Políticos assim já temos; só nos faltam jornalistas assim


Ao que parece, John McCain desmarcou uma entrevista com Larry King porque a CNN ousou pôr uma jornalista a sério a dialogar com um porta-voz da campanha republicana. Apertado com questões relativas à possível contradição entre a denúncia da inexperiência de Obama e o currículo da mulher que pode ter de substituir McCain, o spin doctor meteu os pés pelas mãos, sempre acossado pela jornalista. O vídeo da coisa quase que faz pena. Mas faz alguma inveja também.

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20 respostas a Políticos assim já temos; só nos faltam jornalistas assim

  1. ezequiel diz:

    NICE! 🙂 🙂 🙂

  2. Ibn Erriq diz:

    Exactamente! Um pergunta que me faço há anos é porque é que o jornalistas portugueses não apertam com os políticos nas entrevistas! Até parece que seguem um guião previamente combinado 😉

  3. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Parecido com ela, só o Mário Crespo

  4. Luis Rainha diz:

    Esse é bem mais giro. Ainda há diass o ouvi, todo ufano, a gabar-se de um livro que o Álvaro Cunhal lhe oferecera “ainda em vida”. Não estou mesmo a ver porque lhe deixaria o senhor algo em testamento (isto para nem mencionar hipóteses mais fantasmagóricas)…

  5. Luis Moreira diz:

    Parecido é como quem diz.Mas o Mário Crespo parece-me um tipo pasmado, com a sua própria pessoa. É como se o Cristiano Ronaldo alem de marcar golos tivesse de os marcar de calcanhar.

  6. Lutz diz:

    Não acho de todo desejável ter jornalistas que insistem, como esta, nos primeiros três minutos da entrevista, na questão da filha grávida. Alguém se lembraria fazer esta pergunta, se não devia dar prioridade à privacidade da filha nesta “fase difícil da sua vida”, em vez de se meter na campanha política, a um homem?

  7. Luis Rainha diz:

    Não me parece que tenha sido essa a pergunta. Teve mais a ver com “um processo incrivelmente difícil” para a filha, ao ser atirada neste momento da sua vida, para as luzes dos media. Não é sequer sugerido que a senhora deveria largar a campanha.

  8. manuela diz:

    De vez em quando um jornalista ou outro surpreende-nos. Em Julho vi uma entrevista à ministra da Educação e a entrevistadora (da qual não me lembro o nome) apertou-a tanto que sua excelência ameaçou levantar-se e sair.

    Esta picareta falante do porta-voz do McCain joga num outro tabuleiro. Independentemente das várias reformulações da pergunta, o rosário de palavras mantém-se inalterado.

  9. Filipe diz:

    Quando é que Palin dá uma entrevista a alguém (que não à People)? Uma entrevista a sério. Obama foi à FOX. Foi entrevistado por Bill O’Reilly, o entrevistador mais conservador e cão de ataque da televisão americana. Entrevista mais difícil para Obama não podia haver. E foi tremenda, mas consta que Obama não morreu com ela.

    Podem ver a primeira das quatro partes da mesma aqui: http://uk.youtube.com/watch?v=eJWqNRVbxgQ

    Reparem na agressividade do entrevistador e comparem com a Campbell Brown na entrevista deste post. O’Reilly faz Campbell Brown (que fez as óbvias perguntas sobre Palin) parecer uma menina de coro.

    Já Palin não dá entrevista a ninguém. A campanha de McCain não acha adequado. Gostava que alguém, com 1/10 da agressividade do O’Reilly, a entrevistasse. 1/100 da agressividade de O’Reilly.

    “(…) O’Reilly at least gave Obama props for that. In typical O’Reillian fashion, the host had two analysts on immediately after the segment, essentially to assess how well he had interviewed Obama (verdict: great!), and O’Reilly praised him for coming onto the show. “He’s a tough guy, Obama … I looked at him eye to eye — he’s not a wimpy guy.” “

  10. Filipe diz:

    Isto é ridículo:
    http://www.youtube.com/watch?v=2AV_54517R8

    Vão estar duas semanas a preparar Palin. Esta mulher está em vias de ser a 2ª pessoa mais poderosa do mundo, mas por ora precisa de 2 semanas para estudar o que tem para estudar – tudo aquilo sobre o que não tem opinião nem sabe qual a opinião de McCain. Demonstra a seriedade da escolha de McCain por Palin.

  11. PDuarte diz:

    pois, mas pergunto eu, como se chama o candidato a vice do Obama?

  12. Filipe diz:

    “pois, mas pergunto eu, como se chama o candidato a vice do Obama?”

    Vou dar de barato que não liga muito a isto (perfeitamente legítimo). É este senhor:

    http://www.youtube.com/watch?v=955Y3NJTRIE&e

    http://www.youtube.com/watch?v=mPOAKXBi9Pw&feature=related

    http://www.youtube.com/watch?v=v1op8vwF5UA

    Não consta que se esconda dos mauzões da imprensa. Nem consta que esteja metido num bunker a aprender a matéria como a “nova Margaret Tatcher”, ou a “nova estrela do partido republicano”.

  13. GL diz:

    Caro Luís Rainha e Ibn Erriq.

    Por acaso discordo e acho que ambos estão redondamente equivocados ou esquecidos. Eu estou farto de ver jornalistas a apertar com os políticos exactamente ou pior do que esta senhora. O problema é que só vejo apertarem assim com os políticos do PS. Lembro mesmo de uma entrevista de Sócrates a Costança Cunha e Sá nos últimos dias de campanha que foi de embrulhar o estómago. Nunca havia visto um apertanço tão grande a um político na TV Portuguesa. O que vale é que Sócrates quando quer sabe ser uma máquina de responder altamente eficiente, fria e articulada. Aliás, tenho visto o PM aos poucos inaugurar um estilo em Portugal que há muito era necessário: Sócrates não permite que lhe cortem a meio, como é comum os jornalistas fazerem por cá com os políticos. Uma vergonha, pensam que estão a ser bons jornalistas, estão a ser é mal-criados. Quase todos os ministros estão a copiar Sócrates e quando interrompidos não permitem a interrupção e insistem em terminar de responder o raciocínio. Os nossos jornalistas têm de perceber que não têm de responder pelo entrevistado a resposta que querem ouvir… fazem ás vezes figuras ridículas. E só conseguem obter o efeito contrário.
    Pior que os nossos jornalistas, só mesmo os professores.

  14. activia diz:

    simples
    os jornalistas em portugal nao sao recrutados como nos eua.
    as cunhas afastam a qualidade.
    e mais
    a qualidade nas perguntas afasta potenciais investidores.
    submissao.

  15. gabriela diz:

    “Não me parece que tenha sido essa a pergunta. Teve mais a ver com “um processo incrivelmente difícil” para a filha, ao ser atirada neste momento da sua vida, para as luzes dos media. Não é sequer sugerido que a senhora deveria largar a campanha.”

    Depois da nota introdutória a pergunta é: “Why her mother would have subjected her to this kind of scrutiny by accepting this high profile position?”

    Ou seja, porque é que a mãe a colocou nas luzes dos media ao aceitar esta posição?

    A jornalista torna a acentuar esta ideia mais tarde, dizendo:
    you do risk putting her through an incredible difficult process by accepting this job if you are her mother, you cant deny that, right?

    É mais que sugerido, é demarcado.

    A única linha respeitável de questionário a seguir neste âmbito, que tem sido levantado em vários jornais americanos, é o da nota de imprensa provinda dos responsáveis de campanha em nome de Sarah Palin e família pedindo respeito por uma decisão familiar, quando Sarah Palin com as suas ideias anti-aborto, excepto quando a vida da mãe está em perigo, está a negar o mesmo tipo de decisão a outras famílias. Ela também é anti-educação-sexual-nas-escolas e anti-sistemas-de-disponibilização de métodos contraceptivos.

    As contradições em que a plataforma republicana se colocou ao convidar Palin para candidata a vice-presidente são tão óbvias que não é preciso ser brilhante ou especialmente estudioso para fazer o que esta jornalista fez. Basta ser teimoso.

    Enquanto os nossos políticos não começarem a levar a família toda em campanha e ainda conseguirem mentir de forma menos gritante, ainda não temos os mesmos políticos. Os jornalistas infelizmente começam a aprender com os do lado de lá. Como é que foi aquela de quererem saber para onde o Sócrates foi de férias?

  16. Luis Rainha diz:

    Gabriela,
    Se calhar tem mesmo razão, não consigo agora rever o vídeo de novo. Mas não podemos esquecer que foi a própria campanha a usar a miúda como poster-girl, de irmãozinho ao colo e tudo.
    Agora, não sei se terá mesmo razão: fosse antes um Mr. Palin, também 110% dedicado aos family values, não lhe fariam o mesmo tipo de perguntas?

  17. gabriela diz:

    Não penso que fariam aquela pergunta que eu transcrevi.

    Nos EUA, pelo que eu se vê, os presidenciáveis vêm com as famílias como colaterais. As esposas e maridos e os filhos vêm de carrego. A Sra Obama, a Sra McCain, a Sra Bush e Sr Clinton são figuras proeminentes. Uma americana com quem falei dizia que Obama nunca escolheria a Hillary Clinton para vice-presidente porque teria de se haver com o Bill Clinton. Por isto, um presidenciável não pode ser solteiro e não heterossexual.

    Aflige-me que a mesma norma possa ser trazida para a Europa. Isto depende muito dos limites que os políticos traçam e por isso me desgosta extremamente o que Sarkozy armou com o seu último casamento.

  18. Luis Rainha diz:

    Ah; mas os franceses gozam de uma licença especial para a sua flamboyance

  19. Clara diz:

    Luis, “pena” é coisa de galinhas e patos e cisnes e passarinhos.
    Gostei de ver o gajo deglutir, como qualquer galinha, pato, cisne ou passarinho … bem-feito!

  20. Gabriela diz:

    Ah, mas o busílis da questao nao é quao flamboyant um politico é, mas convidar a imprensa a mexericar sobre a sua vida, esperando talvez com isso desvia-los do que é importante.

    Felizmente, o eleitorado frances ainda nao é como o americano.

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