Causa de despedimento: um post

A Liliana cometeu a imprudência de escrever sobre o ambiente laboral de uma empresa. Escrevo no pretérito porque ela foi pressurosamente despedida da Comunicasom, no meio de um clima de intimidação digno de Torquemada. Como poderão ler no texto que salvei graças ao cache do Google (foi entretanto retirado pela autora), ela não mencionou nomes nem pormenores específicos. Nada disso interessa a quem gosta de se armar em paladino dos trabalhadores… desde que não se metam com ele.

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61 respostas a Causa de despedimento: um post

  1. rui diz:

    uma pessoa é despedida depois de obrigada a humilhar-se e os comentários destes gajos são: eu, eu, eu, eu… e o que acham de relevante no caso é que ela não deveria andar a dizer mal da “sua” empresa, ou não deveria trabalhar numa empresa “de que não gostava”…
    quem é que se escandalizou com o entusiasmo dos alemães pela construção do Terceiro Reino?

  2. Desiludida diz:

    Um jornalista, na minha modestíssima opinião, não deve lealdade a quem lhe paga. Deve receber em dinheiro o que dá em trabalho competente, isso sim. A lealdade de um jornalista deve ser para com a verdade dos factos. Tal como a de um professor deve ser para com o conhecimento e a partilha desse mesmo conhecimento e não para com a ministra. Mas esta é apenas a minha opinião. No que respeita ao despedimento da Liliana, só não me solidarizo com ela no que concerne ao pedido de desculpas. É devido a pedidos de desculpas e à humilhação que os profissionais de comunicação social – não confundir com assessores, relações públicas e senhores do marketing – se encontram nesta situação. Não se trata de trabalhar em empresas de que gostamos ou deixamos de gostar. Trata-se de respeito e de dignidade. E já há muito tempo – tempo de mais, e não demais como se lê em alguns jornais -, que os jornalistas são tratados como carne para canhão. Os directores dos jornais substimam, até, os seus leitores, dando-lhes cada vez menos qualidade nas páginas que todos os dias são editadas. Basta ler os títulos. Nem sei o que possa dizer mais. Apenas penso que um país que se constrói desta forma, caminha para trás.

  3. Luis Moreira diz:

    Pedro e Rui o que vos estou a tentar dizer é que as pessoas para fazerem bem e singrarem na vida têm que se auto-motivar,Quem aos trinta anos só se lamenta que ambição tem? É claro que há pessoas que gostam de trabalhar nas limpezas e são boas empregadas.Isso é claríssimo quando se comparam os trabalhos de pessoas que fazem a mesma função.Acha mesmo que vai arranjar um trabalho de que goste e onde ganhe bem sem mostrar primeiro que é bom?( nas juventudes partidárias…).Quanto ao Ricardo é óbvio que ele tem que dar valor ao que tem, que é muito!

  4. Pedro diz:

    Meu caro Luis, uma coisa é ser competetente na sua profissão e ter brio no que se faz, outra coisa diferente é gostar do que se faz. Muitas pessoas, apesar de não se sentirem realizadas, dão o melhor de si no que fazem, por uma questão de brio. Não é necessário gostar do que se faz, para se ser bom. Você, com a idade que parece ter, devia saber isso. O resto, desculpe que lhe diga, os conselhos, o paternalismo, e tudo o mais, é… treta, desculpe a expressão.

  5. Desiludida diz:

    Pedro, o que me parece é que o Luís é um self made man que se dá muito bem neste liberalismo selvático em que vivemos. E ainda bem para ele. Acredito que seja um bom profissional e que mereça todo o dinheirinho que ganha e que lhe escrevam as cartas com as frases muito bem alinhadas e os acentros muito bem postos. Assim espero. Há, no entanto, profissões em que o modelo defendido pelo Luís não se aplica. Há muito bons profissionais, que gostam do que fazem, que lutam diariamente contra a incompetência, a ambição desmedida, a falta de qualificação e formação, a desonestidade…dos seus empregadores.

  6. rosa maria diz:

    Com a devida vénia, faço minhas as palavras da Desiludida!

  7. Curiosamente diz:

    Curiosamente, o Luis tem toda a razão. As pessoas devem estar motivadas, devem ter auto-estima, e devem trabalhar onde gostam.
    O próprio Luis, NO entanto, reconhece não ter capacidades para ter sido empreendedor.
    Ou seja, empresário.
    Para muitas pessoas, infelismente, não terão a sua capacidade nem para ser gestor de empresas, nem para ser empreendedor, tal como o Luis, não teve essas capacidades.

    É nesses limites seus, que tem que pensar que outros terão os deles.
    E lá por ser um bom patrão, ou melhor , gestor, repare que nem toda a gente o é. Muitos são umas bestas.
    No fundo, se o Luis tivesse sido empreendedor, teria contribuido para que houvesse mais e melhores locais de trabalho.
    Foi pena não ter essa capacidade e motivação.

    Mas, não deixo de lhe dar razão, que em portugal há muita falta de motivação. Mas essa falta, vem de algum lado.
    Não podemos só culpar as pessoas.
    O seu discurso, até ajudou uma ou outras pessoas, mas no fundo, não vai mudar o mundo que temos.
    É esse link, que lhe falta, curiosamente.
    Curiosamente, deixo a todos a mensagem para tentarem ser aquilo que o LMoreira não conseguiu ser. Empreendedor.
    É do que o Pais mais precisa neste momento. Empresas. E sejam bons patrões depois, embora o começo seja dificil.

    Evidente, não veja o LMoreira, critica ou ataque pessoas nas minhas palavras, que respeito muito outras opiniões suas.

  8. Eu diz:

    O que eu sei é que ainda ninguém fez referência às acusações que esta menina faz no texto. Acusar alguém de andar a espionar as conversas dos empregados é grave! E caros amigos, uma coisa é certa, não se levantam suspeitas destas sem ter a certeza. No nosso país há liberdade de expressão, mas não podemos escrever num blog público toda a espécie de disparates que nos passam pela cabeça… ou melhor, podemos, mas arriscamo-nos a levar com um processo em cima e é isso que vai acontecer à tal de Liliana.
    Para mim este texto é um acto de enorme burrice!

  9. Ricardo Santos Pinto diz:

    Liberdade de expressão?
    Que o diga o professor Charrua, demitido do cargo por ter chamado filho da puta, em privado, ao primeiro-ministro.

  10. Desiludida diz:

    A tal (de) Liliana não diz no texto qual é a empresa. O “dono”, ou melhor, o “cão do dono” é que se ofendeu muito. Deve ter-lhe servido a carapuça, não acha? Quanto à “burrice “, não me parece que esse seja um atributo da “menina” em causa. Em relação à liberdade de expressão, não me parece que haja melhor forma de aniquilá-la do que amedrontar as pessoas com o fantasma do despedimento. Por último, não me pareceu ler no post da Liliana qualquer disparate.

  11. Daniel Martins diz:

    O Manolo, não só tem coração, como também, outras emoções e, quem o conhece, é que compreende, talvez, porquê que ele agio assim (?)
    Portanto, vamos lá ver então; se a reacção dele, foi excessiva, é porque, como todos os impresários, não é perfeito, mas é bom saber que, sabe escutar e auto-criticar. Faz tudo parte da sua sensibilidade. Comete erros, se os cometer, porque é, no final, um ser humano. Mas há casos mais complicados !
    Se a liberdade, em Portugal, ainda, é assunto que se deve discutir, que se discuta primeiro, porquê que existe, ainda, tanta injustiça social, neste país fatalista. Devemos começar por aí, mas primeiro, adiar as novelas e jogos de futebol !
    Quanto á estimada Liliana, ela, com a sua integridade e ‘experiência’ decerto vai ser uma profissional daquelas, de ascuar admiração.

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