de 2002 um movimento cívico militar afastou temporariamente o presidente Hugo Chávez do poder”, o sublinhado é meu. É fantástico. O jornalista escamoteia a história recente da Venezuela, disfarça o golpe de Estado de 2002 chamando-lhe “afastamento temporário”, como se fosse isso o pretendido, e classifica os mandantes do golpe, como se de um meritório e benigno “movimento cívico e militar” se tratasse.
Não acredito que os jornalistas sejam pessoas castradas e sem convicções e ideias, mas fazer jornalismo exige um determinado método e uma tentativa de tentar separar juizos de valor de juizos de facto.
Parecem-me igualmente perniciosos, para o jornalismo, aqueles que pretedendem dizer que o jornalismo é totalmente objectivo e os jornalistas os sagrados guardiões da verdade, como aqueles que defendem que o jornalismo é só opinião, e ,como tal, trata-se apenas de cozinhar a notícia de uma forma que o leitor pense que é objectiva e não se aperceba dos temperos de opinião despejados a preceito.




Eu até podia concordar consigo, mas tenho a certeza que se a situação fosse outra este post já não era redigido. Mas lá está, cada um sabe de si e Deus sabe de todos.
Cumprimentos, Nuno.
Como dizem no The Guardian: Comment is free … but facts are sacred. A isso deveria aspirar o jornalismo.
Caríssimo Jorge,
Decide-te: concordas ou não concordas?
Seriamente, em matéria de jornalismo duvido que a minha opinião fosse outra.
“Tenho como certo que se a actual comunicação social existisse em 1973, estariamos hoje a comemorar o “democrata” Pinochet contra o “totalitário” Allende.”
A verdade é que já passaram 35 anos e a comunicação social nem sequer é capaz de transmitir com um mínimo de isenção o que aconteceu à economia chilena durante o período de Allende.
Basta ver a protecção que os jornais dão a Chaves e Morales (grandes democratas, uh uh!) para se perceber que o Nuno está completamente enviesado na leitura do mundo. (Eu também estou, obviamente, mas o enviesamento próprio é sempre melhor consentido que o alheio).
Nada aparece abaixo do ultimo post da Ana Matos Pires. Isto ja’ esta’ assim ha’ algum tempo e ninguem do blogue se parece ter dado conta. E’ so’ problema do meu computador ou e’ problema do template do blogue?
O jornalista escamoteia a história recente da Venezuela, disfarça o golpe de Estado de 2002 chamando-lhe “afastamento temporário”, como se fosse isso o pretendido, e classifica os mandantes do golpe, como se de um meritório e benigno “movimento cívico e militar” se tratasse.(…)”
pois, mas quando aparecem noticias como esta, só vem dar razão ao jornalista no seu posicionamento na analise da situação politica na Venezuela
“Régimen de Hugo Chávez expulsa al director de Human Rights Watch, el chileno José Miguel Vivanco, tras acusarlo de “agredir” a las instituciones después de que divulgara en Caracas un informe crítico sobre la situación de los derechos humanos en Venezuela. Se pudo conocer que fue detenido ayer pasadas las 9 de la noche junto al subdirector de HRW, Daniel Wilkinsony y trasladados hasta el aeropuerto de Maiquetía para que salieran del país.”
http://www.youtube.com/watch?v=busY4UjpCyQ
http://www.marthacolmenares.com/2008/09/19/gobierno-de-chavez-expulsa-al-director-de-human-rigths-watch/
LA-C, a Ana é mestre em espatifar o template do blog e ontem o panorama era o que descreve. Entretanto houve uma alminha simpática q lhe mexeu no post e isto ficou a ver-se bem, pelo menos nos computadores q tenho usado. Se não lhe der muito trabalho confirme de novo se continua com problemas e diga-nos qqr coisa.
Nuno, é evidente que concordo.
Agora, não tenho dúvidas que a reacção nem existiria se estivéssemos a falar de outro tipo de Estados, e aqui Nuno, não me parece que seja só impressão minha, por todo o respeito que tenha por ti. Agora, fica a dúvida, meu caro. eheheheh!
Um abraço.
Por isso é q os media nas mãos dos privados salvaguardam o pluralismo,a liberdade de expressão,patati patatata.
É PROPAGANDA PURA E DURA!!!!E É TOTALITARISMO ESTES ESTAREM NAS MÃOS DOS DETENTORES DO CAPITAL.PURA E SIMPLESMENTE!E AINDA DIZEM QUE NÃO EXISTE LUTA DE CLASSES…
Agora estive a ouvir o gajo,o agente (da CIA,só pode) do Human Rigth Watch sobre o Hugo Chavez e sobre o fecho do canal lixo Magnicida e,fiquei logo a saber qual o tipo de ‘organização’ é que é!
Tem razão, com a queda da URSS o mundo está mais à direita e os media são lixo e,eu não compro nem publicos,nem j noticias nem o diario de noticias.Só o Le Monde Diplo.De resto vou na Internet e,já estou à espera do controle antiterrorista pelos maiores terroristas de sempre-a nomenclatura dos USA
Jorge,
Como tu já percebeste eu tenho opinião e posição política sobre quase tudo (desde as galinhas à fisica quântica), não obstante, sendo jornalista, acho que a profissão tem regras e quando vou fazer uma notícia , é suposto que relate o que vi (com os meus condicionalismos próprios é certo), mas não invente factos para justificarem a minha concepção do mundo.
Tric,
O que tem que ver o cu com as calças. Em 2002 houve um golpe de Estado apoiado pelos EUA para derrubar o presidente eleito Hugo Chávez. Em 2008 o governo de Chávez expulsou a HRW. São factos.
JCD,
O meu enviasamento e o seu são notórios, mas não alteram matéria de facto: Morales foi reconduzido com 67% dos votos, salvo erro, e que existe uma contestação secessionista de determinadas províncias ao seu governo. Este tipo de acção não têm reconhecimento internacional na zona, nem que Rice tussa. Sobre o Chile e o suposto milagre económico, quero-lhe dizer uma coisa: Pinochet era um facínora. Nada justifica o que ele fez.
Para você perceber, vou mudar as coordenadas geopolíticas: o facto da China ter um dos maiores crescimentos económicos do planeta não branqueia a falta de democracia existente. Está de acordo?
Deixe lá Nuno… As falências não são ainda tão profundas, porque ainda dá para manter por esse (este) mundo a máquina bem oleada.
Até á chegada ( partida) do Chavez ainda vai ter que os aturar …
dando de barato que Evo foi eleito com base nos “cocaleros”, creio que a situação não é igual ao Chile: é que os governadores da oposição a Evo também foram eleitos, têm tanta legitimidade como o Presidente. Se o que está em causa é um reforço dos poderes regionais, dentro da Bolívia, a UNASUR nem devia ser chamada ao assunto.
Mas recomendou o diálogo, teve um papel positivo.
o que aconteceu é que a demagogia típica da esquerda tartou de arranjar o alibi do anti americanismo para esconder a evidente incapacidade do EVO- que começou com a expulsão da Repsol, Petrobrás,etc., ficou sem tecnologia para poder exportar, donde baixaram as receitas e o Orçamento e agora não há dinheiro para ninguém: nem Governo central nem Regionais.
Elementar.
O mesmo esteve para acontecer na Venezuela, mas a expulsão não passou de garganta-para bem dos Venezuelanos.
E quanto ao que aconteceu a Allende ainda há muito lixo debaixo do tapete da esquerda, quer totalitária quer democrática…
Embora já haja alguns livritos de ex agentes secretos cubanos, mas, obviamente, escondidos por esse mundo fora, porque a verdade vai doer muito quando for Universal.
MJP, também me apercebi desse post da AMP: a moça é mesmo habilidosa!
Só um pormenor, a notícia é de agência. Portanto, não é só o JN que dissemina essa leitura. Notícias google.
Olá Filinto,
Quando a li na página do JN tinha as iniciais de um jornalista e dizia “com Lusa”.
Não tendo eu assesso ao despacho da Lusa para comparar, responsabilizei quem dava a notícia.