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Vento nas árvores

28 de Agosto de 2008 por António Figueira

Num lugar de Trás-os-Montes, num quente fim de tarde de Verão, uma jovem mulher doente, sozinha no primeiro andar de uma casa isolada no campo, revolve-se na cama; através da janela aberta, os ramos de um castanheiro entram-lhe pelo quarto dentro. No rés-do-chão, estão várias pessoas falando, enquanto lá fora a noite cai; subitamente, alguém aponta para o castanheiro e diz: “-Olhem, afinal parece que há vento!” Os outros admiram-se e saem todos para o quintal: nem um só sopro de vento perturba o lusco-fusco, mas a folhagem do castanheiro não cessa de se agitar. Nisto, ouve-se um grito: o marido da jovem doente lança-se pelas escadas acima e encontra-a como que acossada, as costas espalmadas contra a parede, apontando trémula a árvore que se abana violentamente à sua frente; depois cai como que fulminada, morta, e o castanheiro regressa ao seu sossego habitual. Que terá ela visto? Um louco tinha-se escapado antes de um asilo; terá sido ele, escondido na árvore, que lhe terá mostrado a sua face assustadora; foi ele, teve de ser ele, porque essa é a única razão que pode explicar o sucedido. E no entanto… Porque é que ninguém o viu subir à árvore, nem descer? Porque não ladraram os cães? E como pode ele ter sido capturado, apenas seis horas depois, a mais de cem quilómetros dali? Tudo perguntas sem resposta. A acreditar no povo daquele lugar, terá sido a própria Morte que a jovem mulher terá visto (Das Mädchen und der Tod, recorde-se) e terá sido Ela que sacudiu os ramos do castanheiro, diga o que disser a tal da razão.

(Une histoire du petit Poulou, adaptação livre)

Comentários

Comentário de AnaV
Data: 28 de Agosto de 2008, 18:27

Saem e não saiem ;)

AF: Obrigado Ana, mas saiba que o petit Poulou escrevia “le lapen çovache ême le ten” em lugar de “le lapin sauvage aime le thym”.

Comentário de JC
Data: 28 de Agosto de 2008, 18:48

Der Tod und das Mädchen é o correcto. No texto está trocado.

AF: Obrigado João, mas lembre-se que o petit Poulou era francês e que em francês “Der Tod und das Mädchen” se chama “La jeune fille et la mort”.

Comentário de Luis Moreira
Data: 28 de Agosto de 2008, 21:19

Um pobre economista no meio do pessoal de “Cultura ” ( bem sei que isto é um bocado arriscado) fica assarampantado com o que descobre.Na tropa encontrei lá um tipo que tinha vivido toda a vida em França e que andou a dar-me cabo da cabeça por causa desse título acima “la jeune fille et la mort”.Só agora percebi que é um clássico ou parecido.Trinta anos depois!
PROPOSTA HONESTA: tenho na cabeça a história verdadeira de um amigo meu em Angola,em tempos de guerra.Cena a cena tenho o guião na cabeça,mas não tenho talento nem determinação para o passar a escrito (nem domino a técnica cinematográfica)Algum dos meus amigos ou amigas jornalistas e/ou escritores quer investir algum trabalho para produzir um guião de um filme,onde haverá paixão,aventura,violência e a grandeza de uma mulher?

Comentário de toulixado
Data: 28 de Agosto de 2008, 23:52

E era preciso ires para Trás-os-Montes? Foi por causa do castanheiro?
Cum raio, a janela tinha mesmo que estar aberta ou esqueceram-se?

Já aprenderam, prá próxima mantenham-a fechada, até por causa dos resfriados.

Já sei, já sei que era uma noite de calor, mas de madrugada vem aquela aragem…

Se fora no Alentejo já não havia esse problema.

Ficas avisado.

Comentário de vainessa
Data: 29 de Agosto de 2008, 1:26

Luis Moreia,

Eu aceito o risco de uma história.
Vaisnessa??

Comentário de Luis Moreira
Data: 29 de Agosto de 2008, 2:23

Vounessa.O meu contacto está aí no 5 dias.

Comentário de ezequiel
Data: 29 de Agosto de 2008, 4:41

Caro António,

Os cães nunca ladram quando se encontram com os loucos. :)

Pingback de cinco dias » A homenagem
Data: 4 de Outubro de 2008, 20:38

[...] no horizonte; e o comboio continua sem chegar. Enquanto não chegava, o velho poeta (lembram-se do “Vento nas árvores”?) juntava mais uma às suas pequenas e grandes irritações e dizia para consigo que aquela [...]