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estado de histeria

29 Agosto 2008 | por Fernanda Câncio

Todos os dias das últimas semanas fomos assaltados por notícias de assaltos. Como se quisessem certificar que, ao contrário do que tantos haviam festivamente predito, a morte do assaltante no BES de Campolide às balas dos snipers da PSP não fora “dissuasora” e o País não ficara “mais seguro”, os ladrões do país decidiram não tirar férias em Agosto e fazer da arma de fogo um utensílio habitual. Houve até um caso com utilização de explosivos, à Hollywood.

Como em Março (lembram-se?) se falara de “uma onda de homicídios”, agora fala-se de “onda de crime violentos”. E se é certo que a sequência não foi inventada pelas TV para animar a silly season, ocorrências que antes não mereceriam mais que um rodapé passaram a, por efeito de arrasto, ter uma repercussão mediática desproporcionada. Em consonância, a classe política e a magistratura da nação vieram confirmar uma espécie de estado de sítio, da exigência da demissão do ministro da tutela feita pelo PSD ao anúncio das reflexões do procurador sobre o assunto, a culminar numa intervenção do secretário de Estado da Administração Interna a propósito da possibilidade de alterar o Código de Processo Penal (possibilidade negada ontem pelo Governo) e na preocupação pública do Presidente (a exigir “medidas adequadas”).

As estatísticas dizem que houve, nos primeiros seis meses de 2008, um aumento de 10% nos crimes violentos, com relevo para os assaltos a bancos e bombas de gasolina e o carjacking (estes últimos tinham, de resto, sofrido um acréscimo já em 2007, apesar da diminuição global de 10,5% no crime violento face aos 24 155 casos de 2006). E que o mais violento dos crimes - o homicídio - teve uma descida sustentada de 68,2% entre 1994 e 2007. Uma descida que é comum à generalidade dos países da Europa Ocidental e coexiste com um aumento moderado do crime violento. Ou seja, a violência contra pessoas aumenta, mas a sua gravidade diminui. Este paradoxo deve levar-nos a reflectir sobre as tendências da criminalidade - não calculadas semana a semana ou ano a ano mas em décadas -, assim como sobre a relação entre a percepção e o sentimento da insegurança. E fazer-nos olhar à volta. Na análise da criminalidade do Eurostat de 1995 a 2006, a Bélgica (com o mesmo número de habitantes que Portugal) tem uma taxa de homicídio superior à portuguesa e uma taxa de roubo semelhante, mas um nível de crime violento que é o quíntuplo. A Áustria, com nove milhões, tem um número muito inferior de roubos (5095 para os nossos 20 mil), mas que têm vindo a aumentar a uma taxa (8%) que é quase o dobro da portuguesa.

Não estamos sozinhos no mundo. Convém lembrá-lo. Como convém que as análises que se querem sérias não evidenciem o mais raso populismo e a mais confrangedora tentativa de ganhar pontos no concurso da popularidade. Exigir a demissão de Rui Pereira em 2008 por causa do crime violento é aclamar a gestão de António Costa em 2007, quando o crime violento baixou? É isso que o PSD quer? Culpar, sem provas, o novo Código de Processo Penal é mera má-fé; confundir eficácia policial com licença indiscriminada para disparar é acrescentar crime ao crime. Quanto à necessidade de “medidas adequadas”, bom. Como é que ainda ninguém se tinha lembrado disso?

(publicado hoje no dn)

Comentários

Comentário de PortugalSemprePresente
Data: 29 Agosto 2008, 11:09

FC, mais um post, antipolicia?
O que é que pretende?
Porque não fez um post sobre os acontecimentos na Quinta do Mocho? Sim esse em que dois gans andaram a medir forças, culminando numa morte.
… Ah, já me esquecia, quem disparou não era membro das forças de segurança, e assim a senhora não gosta.
… e o ourives de Setubal, não tem direito a Post como a criança que morreu em Loures (a tal da vacaria)!!!!
Prevejo que me vão censurar o comentário, mas mesmo assim tinha que escrever qualquer coisa.

Comentário de Sérgio
Data: 29 Agosto 2008, 11:09

Tenho visto episódios de uma excelente série da HBO, o The Wire.
É certo que não passa de ficção de qualidade retratando uma sociedade que pouco ou nada tem a ver com a nossa.
Mas mostra bem como se conseguem cozinhar estatísticas criminais de acordo com a agenda política do momento.
Por isso em vez de se discutir se aumentou Z ou diminuiu Y era interessante saber a forma como se chegaram a esses números.
E isso acho que ninguém, do povo como eu, sabe ao certo.

Comentário de DignaMagistratura
Data: 29 Agosto 2008, 11:18

“Culpar, sem provas, o novo Código de Processo Penal é mera má-fé”

Sem provas!!!!! Então vamos lá…
É ou não verdade que o CPP NÃO PERMITE prisão preventiva para crimes puniveis com penas iguais ou inferiores a cinco.
Desses crimes destaco as armas de fogo ilegais.
Assim, faço este exercicio:
Se o indivíduo que assaltou e matou o ourives de Setubal, tivesse sido detido, momentos antes da pratica desses crimes, pela posse de arma de fogo ilegal, o que é que lhe acontecia????
Sabe a resposta?
Idem aspas, para o indivíduo que matou na Quinta do Mocho (gangues rivais).

Comentário de Jaime Roriz
Data: 29 Agosto 2008, 11:21

Faz-me lembrar que nos idos de 1978, 1979, 1980. Se queria fazer acreditar que “no Norte é que se trabalha” porque o norte do país a votação era mais forte nos partidos de direita. Era uma intenção politizada destinada a fazer com que as pessoas votassem mais à direita porque supostamente o trabalho - mais trabalho - salvaria o país da ruina em que efectivamente estava.

Felizmente os dados estatísticos ( http://www.ine.pt ) provaram muito depressa e sem margem para dúvidas que em Lisboa trabalha-se MUITO mais e MUITO melhor. A votação à direita e à esquerda, como legítima manifestação de vontade do povo, conseguiu sobreviver a essas “bocas”.

Notem que não estou a defender que votar à direita está errado. Votar é um acto de consciência e é certo votar de acordo com o interesse e a visão política de cada um.

Aqui, na questão da criminalidade, passa-se mais ou menos o mesmo. À oposição falta-lhe encontrar diferenças entre o partido do governo e o principal partido da oposição. Estou convicto que não há grandes diferenças. Ora, como não há, inventam-se. Esta questão do aumento da criminalidade é mais uma invenção até ao dia em que começarmos a comparar. Aí começarão a ser factos.

Já repararam que no que respeita aos acidentes de viação e aos incêndios florestais, todas as notícias apresentam dados comparativos? Porque não se faz o mesmo relativamente à violência?

Comentário de Serras
Data: 29 Agosto 2008, 11:22

Como escrevi na minha tasca, estou com a sensação de estar sempre a ler o Jornal o Crime cada vez que vejo televisão, ouço rádio ou leio um jornal. Não é tema para ser abordado com tanta leveza e alarmismo por pessoas que têm a responsabilidade de serem um pouquinho mais sérias. Mas lá que vende, vende. Disso não tenho dúvidas.

Comentário de Luis Moreira
Data: 29 Agosto 2008, 11:57

Lembram-se das florestas a arder em pleno verão,milhares e milhares de hectares ? Durante 30 anos vimos o país a arder.O que se passa agora?Aonde estão os incêndios? O Loureiro em plena TV a jurar que não havia incêndios e a imagem atráz a mostrar as chamas.Chegamos a ter uma dezena todos no mesmo dia. E sabem por que desapareceram?Porque se tomaram medidas,comprou-se material adequado e não material aos amigos,treinou-se gente ,há planos de ataque segundo as fases de desenvolvimento.Esta vaga de assaltos só mostra que estamos mal habituados e que ,mais uma vez, não estamos preparados.Mas não se entreguem armas á polícia para depois se dizer que não as podem usar.Isso é hipocrisia!

Comentário de rms
Data: 29 Agosto 2008, 12:14

MAI, nada!
À entrevista de ontem de Rui Pereira na RTP1, só faltou ao ministro dizer a frase mais célebre deste Executivo: “Em matéria penal, o PS não recebe lições de ninguém”, como não recebe em políticas educativas, económicas, sociais, de saúde, etc.

A crença deste Governo na sua total razão em tudo e sobre tudo ficou mais uma vez clara. Juízes pedem alterações aos códigos Penal e de Processo Penal, magistrados também, polícias também, e o próprio Procurador-Geral da República também. O Governo responde com uma alteração à lei das armas. Sendo verdade que é um passo que pode revelar-se importante, não é menos verdade que deixa de fora outros de gravidade semelhante, como a violência do doméstica - um crime que duplicou entre 2000 e 2007, de 11.000 para 22.000 casos -, o tráfico de droga e os crimes menos graves, como o furto simples.

O resto continua lá no meu tal de buraco, porque é uma posta realmente muito grande…

Comentário de pisca
Data: 29 Agosto 2008, 12:22

Eu gosto é dos novos nomes que se vão inventando tais como:

Homejacking = assalto a casa

sobre isto delirei a ouvir o General responsável pela Segurança (esquece-me o nome) a dizer à jornalista na TV, mais ou menos isto

“Oh minha Senhora assaltos a casas sempre ouve, não me venha com novas modas”

aqui vão mais uns para o os “neo-jornalistas” usarem

Superjacking = roubo de cenouras ou semelhante no supermercado do lado
Pocketjacking = roubo de carteira no metro
Cakejacking = roubo do bolo de arroz na leitaria do bairro
Gasjacking = fugir da bomba sem pagar
Radiojacking = roubo do autoradio do carro
Bookjacking = roubo de livros (para intelectuais)

podem sempre acrescentar mais

ps: não cobro direitos

Comentário de Bruno - Planetas
Data: 29 Agosto 2008, 12:27

Fernanda,
Gostei muito do seu artigo! Já não partilho a excessiva penalização dos agentes que se vêm obrigados a disparar, seja para proteger a sua integridade ou a de terceiros, acredito que devem ser investigados mas sem que se transmita a sensação de que sempre se trata de uso discriminado de força.
“Confundir eficácia policial com licença indiscriminada para disparar é acrescentar crime ao crime”

Comentário de Luís Lavoura
Data: 29 Agosto 2008, 12:39

Sugiro à Fernanda a leitura do comunicado de hoje do Movimento Liberal Social sobre o assunto. Está no nosso blogue.

Comentário de Ant.º das Neves Castanho
Data: 29 Agosto 2008, 12:46

Parabéns pelo Artigo. Nunca é demais dizer o que é verdade.

Quanto à matéria em questão, reconhecendo-me leigo, gostaria de ler aqui uma resposta à pertinente questão colocada por DignaMagistratura.

É que todos temos a crescente e incómoda sensação de que, mais do que comparar estatísticas de crimes em Portugal e no Estrangeiro, importa saber até que ponto O CRIME COMPENSA mais em Portugal do que no Estrangeiro.

Por aquilo que eu sei e de que posso falar, pelo menos num aspecto o crime compensa mesmo em Portugal (pelo menos nas duas Áreas Metropolitanas): o estacionamento ilegal. Disso ninguém tenha dúvidas.

Mas a mesma questão aplicada ao crime violento é que eu agradecia que alguém ousasse responder com seriedade e conhecimento.

Comentário de Ant.º das Neves Castanho
Data: 29 Agosto 2008, 12:49

Peço desculpa pelo uso abusivo e impróprio da palavra “crime” para a infracção mencionada (estacionamento ilegal), cuja denominação rigorosa seria, tanto quanto sei, “contravenção”.

Comentário de Jaime Roriz
Data: 29 Agosto 2008, 12:52

Pisca,

Presumo que o General tenha dito que “assaltos a casas sempre Houve” e que V. tenha ouvido mal ….

Comentário de Ricardo Santos Pinto
Data: 29 Agosto 2008, 13:21

Quem queria o ministro Rui Pereira atingir quando disse que não tem culpa porque só está no cargo há um ano? Estaria a referir-se ao seu antecessor?

Jaime Roriz,

Não percebo por que diz que em Lisboa se trabalha muito mais e muito melhor do que no resto do país. Acha mesmo que os lisboetas são mais trabalhadores do que os portuenses, os minhotos ou os ribatejanos?
Nunca achei que no norte se trabalhasse mais. Mas dizer o contrário é uma injustiça. Acho mesmo que não há diferenças a esse nível.
Como é óbvio, a esmagadora maioria das empresas tem a sua sede em Lisboa, e isso depois reflecte-se nas estatísticas, na riqueza criada. Mas isso é outra questão.

Comentário de tric
Data: 29 Agosto 2008, 13:30

desde de 1998 até aos dias de hoje o crime violento cresceu em Portugal aprox. 58% ( houve um crescimento médio de aprox. 5,8% ao ano) . se suposermos que a criminalidade violenta vai crescer 10% em relação ao ano passado, o que se traduzira que a criminalidade violenta estara ao nivel de 2006,o que significara a existência em média de aprox. 2000 crimes violentos por mês em Portugal, ou seja, 66 crimes violentos por dia, pouca coisa…

“Quanto à necessidade de “medidas adequadas”, bom. Como é que ainda ninguém se tinha lembrado disso?”

notou-se!! foi preciso esta pressão mediatica, para que o Governo de Socrates deixa-se de lado a habitual arrogãncia e dialoga-se com o Procurador, pessoa não muito querida para os lados do Governo, devido às suas habituais criticas ao famoso codigo das penas

Comentário de Carlos Marques
Data: 29 Agosto 2008, 13:32

Já proibiram a publicação de escutas telefónicas, porque não proíbem a publicação de notícias alarmistas? Hoje foram roubadas 1.200 árvores, literalmente árvores, serradas e roubadas. Quais serão as estatísticas do roubo de árvores? Será isto um aumento de 100% face ao período homólogo?

Comentário de Al
Data: 29 Agosto 2008, 13:46

Tenho um recado do senhor alemão que está no hospital com uma bala na cabeça: diz ele que gostou muito do artigo. Já avisou os médicos que não é preciso fazer nada, que é tudo uma questão de interpretação histérica. Até tem vergonha de não se conseguir levantar, o que atribui a dificuldades hermenêuticas.
Alguns mortos recentes dos alegados crimes também já comunicaram o seu repúdio pelas notícias da dita “onda de violência” e devolveram a certidão de óbito em sinal de protesto e como acto de solidariedade para com o Sr. Primeiro-Ministro e restantes Altas Entidades Governamentais.
Esta gente do reviralho é terrível.

Comentário de vainessa
Data: 29 Agosto 2008, 13:50

Não houve fogos.

Comentário de Al
Data: 29 Agosto 2008, 13:53

p.s. “têm vindo a aumentar” é um erro. Mais do que um erro e mau português, é medonho. O correcto é “têm aumentado”.
Isto do português, já alguém se lembrou de estudá-lo?

Comentário de j
Data: 29 Agosto 2008, 13:53

Um artigo sensato e equilibrado.
Sublinho, particularmente, quando escreve «… Não estamos sozinhos no mundo. Convém lembrá-lo. Como convém que as análises que se querem sérias não evidenciem o mais raso populismo e a mais confrangedora tentativa de ganhar pontos no concurso da popularidade. Exigir a demissão de Rui Pereira em 2008…»

Os problemas da criminalidade não se “resolvem” com a demissão do MAI, este ou outro qualquer.
Falar em demissões quando a criminalidade “aperta” é pura “diversão” política.
Sendo lamentável que alguns desses partidos cavalguem o “facto criminal” para obter popularidade.

Comentário de pisca
Data: 29 Agosto 2008, 13:55

Jaime Roriz

Tem toda a razão, ele não ouviu, os assaltos aconteceram, logo:

Houve

o “H” andou perdido

Comentário de Ana Matos Pires
Data: 29 Agosto 2008, 14:10

Vale a pena olhar para este gráfico: http://blasfemias.net/2008/08/29/criminalidade-x/#comment-63465

Comentário de Carlos Fernandes
Data: 29 Agosto 2008, 14:22

Eu não tenho filiações partidárias e não pertenço a nenhum partido político, pelo que lamento, mas objectivamente ( e não é só mediaticamente) o crime quer normal quer o violento tem aumentado nos ultimos tempos.
E quer saber porquê Sra. D. F. Câncio?
Vou-lhe dar a minha opinião: por causa da recente lei do aborto e da morte das crianças no ventre das mães.
È que que quando não se respeita a vida humana com poucas semanas de existência, passa por analogia e por quebra do Valor Vida, a haver menos respeito pela vida humana de adultos com centenas ou milhares de semanas…

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 29 Agosto 2008, 14:24

já agora, os dados do eurostat, que incluem gráficos para todos os países europeus, estão aqui:

http://epp.eurostat.ec.europa.eu/portal/page?_pageid=3073,67701349,3073_69767077&_dad=portal&_schema=PORTAL

Comentário de Carlos Marques
Data: 29 Agosto 2008, 14:38

Já vi, boa! Obrigado! Está tudo bem então, estamos apenas a convergir com o resto da Europa no crime violento. Porreiro, pá!

Comentário de PortugalSemprePresente
Data: 29 Agosto 2008, 16:06

Aqui vai uma ajuda “Quanto à matéria em questão, reconhecendo-me leigo, gostaria de ler aqui uma resposta à pertinente questão colocada por DignaMagistratura” ou seja “Se o indivíduo que assaltou e matou o ourives de Setubal, tivesse sido detido, momentos antes da pratica desses crimes, pela posse de arma de fogo ilegal, o que é que lhe acontecia????
Sabe a resposta?
Idem aspas, para o indivíduo que matou na Quinta do Mocho (gangues rivais).”
Qualquer um dos destes indivíduos seria detido pelas Forças de Segurança, que logo de seguida os libertariam com notificação para comparecerem no Tribunal de Pequena Instância Criminal da respectiva Comarca, no dia útli a seguir onde seriam julgados.
O caricato é que entretanto estes indivíduos iriam buscar outras armas para cometerem os crimes que se tinham proposto cometer.
Note-se ainda que foi intenção do legislador, diminuir a populução prisional e como tal os nossos Juizes (que não estão isentos de culpas) quando julgam estes casos nunca aplicam penas de prisão efectivas aos criminosos, que cada vez mais se vão sentindo impunes, levando-os a percorrer toda a carreira do crime, dos pequenos furtos até aos assaltos violentos.

Já agora a entrevista do MAI, mais uma vez é para enganar os leigos…
Vejamos:
“Prisão Preventiva obrigatória até apresentação a Juiz” para crimes cometidos com armas de fogo.
Isto é brincadeira e erro grave para um entendido em Direito Penal.
A saber:
1º - Quem aplica a Prisão Preventiva é o Juiz de Instrução.
Quando um cidadão após ter cometido um crime, não é libertado como atrás referi, fica detido para ser presente a 1º Interrogatório Judicial, a fim de ser interogado e para aplicação de medida de coacção (mais leve é o Termo Identidade e Residência e o mais gravoso a Prisão Preventiva), detenção esta num prazo máximo de 48 Horas.
2º - Crimes cometidos com armas de fogo, é diferente de crimes de posse de armas de fogo ilegal.
Ou seja um roubo com ameaça de arma de fogo (ilegal), temos dois crimes (roubo e posse de arma de fogo ilegal), como a pena abstrata aplicável ao roubo é superior a cinco anos, admite prisão preventiva.
A posse de arma de fogo (ilegal), quer seja uma arma de guerra ou quer seja uma pistola de alarme adaptada para arma de fogo (tipo a que foi utlizada nos Homicidios de sacavém e Oeiras parque), são punidos com pena de rpisão até 5 anos e como tal nunca admitem prisão preventiva.

Na pratica este Governo anda a enganar-nos porque ninguém (Juizes, PGR, Policias, Partidos da Oposição) diz as coisas como elas são.

Este Governo em 2006, com a nova Lei das armas veio dizer que agravou as penas relativas as estes crimes.
Por um lado foi verdade, criou um crime de Tráfico de armas que não estava previsto, até aí apenas era punido pela posse de armas de fogo, tendo também a simples posse sido agravada (passou a ser punida com pena abstrata até 5 anos).
Acontece que em 2007 com o novo CPP, vem proibir aplicação de medidas de coacção mais gravosas (prisão preventiva), para crimes punidos até aos 5 anos de prisão.

Confuso, também achei agora ponham-se na pele dos Policias que têm que saber estas tretas todos…

Comentário de Jaime Roriz
Data: 29 Agosto 2008, 16:14

Ricardo Santos Pinto, as minhas desculpas mas está tudo explicado em http://www.ine.pt e aqui não é o post certo para tratar desse assunto. Eu só usei esse facto como exemplo.

correio@jaimeroriz.com

Comentário de J. S. Bastos
Data: 29 Agosto 2008, 16:15

“exibição avulsa de gráficos”

Comentário de Marco Alberto Alves
Data: 29 Agosto 2008, 16:25

Do Al:

«p.s. “têm vindo a aumentar” é um erro. Mais do que um erro e mau português, é medonho. O correcto é “têm aumentado”.
Isto do português, já alguém se lembrou de estudá-lo?».

Do tric:

«desde de 1998 até aos dias de hoje o crime violento cresceu em Portugal aprox. 58% ( houve um crescimento médio de aprox. 5,8% ao ano)»

mais

«(…) se suposermos (…)»

e mais ainda

«foi preciso esta pressão mediatica, para que o Governo de Socrates deixa-se de lado a habitual arrogãncia e dialoga-se com o Procurador»

Imperdível! Em dois comentários perto de si…

Comentário de Ricardo Santos Pinto
Data: 29 Agosto 2008, 16:26

Depreendo então, mesmo não sendo este o lugar indicado, que acha que os lisboetas trabalham mais do que os cidadãos do resto do país. Sim senhor, muito bem!

Comentário de Ant.º das Neves Castanho
Data: 29 Agosto 2008, 16:28

Obrigado PortugalSemprePresente.

O que afirma é de facto muitíssimo preocupante…

Comentário de Model500
Data: 29 Agosto 2008, 16:50

O comunicado de hoje do Movimento Liberal Social sobre este assunto está muito bem feito. Tem a lucidez para reconhecer que os media influenciaram, e muito, a projecção dos acontecimentos na opinião pública, fabricando um pseudo-ambiente, mas, por outro lado não negligencia o problema do combate à criminalidade. Na mouche. É claro que a meu ver deveria concretizar melhor os aspectos que devem ser melhorados nesse combate, e sobretudo como?

Obviamente votarei MLS quando for um partido concorrente às eleições.

Comentário de al
Data: 29 Agosto 2008, 17:23

E a histeria atingiu o governo: “O ministro da Presidência admitiu que a criminalidade violenta está aumentar, deu uma palavra de confiança às polícias, manifestou preocupação” jornal Público
Não viram os gráficos

Comentário de rms
Data: 29 Agosto 2008, 17:25

Mas então afinal há ou não há onda de criminalidade?

Comentário de Alfredo Castro
Data: 29 Agosto 2008, 17:48

Jaime Roriz:

“Esta questão do aumento da criminalidade é mais uma invenção”.
Como assim? Você tem dados que contrariam os oficiais? Até estes dizem que o aumento foi de 10%…
Exlpique lá isso à gente, então.

Comentário de Model500
Data: 29 Agosto 2008, 17:55

Negar a existência de uma onda de criminalidade seria um tremendo erro politico. Depois do assalto que as televisões nos fizeram e de que todos fomos vitimas - este sim, um verdadeiro assalto -, um politico que negue essa onda, determina automaticamente o seu atestado de óbito.

Comentário de Pedro K(Costa) Ferreira
Data: 29 Agosto 2008, 18:03

Diz Fernanda Maria: “já agora, os dados do eurostat, que incluem gráficos para todos os países europeus”

Logo será questão de recordar: lies, damned lies and…. gráficos, como dizia o outro.

Comentário de Gilson
Data: 29 Agosto 2008, 19:07

Mas porque raios esta palavra “carjaking” teve de se instalar no português de Portugal?

A parolice e a adesão às modas acontecem até nas coisas negativas. Já não basta dar tiros nas cabeças dos assaltantes? temos de falar “carjaking” também para sermos modernos?

Comentário de DignaMagistratura
Data: 29 Agosto 2008, 19:28

Caro, PortugalSemprePresente, vê-se que sabe umas coisas de DIREITO, mas pese embora saiba mais que alguns jornalistas, incluido a Srª Fernanda Câncio, devo dizer que ainda vou assustar um pouco mais o Ant.º das Neves Castanho.
Falou em algumas normas legislativas, contudo esqueceu-se dos pressupostos para aplicação da medida de coacção Prisão Preventiva (Artº 202 do CPP conjugado com o Artº 204 do CPP).
Na verdade em muitos casos os Magistrados estão de mãos atadas, para fundamentar aplicação desta medida de coacção.
Não se esqueçam que o Juiz tem de fundamentar o perigo de fuga (como se fundamenta este perigo de fuga, só nos casos de arguidos sem residência fixa ou estrangeiros, pois quem é que vai saber o que vai na cabeça do arguido - para mim existe perigo de fuga sempre que um indivíduo comete um crime para o qual pode ser aplicada pena de prisão efectiva), outro punto de fundamentação é o perigo de perturbação do processo (exercitem-se a encontrar fundamentação) por último continuação da actividade criminosa (mas agora o Juiz tem uma varinha de condão que lhe diz que o arguido que está à sua frente, a jurar a pés juntos que não volta a cometer um crime, está na verdade a mentir!!!).

Não se assustem ainda temos Juizes, com grande capacidade de fundamentação…

Comentário de Carlos Marques
Data: 29 Agosto 2008, 20:18

Percebe-se por que tem a RTP, serviço público, que dar tanto futebol profissional - para conseguir o máximo de audiências. Para que tem um serviço público de televisão de ter o máximo de audiências? Talvez para as pessoas não se alarmarem a ver os canais ditos tablóides. Assim ninguém fica histérico com as notícias e sempre se vai passando o tempo a falar de coisas mais sérias e verdadeiras, tais como as arbitragens ou os golaços dos artistas da bola.

Comentário de al
Data: 29 Agosto 2008, 20:49

Marco Alberto Alves
“têm vindo a aumentar” é mesmo uma construção defeituosa e o escorreito e sucinto “têm aumentado” é mesmo o modo exacto de escrever, como poderá verificar se estudar o assunto. Suponho que lhe não soe estranho, num país em que se escreve “contratualizar” para significar contratar e um secretário marco paulo de estado diz “remediativo”, mas manter algum gosto é um dever de todos.
Que seja usado por quem tem como profissão escrever é o que faz de Portugal este torrãozinho que o mundo tanto inveja.

Comentário de Alberto Cancelino
Data: 29 Agosto 2008, 22:07

Finalmente de acordo!
Creio que a Sra. jornalista, agora sim, fez trabalho de casa!
Sem ironia da minha parte!
Sem discurso demagógico, a Sra. jornalista revelou dados importantes e opinou - opinião que eu partilho - sobre as politicas? de segurança do país!
No burgo confunde-se tudo: prevenção, modelos e tipos de policiamento, militares com policias, paradas com policiamento, tecnologia com capital humano….
Inclusivé fins da lei penal, da prisão preventiva, da perigosidade de a tornar “objectiva” e não dependente do caso concreto, dos fins das penas, da acção penal, do principio da oportunidade…
E os policias, os “verdadeiros”, onde estão?
Que formação lhes dão, que escrutínio têm?
Na estrutura e nunca no calor da “história de faca e alguidar”, creio que a Sra. jornalista pode trazer à luz do dia aquilo que é óbvio:
300 milhões de contos /ano >>>>Qualidade no serviço?
Nem vê-la: eu assumo as minhas responsabilidades!
Assaltam bancos, bombas de combustível, etc!
O que se faz?
1 - Operações stop, autos por falta de inspecção e meia duzia de embriagados, etc…
2 - Manifestações de força em bairros (a Sra. sabe dos que eu estou a falar) - vivem lá crianças que absorvem o caldo cultural, certo!
Estado que mostra violência, recebe em dobro dos seus cidadãos, (quando se faz nesses bairrros…está a investir-se no futuro (no crime “paradoxal” > mais do mesmo)
mas nada me estranha num país em que apoio a idosos é designado de policiamento de proximidade!
O REI VAI NU! AINDA NÃO PERCEBERAM!
300 MILHÕES DE CONTOS /ANOS (POR DEFEITO)

Comentário de Alberto Cancelino
Data: 29 Agosto 2008, 22:15

E PARA QUE NÃO RESTEM DÚVIDAS, CONCORDO QUANDO DIZ: “confundir eficácia policial com licença indiscriminada para disparar é acrescentar crime ao crime”
Toca no problema sem se referir a casos que ainda aguardam decisão!
A vida de um assaltante vale exactamente o mesmo que a vida da vitima! Beccaria já morreu há mais de 200 anos e ainda não perceberam isto! chiça!
E o Verão faz-me realmentemal à moleirinha, o português!

Comentário de Jaime Roriz
Data: 29 Agosto 2008, 22:53

Caro Alfredo Castro o que eu disse foi:
Esta questão do aumento da criminalidade é mais uma invenção até ao dia em que começarmos a comparar. Aí começarão a ser factos.

Ricardo Santos Pinto, até lhe deixei o meu mail e tudo, se quiser discutir esse assunto comigo. Que mais posso fazer? Não me permito mudar assim o tema deste post.

Comentário de m. abrantes
Data: 30 Agosto 2008, 0:52

Nós, portugueses, temos esta tendência para a histeria, o que se há-de fazer? Ficamos histéricos quando alunos agridem professores, quando senhoras dão à luz nas IPs e quando carrinhas de transporte de valores são assaltadas com material de guerra. Quem não nos conhecer até pode estranhar sermos governados por gente tão controlada.

Comentário de Jaime Roriz
Data: 30 Agosto 2008, 1:08

Ó Dr. Cancelino, mas afinal deste em comunista agora?

Comentário de Fernando Penim Redondo
Data: 30 Agosto 2008, 9:13

Desdramatizar não resolve.

Quanto a mim não vale de nada insistir no exagero dos media pois, se ele existe, vai continuar a acontecer. A esmagadora maioria das pessoas nem lê a Fernanda Câncio, é como remar contra a maré.
A melhor maneira de desdramatizar era propor r concretizar medidas que as pessoas reconhecessem como sendo eficazes.

Perante os factos criminosos a esquerda aparece sempre bloqueada por teorias. Mas as pessoas quando têm problemas concretos e agudos querem mais do que teorias, querem soluções.

Ver o resto da resposta em:

http://dotecome.blogspot.com/2008/08/desdramatizar-no-resolve.html

Comentário de j
Data: 30 Agosto 2008, 13:54

«O que se faz?
1 - Operações stop, autos por falta de inspecção e meia duzia de embriagados, etc…
2 - Manifestações de força em bairros (a Sra. sabe dos que eu estou a falar) - vivem lá crianças que absorvem o caldo cultural, certo!»

Algo que Cancelino tem (alguma) razão.

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