Já não há cu

O Público já vai, salvo erro, na terceira “notícia” sobre a “misteriosa” gravidez da ministra francesa, o Expresso resolveu também noticiar o candente assunto. Francamente, depois dizem mal da revista Maria. Qual é o interesse político e noticioso da gravidez da senhora?
Confesso que estou farto das questões de moral na política. É, para mim, claro que a correcta política é aquela que separa a moral das pessoas das imposições do Estado e das proclamadas “maiorias morais”.
Acho cretino alguém fazer argumentário político acerca da gravidez da filha adolescente da candidata republicana. Estou-me nas tintas que a criatura, em questão, seja casada, divorciada , queira abortar ou não. Isso é um problema dela – Por mim, ela até pode cantar salmos à criancinha e oferecer um RPG-7 como prenda de baptismo.
Nas eleições dos EUA é importante que mulheres e negros sejam candidatos, porque isso demonstra que determinados impedimentos sociais estão a perder força. Mas uma mulher candidata ou um homem negro na presidência não são a garantia, à partida, de um poder melhor. Há um efeito simbólico importante, com repercursões sociais, se um negro ou uma mulher forem eleitos para os mais altos cargos dos EUA, mas isso não é tudo. A governadora do Alasca é uma péssima vice-presidente porque a sua eleição vai significar a manutenção das políticas económicas que aumentam as desigualdades, o reforço da política das canhoneiras no terreno internacional e o continuar da política de negação dos impactos catastróficos do aquecimento global. O senador Obama só será um bom candidato se mudar este rumo. Não há nenhuma garantia que o faça. Apenas esperança.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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