Mau ambiente no Atlântico

Pedro Rolo Duarte decidiu escrever sobre o aquecimento global. O resultado, como seria previsível, não é famoso. Depois de ler uma entrevista do «climatologista norte-americano Patrick Michaels», o cronista percebeu tudo: se não se consegue acertar com a previsão do tempo para o mês que vem, como nos poderemos preocupar com o clima que vamos deixar aos nossos netos? «Qualquer português que leia jornais sabe quão verdadeira é esta ideia.» (a mim, que não consigo acertar no Totobola mas desconfio que o Porto vai ser campeão, um tal raciocínio parece-me bizarro, mas enfim) QED.
O Atlante Henrique Raposo pega neste promissor ponto de partida e dá o salto qualitativo que se impunha: «Os crentes não admitem dúvidas. Um cientista que quer fazer um trabalho honesto sobre esta questão leva com bolos na cara e é olhado de lado pelos colegas “cientistas” que vivem – literalmente – dos rendimentos gerados por este culto religioso.» Tendo em vista que o tal Patrick Michaels é assumidamente subsidiado pela indústria petrolífera e negócios afins, vê-se bem a ideia que Henrique Raposo faz de um cientista «honesto». E consolida-se uma imagem: de um lado está a maioria da comunidade científica com interesses nesta área, no outro sobretudo malta com interesses.
Por mim gostava mesmo é que um destes opositores à “religião” do aquecimento global apresentasse um modelo cientificamente aceitável em que a atmosfera e o clima conseguem lidar sem sobressaltos com toda a porcaria que hoje em dia mandamos para o ar. Até lá, bem que podiam evitar misturar temas importantes com ideologia e patrocínios comprometedores.

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25 Responses to Mau ambiente no Atlântico

  1. “Les bons esprits…”

    ou, em versão tradicional (e musical) portuguesa,

    “(…) tu: a panela ao lume e o arroz tá cru!”

  2. Luís Lavoura says:

    Não percebo porque dedica o Luís Rainha tanto espaço a criticar Henrique Raposo, que, infelizmente, é um homem deveras pouco inteligente, com cujas opiniões e escritos não vale portanto a pena perder muito tempo.

    Entre os adversários políticos do Luís Rainha há pessoas bem mais inteligentes, a quem ele deveria dedicar mais atenção, em vez de a desperdiçar com Henrique Raposo.

  3. A temperatura da água – gelada – da minha praia já não é a mesma. Fantástico!!! Confesso que estou contente. Bizarro: o Agosto mais frio de sempre … não bate certo… e a água morna … Isto é mesmo para andar desconfiado … ual das quatro estações vai perder nesta dança da cadeira do Clima? Huuuuuummm Eu, cá não gosto nada do Outono!! Já agora: podíamos fazer um escrutínio global. Já que isto está a mudar mesmo, então que haja democracia.
    PS.: O ar do campo deixa sequelas ;) Excesso de oxigénio em estado puro tem mais efeito que charro fumado na cidade…

  4. j says:

    Não sabia que Pedro Rolo Duarte escreve sobre “termómetros”.
    Ainda bem que avisou… escuso de lá “ir ao engano”.

  5. Luis Moreira says:

    O Busch a dizer que não subscrevia o acordo de Quioto e na semana seguinte o Katrina a entrar-lhe pelo quintal.O Homem só reagiu uma semana depois e graças a antidepressivos!

  6. Model500 says:

    De certa forma este post mistura aquecimento global com poluição. Mas, atenção, são questões distintas. O combate à poluição está fora de questão. Ninguém contesta à sua utilidade. O problema é o “combate ao aquecimento global” que está muito longe de ser pacifico. Quer se queira, quer não. E, a verdade é que esse combate pode retardar a urgente missão de tirar a parte da população que vive na miséria.

  7. Model500 says:

    Obviamente que por detrás dos que desdenham do aquecimento global moram interesses das grandes petrolíferas. Mas do outro lado tb há interesses materialistas. Menores, é certo, mas há.

    Ps: O Henrique Raposo é de facto pouco estimulante. Intelectualmente falando, claro.

  8. Depois de ter visto o filme de Al Gore fiquei com a ideia que o aquecimento global era indiscutível. Li no entanto este verão o romance do Michael Crichton que embora não me tenha feito mudar de opinião certamente me vai fazer ler algumas coisas mais. Sim eu sei que é um romance … mas as referências e os argumentos são reais. A minha formação em ciências faz-me manter sempre as hipóteses experimentais em aberto … vou investigar!

  9. Luis Moreira says:

    Ontem falei com uma atleta que esteve em Pequim.Ela diz que a poluição é coisa que não se imagina.Quando lhe perguntei se seria algo como a Av. da Liberdade, ela olhou para mim com espanto a dizer-me, “o sol não se vê em Pequim, a falta de salubridade é um nojo, a alimentação nem um caraguejo passava na ASAE,quando chove a água é de uma cor que eu nunca tinha visto…! Não são precisas experiências cá no burgo basta ir a Pequim !

  10. MigPT says:

    Vamos fazer um exercício simples. Imaginem que eu convidava um conjunto de cientistas, para estudarem se há ou não evidências cientificas sobre o aquecimento global. Imaginem ainda que conseguia reunir fundos imensos para fazer esse estudo, aos quais esses mesmos cientistas nunca teriam acesso de outra forma.
    Imaginem agora que esses cientistas chegavam à conclusão que não existe evidência cientifica sobre o aquecimento global antropogénico. O que aconteceria aos fundos disponibilizados. Ponham-se no lugar desses cientistas e pensem um bocadinho.
    Para ficar um bocadinho mais informado leia este óptimo blog http://mitos-climaticos.blogspot.com/ eu sei que tem muitos dados estatísticos, o que é bem mais aborrecido do que ver os power-points do Al Gore com os seus ursinhos.

  11. Marta Rebelo says:

    Ó Luís Rainha, a espécie-de-magazine-entrincheirada com o Henrique Raposo e com o Atlântico, I get it… Mas essa implicação tão cíclica com o Pedro Rolo Duarte já me passa ao lado o porquê.
    Sim, bem sei que até eu, que não amiúde aqui escrevo – quero eu dizer, co-blogo no 5 Dias – já levei a minha taluda. Deve ser do aquecimento global e das alterações climáticas tão constantes…

  12. Luis Rainha says:

    A bem da verdade, nem conheço o senhor, que até poderá ser pessoa estimável. Não gosto nem da prosa, nem do estilo. E não gostei mesmo nada de um episódio que ele teve com o José Mário Silva, na altura a trabalhar sob a sua alçada no DN. Embirrações irrelevantes, ao fim e ao cabo.

  13. Luis Rainha says:

    MigPT,
    Insisto: apresente-me um modelo convincente em que podemos lançar para a atmosfera tudo o que quisermos, sem causar mossa ao clima.
    E, em termos de cientistas, o que eu vejo mesmo são espertalhões como este Michaels a fazer o que você vê no outro campo: nunca publicou nada de relevante sobre climatologia mas ganha dinheiro de várias proveniências a acalmar os receosos… fazendo de caminho um favorzito às petrolíferas que o financiam.

  14. MigPT says:

    Caro Luís, também eu estou até hoje à espera de um modelo convincente que me demonstre: 1º que o aquecimento global é uma realidade. 2º que a existir ele tem origem antropogénica.
    PS: não vale dogmatismos.
    Quanto a climatologistas que afirmam categoricamente que as conclusões do IPCC são duvidosas do ponto de vista cientifico, podia-lhe apresentar mais de 100 nomes consagrados da climatologia, mas só lhe apresento um nome: Prof. Marcel Leroux (para não perder tempo no wikipedia posso-lhe dizer que existem duas épocas na climatologias moderna, antes e depois de Marcel Leroux). Quanto ao problema da poluição, está a misturar alhos com bugalhos. O que eu afirmo é que estão a ser desviados fundos importantíssimos para o combate da poluição e para o desenvolvimento sustentável de populações, para uma farsa assente em dogmas.

  15. LR says:

    Não brinquemos com coisas sérias. Sendo o clima um sistema tão complexo, provavelmente só existirá prova insofismável depois de os danos serem irrecuperáveis. O princípio da prudência mandaria que as enormes quantidades de químicos que disseminamos para a atmosfera estivessem sob atento escrutínio, não devendo ser acrescidas ou sequer mantidas sem a certeza de que são inócuas.
    Quanto ao número de climatologistas, sabe bem que essa batalha já a perdeu. Não há unanimidade mas a comunidade científica anda a aproximar-se de um consenso significativo.

    Mas folgo em ver que já actualizou o seu Lomborg. Essa dos “fundos” é bem achada…

  16. Caro Luís Rainha: acho que perde demasiado tempo comigo. A sério. Eu sou um tipo irrelevante que tem um blog. Escrevo para mim, para a família e os amigos. E tudo não passa de prosa quotidiana sem história nem ciência. Menos ainda religião. O Luís, que é um tipo importante, e tem certamente muito que fazer, pode pensar neste conselho: mude de irritação. Afinal, devemos escolher os nossos inimigos e as nossas embirrações com critério e rigor – porque elas dizem muito sobre nós…

  17. Não se preocupe, Pedro, ele já mudou de irritação.

  18. Luis Rainha says:

    Pedro,
    Não se subestime. Caramba, tem o seu blog, eu e mais uns quantos até o lemos e, imagine-se, acontece o normal na blogosfera: uns gostam, outros não. Uns criticam, outros louvam.
    Isto não é perder tempo (sei que achava há uns anos que os blogues só faziam perder tempo, sobretudo aos madraços dos seus subordinados) é sim diversão ocasional. Nada de mais. Eu deixo-o escrever à vontade, você deixa-me divertir-me um pouco. Que tal?

  19. Alguém um dia tem que explicar calmamente às pessoas que os cientistas, em geral, como as pessoas em geral, têm interesses. Atrevia-me até a dizer que a ciência teria muito pouco interesse se quem a faz não tivesse interesses. Um cientista honesto diz aquilo que crê ser verdade e não se tolhe por causa de olhares de lado, c’est tout.

  20. f. says:

    eu diria que uma das principais funções da blogosfera é servir para aprimorar — senão criar — embirrações de estimação (senão, qual seria a graça?). susceptíveis, s’abstenir.

  21. Sandra Guimaraes says:

    O que é que Voçe tem contra o SR: Pedro Rolo Duarte?…… ja sei, espere…………………… gostaria de saber escrever tao bem como ele, certo? certoooooooo

    O senhor quando for criticar seja quem for, por favor , olhe por si em primeiro lugar!

    nao ha paciencia …..

  22. Luis Rainha says:

    Mas claro, Sandra. O meu sonho sempre foi escrever o “Sozinho em casa”. Nem imagina a minha neura quando descobri que já alguém o tinha feito!
    http://esplanar.blogspot.com/2004/08/pedro-rolo-duarte-volpia-do.html

  23. Luis Rainha says:

    Você é que me topa bem, Sandra. O meu sonho sempre foi escrever uma obra-prima como o “Sozinho em Casa”. Mas esses píncaros não são para qualquer um.

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