Arbitrariedades de conveniência

No Verão passado, o grande escândalo era se podia ou não vender-se bolos com creme nas praias sem refrigeração dos produtos. Seis meses depois, era a Lei do Tabaco que nos trazia o totalitarismo higiénico. Uma menção, por parte do Presidente da República, aos salários dos gestores privados foi “populista e demagógica”.

A semana passada, um agente da GNR baleou e acabou por provocar a morte a um rapaz de treze anos. Qual é a resposta dos mesmos comentadores que vêem em tudo a intromissão inadmissível do estado? Perguntar o que estava a fazer o rapaz no caminho das balas.

Faz sentido: afinal não saiu prejudicada a propriedade privada de ninguém. Pelo contrário, o pai e o tio do rapaz é que o levaram para roubar uns ferros de uma vacaria. Ferreira Fernandes, no DN, escreveu que “o que me preocupa mais no meu país é que haja um pai e um tio que levam um garoto de 13 anos para um assalto”. O editorial do DN considerou que a atitude dos parentes da criança “é que deveria ser tema de indignações e discussão”. A primeira pergunta que Helena Matos — que tanto se escandalizou com a opressão às bolas-de-berlim com creme — se lembrou de fazer num blogue foi esta: “independentemente de tudo, ninguém é responsabilizado por levar uma criança para um assalto?”

Compreendo. Independentemente de tudo — de a GNR ter disparado sete tiros, de dois desses tiros terem atingido a criança, de a criança ter morrido, — ninguém é responsabilizado pela criança? A resposta é sim. Há responsabilidade para estas coisas e geralmente leva à perda da tutela sobre a criança — mas deixa de fazer grande sentido discuti-la, não é verdade? Porque, independentemente de tudo, a criança morreu. Nada indica que venha a ressuscitar.

Mas, ah! O pai da criança era foragido! A família da criança tinha um mercedes! E, pormenor não de somenos, eram ciganos.

***

Há umas semanas escrevi sobre o preconceito anti-cigano, e como ele pode descambar para a indiferença e a desumanidade. João Miguel Tavares, no DN, acusou-me de ser demagógico; afinal os ciganos vivem do rendimento mínimo e têm playstations e ecrãs de plasma — apreciação que, por sua vez, nada tem de demagógica.

Pois aqui vai mais um pouco de “demagogia”: já chegámos à indiferença, falta pouco para a desumanidade. Um crime contra a propriedade não valida a morte de ninguém, incluindo uma criança filha de um criminoso. Um pouco de “esquerdismo”: se morreu desnecessariamente um miúdo, pouco me importa se o pai dele era foragido e conduzia um mercedes. E um pouco de “politicamente correcto”: os ciganos também não gostam quando os filhos deles morrem.

Mudando de assunto, sem mudar. Um electricista foi despedido por ter dito no Prós e Contras, programa de TV, que ganhava pouco e não era aumentado há anos. Eis o que Alberto Gonçalves tem para escrevinhar sobre o assunto, no DN: “uma simples ida a esse excepcional programa deveria constituir motivo para despedimento com justíssima causa”. Ih-ih-ih, ah-ah-ah. Oh-oh-oh.

Percebem? Se o estado se mete na higiene alimentar ou nos salários dos administradores, é totalitarismo. Se um agente do estado mata uma criança numa ocorrência trivial, a pergunta é “que estava ali a fazer a criança”. Se um patrão despede um empregado por este dizer em público que não é aumentado, é uma divertidíssima chalaça. O pessoal consegue ver o nazismo na lei do tabaco mas andar alegremente a demonizar uma minoria étnica — isso estranhamente não lhes lembra nada. Entretanto, a esquerda é demagógica, politicamente correcta e — o pior de todos os crimes, vejam lá — a esquerda é de esquerda. Eis tudo o que precisa de saber para botar opinião neste país.

Sobre Rui Tavares

Segunda | Rui Tavares
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44 respostas a Arbitrariedades de conveniência

  1. dr maybe diz:

    e o relativismo, essa perigosa corrente de pensamento!

  2. PortugalSemprePortugal diz:

    Alguem me indica um sitio, com os mesmos temas mas com “postistas” de direita…

  3. Sérgio diz:

    A leitura dos seus textos deixa-me, regra geral, muito bem impressionado. Mas confesso-me um pouco desiludido com a tendência de agrilhoar até à inoperância a repressão do crime, porque de crimes se trata e com ameaça directa a vidas (e não apenas à sacrossanta propriedade privada…).

    Começando com o assalto/sequestro do BES.
    É evidente que sou aboslutamente leigo em matéria de tácticas policiais mas, como cidadão, aquela actuação não me suscita nenhuma reserva moral. É de bom senso que em situações de conflitos de interesse daquela natureza, a prioridade sejam os reféns, não os sequestradores. E se o tiro é lamentável porque tirou a vida a alguém, a fuga com os reféns não me parece que se possa equacionar como solução séria.
    Um outro ponto que não se pode relativizar é o facto de os assaltantes terem partido para soluções de violência extrema e inaceitável. Foram eles que se colocaram numa situação impossível, mormente quando decidiram cessar negociações e deram um sinal de que não pretendiam entregar-se, matando os reféns se fosse necessário.
    Aqueles polícias não são assassinos pela simples razão que, por vezes, é necessário usra força letal para evitar crimes graves, como o homicídio de outrém que teve o azar de estar à hora errada no lugar errado. De resto, basta ver o registo de actuação do GOE e ver que sempre optaram pela negociação nestes casos. A força sempre foi o último recurso, nunca o primeiro. Não atiram à toa nem indiscriminadamente e, sempre que possível, com armas não letais (é revelador, creio). É injusto, lamento dizê-lo, muito do que se tem dito sobre a actuação do GOE. Recordo que o ministro da Administração Interna deu a autorização devidamente enquadrada na lei e que Rui Pereira não tem fama de miliciano vigilante nem deve ser apreciador dos filmes de Chuck Norris.
    Ao assaltante ferido estão a ser garantidas todas as prerrogativas do Estado de Direito. Não vai ser linchado nem julgado popularmente. Não é uma vítima do sistema «repressivo».
    Quanto à nacionalidade dos dois, isso é irrelevante. Só um sectário de direita zelozo da bondade da «raça» é que pode achar que os estrangeiros são, por definição, maus e que aos que cá estão deve ser mostrada a porta de saída e que se devem cerrar fileiras contra os que quiserem entrar. Como a criminalidade não tem cor nem nacionalidade, também a punição só pode ser individual. Só os skinheads e afins é que pedem para se ressuscitar as punições colectivas, espécie de versão moderna do «morra por ele».
    Finalmente, uma palavra de apreço não só pela actuação da PSP mas, sobretudo, pela coragem dos reféns. Esses sim, as vítimas deste caso.

    Quanto ao caso do GNR,
    1- parece que o tentaram abalroar, tendo ficado ferido. Assim sendo, não deve ser a habitual desculpa legitimadora. Ouvi o juiz Eurico Reis a dizer que isto é tentativa de homicídio. Se assim foi, não se reconhece direito à legítima defesa, ou a polícia deve ter vocação de mártir?

    2- Sim, é extraordinariamente irresponsável, negligente e perigoso alguém levar uma criança para um assalto. Os pedopsiquatras também já falaram sobre isso.

    3 – Eram ciganos. Mas será que a GNR agiu nesse pressupostó? E será que sabiam disso previamente? É que as carrinhas são todas iguais e nem todos os gnr devem ser racistas ao ponto de quererem liquidar todos os ciganos que mexem.

    4 – A criança morreu alvejada. Será que o GNR sabia (ou sonhava) que ia uma criança lá dentro?

    5 – Há um processo a decorrer. O gnr foi constituído arguido com a mesma medida de coação aplicada ao assaltante (parece que fugiu). Novamente, não creio que o assaltante seja vítima do sistema repressivo nem que a polícia tenha licença para matar.

    Com admiração,

    S.F.

  4. Rui Tavares volta, como muitos outros, ao tema das mortes resultantes de intervenções policiais. Fá-lo de forma demagógica pois a polícia não “baleou um rapaz de 13 anos”, a polícia baleou um carro que se recusou a obedecer à ordem de parar o que é muito diferente. Rui Tavares também podia ter escrito que a polícia “baleou um cadastrado foragido”, na lógica dele esta afirmação também é verdadeira.
    Qualquer pessoa compreende que a polícia tem que ser obedecida, a qualquer custo, sob pena de passar a ter um papel meramente decorativo. A partir do momento em que se estabeleça que a polícia não pode forçar, por qualquer meio, a obediência às suas ordens veremos todo o tipo de criminosos fugir impunemente. Nessa altura deixámos de viver num Estado de Direito.
    O que está portanto em causa não é o tipo de crime que se suspeitava estar a perseguir mas sim a absoluta necessidade de a polícia se fazer obedecer, se queremos ter polícia.
    Quando lemos o artigo em referência podemos pensar que na base dos seus equívocos se encontra um “excesso de humanismo” mas essa apreciação cai pela base quando constatamos que a vida dos vários polícias baleados nos últimos anos não parece motivar o Rui Tavares.
    É caso para pensar que se trata de um atitude classista; há uns tipos que por razões económicas se vão empregar na polícia e, em troca de um mísero salário, devem estar disponíveis para levar uns balázios na defesa dos nossos bólides, das nossas vivendas e dos nossos corpinhos. E, ainda por cima, pede-se-lhes para o fazerem sem incomodar, como quem diz à mulher a dias “Oh Francisca há-de aspirar a sala amanhã de manhã mas não me acorde”.
    Nunca deve ter ocorrido ao Rui Tavares que é desumano pedir a alguém, em troca de um salário, que passe a vida a lidar com a “escória da sociedade”, a correr sérios riscos para depois ouvir os “bem pensantes” pedir que não lhes estraguem a visão romântica em que as “etnias” pertencem aos festivais de música e não aos tiroteios. É chato.
    Por razões que me escapam o Rui Tavares pensa que isto é ser de esquerda, que ser de esquerda é isto.
    Se assim é então eu vou ser ainda mais de esquerda: como a polícia é constituída por tarados que só lá estão para poder fazer tiro à borla eu proponho uma polícia popular, um “Serviço Policial Obrigatório”, na linha do extinto serviço militar obrigatório.
    Dissolve-se a PSP, enquanto corpo profissionalizado, e todos os anos se recruta uns milhares de portugueses para desempenhar, de forma humanizada, o serviço policial. O povo é que vai policiar o povo e, espero eu, aprender dessa forma quanto custa fazê-lo.

    Só espero que o Rui Tavares esteja na primeira incorporação para podermos ver se ele afinal dispara ou não dispara sobre os carros em fuga.

  5. Rosa Redondo diz:

    Para que fique esclarecido desde o princípio:
    – lamento qualquer morte violenta, mesmo que por exemplo seja em situação de guerra e mesmo que a vitima seja voluntária;
    – penso que falar de “os ciganos”, “os comunistas”, “os de direita” como se fossem todos iguais, é pelo menos redutor e com certeza injusto pra muitos.

    Posto isto, penso que o artigo do Rui Tavares é demagógico e exemplo de uma “doutrina” que contemporiza com os comportamentos anti-sociais, contribuindo assim para aumentar a insegurança e os sentimentos hostispara com os grupos que pretende defender.
    Diz Rui Tavares: “A semana passada, um agente da GNR baleou e acabou por provocar a morte a um rapaz de treze anos”.
    Digo eu : GNR dispara vários tiros para deter carrinha de assaltantes que fugia após ter tentado atropelar um dos guardas. Imobilizado o veículo, verificou-se que tinha sido mortalmente atingido um dos ocupantes, um rapaz de 13 anos.
    As duas frases aplicam-se ao mesmo acontecimento, mas dizem coisas bastante diferentes…

    Diz Rui Tavares: “Se um agente do estado mata uma criança numa ocorrência trivial…” e também “Faz sentido: afinal não saiu prejudicada a propriedade privada de ninguém”.
    Digo eu: os ataques à segurança de vidas e bens não são ocorrências triviais.
    E essa tentativa de induzir no leitor a ideia de que estão aqui a vida humana de um lado e a propriedade do outro, é boa mas não pega.
    O que está aqui em causa é a função do Estado de defender os direitos, a propriedade e a vida dos cidadãos.
    Pôr isso em paralelo com intromissões legislativas na vida pessoal dos cidadãos não será demagogia?
    Por mim quero um Estado que me proteja do “carjacking” e que não me impeça de comer bolas de berlim na praia.

  6. zeto diz:

    É horrível quando uma criança de 13 anos morre. É horrível quando se metem os ciganos todos no mesmo saco. É horrível que se tenha morto uma pessoa no assalto ao BES. É horrível imputar a uma comunidade inteira as faltas de cada indivíduo. É horrível, também, a desculpabilização de indivíduos que tomam reféns e levam crianças de 13 anos para um assalto. O relativismo moral anda de braço dado com a complacência.
    p.s. Rui: tem algum amigo cigano?

  7. -O Rui Tavares consegue estabelecer relação entre episodios que não têm qualquer relação entre si, mesmo utilizar uma lógica esquerda/direita já é um manifesto exagero. Pergunte no caso do BES a opinião das pessoas de esquerda, e elas respondem-lhe que apreciaram a acção da polícia, volta agora à carga com o episódio de Loures, também aí o povo de esquerda recusa na maioria condenar os disparos do militar, embora todos, esquerda ou direita sejamos obrigados a lamentar a morte duma criança. Mas veja se percebe duma vez por todas, não é nada contra brasileiros, ciganos, negros, ou brancos, é TUDO, contra a ESCUMALHA, que faz da marginalidade um modo de vida. Os cidadãos estão FARTOS de verem criminosos presentes ao juíz, serem soltos e voltarem ao crime, que aliás o novo C.P.P. até agravou. Não será ainda tão grave como no Brasil, mas quando estreou o filme “Tropa de Elite” por lá, PESSOAS COMUNS, bateram palmas á tortura do BOPE, e jipes chegaram a ser aplaudidos em semáforos nas ruas do Rio de Janeiro. Lá chegaremos em Portugal, se continuarmos a ser brandos, não é necessário pena de morte, nem tortura, basta que a polícia prenda os criminosos e a Justiça não os liberte. É assim tão dificil perceber? E sobre os acontecimentos da Quinta do Mocho? Gangs rivais, lutam pelo controlo do tráfico de droga e nem uma palavra? Será por ambos os gangs serem compostos por negros? Racismo não foi!

  8. M Fonseca diz:

    Neste momento, o Público, para mim, vale quase só pelas crónicas do Rui Tavares! Parabéns pela sua inteligência, força, independência de pensamento e pela extraordinária capacidade de se exprimir de uma forma tão clara. Ficamos seguramente um bocadinho menos estúpidos quando aprendemos a pensar com alguém assim. Brilhante. Obrigada!

  9. atom diz:

    Normas para perseguição de assaltantes:
    No caso da polícia ou GNR surpreender um assaltante, não deve iniciar a perseguição sem se assegurar que as seguintes informações são recolhidas:
    Que seja contabilizado o valor do roubo por um contabilista credenciado (deve ser fixado em lei o valor, a partir do qual será licito iniciar uma perseguição).
    Deve ser averiguada a idade de todos os participantes no assalto (devendo essa tarefa ser encargo da Polícia Judiciária que deve apresentar uma fotocópia da certidão de nascimento de cada um dos assaltantes à autoridade solicitante) a fim de se avaliar tem a idade para que possam ser perseguidos.
    Deve a força policial solicitar ao delegado de saúde informação sobre o estado de saúde dos assaltantes, pois se estiverem doentes, não devem ser perseguidos.
    Deve ser averiguado qual o tipo e quantidade de armamento dos assaltantes. Se o armamento for inferior, a perseguição não deve ser iniciada pois seria injusto e desigual para os assaltantes (poder-se-ia pensar num subsidio governamental para que os assaltantes adquirirem armamento actualizado e restabelecer o equilíbrio entre perseguidores e perseguidos).
    Dirão alguns velhos do Restelo que quando estes elementos tiverem sido recolhidos os assaltantes já irão longe…
    Mas eu respondo: devagar se vai ao longe!

  10. AFC diz:

    Balear automoveis porque se recusam a parar e’ evidentemente uma practica pouco civilizada, medieval e que em nada aumenta a confiança nas forças policiais.
    Alias so’ revela a profunda incapacidade estrategica para lidar com as situaçoes.
    Apenas instiga ao medo ou receio da sua acçao. Nada mais.
    OS cidadaos comuns terem MEDO da Policia nao me parece um bom principio.
    As pessoas fogem de automovel pelas mais ridiculas razoes, ‘as vezes por nao terem um simples seguro ou uma inspecao em dia.

    As forças da ordem em Portugal comportam-se repetidamente como uma cambada de cow-boys sem regras nem PROTOCOLOS que regulem a sua acçao. Tudo e’ deixado ao livre arbitrio do operacional no terreno, que regra geral tem uma formaçao mediocre. A culpa esta nos niveis superiores de comando, que desta forma vao lavando as maos do sangue de inocentes neste caso de uma criança.

    Vivi em Los Angeles, terra onde QUALQUER PESSOA PODE ADQUIRIR UMA ARMA an loja da esquina, e todas as semanas (‘as vezes todos os dias) havia uma cena de perseguiçao envolvendo automoveis, pelas mais variadas razoes entre as quais nao parar em “Operaçoes Stop”.
    Nunca durante o periodo em que la residi, vi ou ouvi falar de um caso semelhante.
    O que sempre vi foi a Policia nao atirar enquanto nao houvesse uma tentativa REAL de atingir alguem (Policia ou nao). Alias o protocolo dita que em caso de perseguiçao automovel o veiculo policial apenas siga a’ distancia o veiculo em fuga e evite o confronto directo ate que o individuo(s) em fuga se veja obrigado a abandonar a viatura (a maior parte das vezes por falta de combustivel, o que levava a perseguicoes por vezes de mais de 2 horas).

    Em Portugal parece que estar ALEGADAMENTE a participar num crime significa nao ter direitos nenhuns inclusivamente o direito a’ vida.
    Nao e’ preciso julga-los e lincha’-los em praça publica.
    A nossa Policia encarrega-se disso. Ao vivo e a cores.
    Primeiro num Banco, agora numa vacaria.

    Afinal de que nos defenderam esses policias que MATARAM uma criança de 13 anos? Do roubo de outra vacaria?

    Muito peso e pouca medida.
    Pergunto-me a mim mesmo como faziam em Espanha naqueles Stops dedicados a combater a ETA. Matavam quem nao parasse?
    Nao me parece.

  11. AFC diz:

    Quanto ‘as bolas de berlim, deviamos criar um pais para a malta que nao gosta de ver implementadas as mais elementares regras sociais e de higiene alimentar impostas pelos especialistas e legisladores da EU que estudam estes assuntos…
    Alias…ja existe!!!
    E’ manda’-los para Marrocos… la’ podem apanhar intoxicaçoes alimentares a’ vontade e lamber os dedos de prazer no fim!

  12. AFC diz:

    Um automovel em fuga em Portugal e’ uma coisa extremamente perigosa. Quase tao perigosa como um Brasileiro a correr atrasado para apanhar o Metro em Londres. Realmente e’ melhor balear logo!

  13. Juc diz:

    Parabéns Sérgio F. pelo seu comentário !

  14. Ouuuups.
    Conheço o caso de um fulano que é filho de beltrano que foi director de um departamento da Tap. Tirou um curso de engenharia de cordel numa privada e depois de umas manteigadas do pai partiu para os E.U num estágio do ICEP …. que como é de domínio público da falinha entre dentes, não é por mérito que se operam as selecções dos ilustres cérebros PT’S, mas a manteigada dos papá. Volta dos EU. Arranja emprego e ao fim de 1 ano é despedido ( dispensado, na narrativa dos burgueses) e fica 9 meses desempregado. Ora, o papá lá arrajam uma manteigada maior o fulano vai para a HOLANDA, para a Internacional e Multinacional Homolugação de Patentes, Exigia domínio de 3 Línguas. O fulano não sabia uma letra de Alemão, mas entra na mesma, é seleccionado: por mérito – na narrativa dele, do pai e do amigo do pai qe lá o enfrascou a ganhar quase 5000 Euros.
    Agora chega a moral da História: aquando da divulgação dos casos desumano e de inequívoca ESCRAVATURA de compatriotas seus na Holanda este Pacote de Manteiga tem a lata de desdenhar: e pronunciar que “eram gajos que não gostavam de trabalhar” e que não obedeciam às ordens. Acrescento quedado que é filhote dum Ex-director da TAP tem o DIREITO VITALÍCIO DE VIAJAR as vezes que bem lhe apetecer ( pagando só as taxas ) pela nossa Tapzinha. É! Meus amigos, o dinheiros dos contribuintes vai para esta gentalha que bem comenta que p. exemplo o Electricista deste post não é produtivo logo merece não ser aumentado e ser despedido. Bem como quem trabalha nas fábricas país fora por pouco mais de 400 Euros.

  15. bem, vamos lá a separar um pouco os temas.

    em primeiro lugar, em resposta à referência que alguém fez ao sequestro do BES: eu acho legítima a intervenção da polícia no BES, ou seja, acho que há mais argumentos a favor da intervenção do que contra, e que os argumentos a favor são mais fortes e decisivos. quando escrevi sobre o assunto deixei isso claro, mas os meus textos foram principalmente sobre o debate (que já vinha da quinta da fonte) e que ligava estrangeiros, minorias e criminalidade.

    este texto de hoje não é sobre o caso BES.

    quanto ao caso da vacaria, transcrevo o que escrevi num comentário no blasfémias:

    “Eu não digo que o rapaz foi morto “porque” estava a assaltar a vacaria. Mas reservo o juízo sobre a alegada tentativa de atropelamento e fuga e devo dizer que ela em si não esclarece o que se passou. Há-de concordar comigo nisto: há uma legitimidade completamente diferente em abrir fogo quando um carro vem na nossa direcção com intenção manifesta de nos atingir (é legítimo) e abrir fogo quando o carro já passou, disparar sete tiros até que ele se detenha umas centenas de metros adiante, sem que naquele momento esteja a colocar em risco a nossa vida ou a de terceiros (não posso dizer, sem mais dados, que seja inteiramente ilegítimo, mas posso dizer que é bastante discutível). De acordo com todos os relatos, incluindo da polícia, o carro não foi alvejado quando se dirigia contra os polícias mas quando estava em fuga. São coisas diferentes.”

    se houve tentativa de atropelamento (vamos partir do pressuposto que sim) considero discutível a legitimidade de abrir fogo sobre o carro que já vai em fuga e não coloca a vida de terceiros em risco. pelo contrário, é a gnr que acaba por colocar a vida de terceiros em risco, como sucedeu: foi o filho do criminoso, como podia ter sido alguém que estivesse por perto. é por isso que há regras para estas coisas, e que os limites da acção do estado devem ser objecto de discussão colectiva. a ideia do editorial do DN de que o que deve merecer indignação e debate é acção individual irresponsável e criminosa de um assaltante, deixando por debater a função do estado, é uma inversão total do que deve ser o papel do debate público democrático. o crime é por definição condenável; mas aquele indivíduo não somos nós todos. a nossa polícia somos nós todos e os seus procedimentos devem ser legítimos e justos.

    espero que compreendam que há uma série de comentários que não merecem resposta: saber se eu tenho amigos ciganos, comparar a gnr com a mulher a dias, desejar que eu esteja na primeira incorporação, etc. etc.

    no meu texto cito 3 pessoas directamente do seu texto (Ferreira Fernandes, Helena Matos, Alberto Gonçalves), parafraseio outra com referência para o seu texto (João Miguel Tavares), e cito o editorial de um jornal com 140 anos, o DN. não é habitual: o que é habitual na imprensa e na blogosfera portuguesa é falar vagamente da esquerda sem citar nomes, para construir um espantalho que é fácil destruir — para o que nao é preciso ter a mesma coragem. Fernando Madrinha no expresso desta semana e João Miguel Tavares no DN de hoje falam do caso BES dizendo que a esquerda esteve contra a acção da polícia. não citam ninguém, e é natural; não há ninguém para citar. a unica pessoa que esteve absolutamente contra a acção da polícia no caso BES foi o joão miranda, que é de direita.

    o que é habitual também, principalmente na blogosfera, é substituir aquilo que uma pessoa disse por aquilo que achamos que ela deveria dizer, obedecendo aos nossos pressupostos.

    não é isso que eu faço aos outros. é um ponto de honra citar os textos de que estou a falar, sem fazer interpretações sobre as psicologias dos seus autores ou desejar que eles alguma vez estejam em perigo de vida, ou qualquer comentário afim.

  16. dr maybe diz:

    eu prefiro uma polícia e uma sociedade que valorizam a vida das pessoas em deterimento dos bens materiais.

  17. joséjosé diz:

    Rui ,não é politicamente correcto dizer-se que democracia é aceitar-se a vontade da maioria ? Então …
    Olhe ,talvez seja bom, dar uma olhadela ( com o seu olho de lince) para os jogos olimpicos, que estão a decorrer na Geórgia!!!

  18. mariana diz:

    Balear automoveis porque se recusam a parar e’ evidentemente uma practica pouco civilizada, medieval e que em nada aumenta a confiança nas forças policiais.

    não estou a ver a medievalidade da coisa…havia automóveis na idade média? e armas de fogo? é, a idade media é a ciganada da história, ninguém conhece e por isso mesmo apanha sempre por tabela. tem que haver bodes expiatórios para tudo, não é?

  19. Eu sei que vivemos num país sujeito a intensa “infantilização”. É comum ver chamar criança, na TV, a adolescentes bem desenvolvidos. Nós todos, como os filhos saiem de casa cada vez mais tarde de casa, tratamo-los como crianças pelo menos até aos trinta anos. Talvez por isso campeia a retórica sobre as crianças e sobre a sua proverbial ingenuidade e inocência.

    A morte de um jovem de 13 anos em recente perseguição policial, que foi tão comentada na blogosesfera, levanta uma outra ordem de questões. Quando uma “criança” nos aponta uma caçadeira de canos serrados mantém o seu estatuto ? Devemos reagir dizendo “baixa lá isso senão levas tau-tau” ?
    O exemplo não é académico. No DN de hoje, entre muitas outras descrições de actividades criminosas, que ocumpam cada vez mais espaço nos noticiários, figurava uma notícia sobre o assalto a um supermercado em Vagos:
    “Os jovens de 14, 17 e 18 anos invadiram o estabelecimento comercial encapuzados e roubaram cerca de 5OO euros que estavam na caixa registadora do estabelecimento comercial, cuja abertura forçaram a tiro de caçadeira de canos serrados. Apesar da violência demonstrada no assalto, não se registaram feridos.”
    No caso do jovem baleado pela GNR durante uma fuga em Loures não sabemos se estava a participar no roubo ou se se limitava a fazer companhia aos familiares mas, à luz da notícia referida, não devemos excluir qualquer das hipóteses.

    Outra notícia do mesmo jornal, no mesmo dia, ajuda a situar melhor todo o episódio.
    O “pai do jovem que foi alvejado”, é assim que o DN o identifica, quem era afinal ?
    “Sandro Lourenço cumpria uma pena de cinco anos em Alcoentre por roubo em residências. O irmão, José Júlio Lourenço, nunca cumpriu pena, mas tem antecedentes criminais. Sandro já não compareceu na PJ, na manhã de quarta-feira, para prestar declarações nem tão pouco ao velório nem ao funeral do filho, Paulo Salazar, de 13 anos”.

    Neste ponto apetece transcrever parte do comentário de João Miguel Tavares, no mesmo DN:
    “Parece que o assalto ao BES é o novo compêndio político para a distinção entre esquerda e direita em Portugal. Se o leitor está indeciso quanto às suas convicções ideológicas, basta-lhe responder à seguinte pergunta: o que deve ser feito quando um imigrante aponta uma pistola à cabeça de um inocente? A) Um sniper deve imediatamente despachá-lo comum tiro nos miolos. B) Ele deve ser alvo, não de uma espingarda, mas da nossa compreensão, acarinhado pela polícia e pacientemente aconselhado a mudar de vida. Se respondeu A), você é uma pessoa de direita, fria e justiceira. Se respondeu B), então você é uma pessoa de esquerda, sem dúvida amigável, mas um pouco branda. Após passarmos tantas horas com dois brasileiros barricados, as posições ficaram assim, extremadas, e cada um de nós é convidado a escolher o buraco em que se quer enfiar.”

    Espero que a esquerda não cometa o erro de seguir por este caminho. Se tal vier a acontecer espera-nos mais uma estrondosa derrota.

  20. The Studio diz:

    Infelizmente a Demagogia não é uma modalidade Olímpica ou o nosso digníssimo representante Rui Tavares teria o ouro assegurado.

    Em primeiro lugar faz uma grande confusão entre as bolas de berlim e o caso de Loures. Acontece que o agente da GNR não é o Estado, e caso tenha agido erradamente, não foi o Estado que agiu erradamente (como no caso das bolas de berlim) mas tão somente um agente do Estado.

    Quanto ao caso de Loures, o Rui Tavares parece assumir que o GNR abateu deliberamente a criança. Se tal é verdade, trata-se de um crime, como é evidente. Se o GNR não tinha conhecimento da presença da criança e a atingiu acidentalmente, então trata-se de um acidente. Naturalmente que o Rui Tavares pode argumentar que os GNRs não devem dar tiros nas traseiras dos veículos pois é sempre possível que os assaltantes decidam levar os filhos lá atrás. Até pode ter razão. Mas uma coisa é ter de tomar uma decisão numa fracção de segundos com a vida em risco. Outra coisa completamente distinta é ter tempo à vontade para pensar sobre o assunto, confortavelmente sentado em frente ao computador enquanto se come um caviar e se dizem umas baboseiras.

    Sugiro-lhe que o Rui Tavares se ofereça para ir na linha da frente, na próxima operação de risco envolvendo indivíduos perigosos, para depois poder falar abalizadamente sobre o assunto.

    “Há umas semanas escrevi sobre o preconceito anti-cigano”

    Tratar-se-à de um preconceito? Será que o Rui Tavares sabe o significado de “preconceito”? Não parece.

    “preconceito
    s. m.,
    conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério;”

    Será que não há fundamentos sérios para as opiniões que muita gente tem sobre a etnia cigana?

    “o pior de todos os crimes, vejam lá — a esquerda é de esquerda.”

    Lamento, mas o Rui Tavares não é genuinamente de Esquerda. A Esquerda bate-se pela defesa dos trabalhadores quando estes são explorados pelo patronato. O Rui Tavares julga-se o novo Jesus Cristo e anda por aí a pregar aos peixes e a dar lições de moral a tudo e a todos.

  21. f. diz:

    meu deus. quando eu leio que há quem defenda que a desobediência a uma ordem da polícia legitima disparos sobre quem desobedece e que há quem ache que uma alegada tentativa de atropelamento justifica sete tiros fisparados, a posteriori, sobre o carro que alegadamente tentou atropelar (tentou, ou seja, não atropelou. vou repetir: tentou, ou seja, não atropelou), e isto depois de andarmos há duas semanas a discutir o que diz a lei que autoriza disparos policiais, fico sem pachorra para comentadores, caixas de comentários e blogues em geral.

    quando leio o que dois colegas meus — por quem tenho amizade – escrevem sobre o tema, fazendo equivaler posições sobre os disparos à esquerda e à direita (quando, como o rui tavares diz, a pessoa que mais escreveu contra os tiros de campolide foi o joão miranda, que não é suspeito de ter um centímetro de esquerda em todo o corpo) fico sem paciência para o resto. acho que vou hibernar.

  22. NunoV. diz:

    Há uma frase que resume eloquentemente a trapalhada que para aqui vai: “Mudando de assunto, sem mudar. ” De facto, o Rui Tavares muda de caso para caso, distingue e mistura tudo e mais alguma coisa, e acaba por concluir aquilo que sempre quis concluir. O mau gosto também anda por aqui: “Porque, independentemente de tudo, a criança morreu. Nada indica que venha a ressuscitar.” Finalmente, consciente da confusão que vai na sua cabeça, pergunta relutantemente: “Percebem?” Claro que não percebemos! Pensa-se mal neste país e escreve-se ainda pior.

  23. Com todas estas narrativas sobre a realidade, esta parece ser mais simples. Para a próxima, o polícia é mesmo atropelado para não poder disparar. Nos sequestros a bancos negociar-se-ão com os mediadores vidas, para o caso das coisas correrem para o torto ninguém ficar a rir.
    Já agora: vejo survir um certo clima de exigência de Suicídio aos Atlets dos jogos Olímpicos como única forma de espiação de derrotas. Até parece que toda agente portuguesa nasceu muito bonita e bela. Como se os limites que se impõem ao corpo dependessem exclusivamente de uma vontade autonoma-automática.

  24. f. diz:

    errata, adenda, etc (e a prova de que devo definitivamene hibernar): o ferreira fernandes não fez essa comparação a que aludo. quem a fez foi o meu excelentíssimo amigo joão miguel. tenho dito, com desculpas encarecidas ao meu excelentíssimo amigo ferreira fernandes. e agora adeusinho.

  25. j diz:

    «acho que vou hibernar»
    E sou polícia!

    Leva-me consigo, Fernanda? ::))

  26. Há pessoas que mal saltam para o estribo do eléctrico da esquerda só pensam em expulsar os que já lá se encontram. Estabelecem logo uma definição obrigatória a que todos têm que se sujeitar.
    Eu, que já era de esquerda quando eles nasceram, confesso que por vezes até me apetece saltar do eléctrico.
    Já me falta a paciência para tanta “democracia”.

  27. Nuno Delgado diz:

    Rui Tavares, de tão demagogo que é, acaba por tornar difícil responder-lhe.
    Porque às tantas damos por nós a ensaiar uma resposta em que acabamos a explicar aquilo que é estupidamente óbvio para qualquer individuo. E o pior é que Rui Tavares até conhece e valoriza os tais conceitos universalmente aceites. Mas como é um malabarista das ideias, militantemente litigante, vai despejando estas postas como se o mundo em geral estivesse no caminho das trevas e a Luz, essa, é apenas atingida pela sua clarividência intelectual.

  28. Rui Tavares é, habitualmente, intragável.
    No entanto, uma vez por outra, consegue dizer umas coisas com tino: é quando, sem dar por isso (cruzes, canhoto!), adopta posições de direita.
    Devia limitar-se à investigação histórica e deixar de lado as croniquetas jornalísticas, em que quase toda a gente é melhor que ele.
    (Outro conselho que lhe dou é que evite a televisão: sai-se sempre pessimamente).

  29. Jorge Falcato diz:

    Eu sou suspeito. Há mais ou menos trinta anos fui atingido por uma bala de G3 disparada por um PSP. Agente Amadeu (porque será que não me esqueço do nome dele?). Desde então ando de cadeira de rodas porque achei que uma manifestação fascista, 4 anos depois do 25 de Abril, tinha de ter uma contra-manifestação.

    Os polícias sabem quando têm legitimidade legal para disparar. Está escrito! Não se dispara para parar quem rouba um auto-rádio e vai a fugir, nem quando rouba sucata… mesmo que não gostem de ciganos.

    Em Portugal não existe, felizmente, pena de morte. Que assim é instituida sem haver sequer julgamento.

    O que fariam então aos que roubam milhões?

    Tortura?

    Quantos anos?

  30. Rui diz:

    Eu concordo com o Rui Tavares.
    A verdade básica é esta:
    – se os tiros mortais foram deliberadamente, intencionalmente, disparados contra um carro em fuga que já não era ameaça para ninguém, estamos mal porque não é para isso que nós, contribuintes, pagamos aos polícias para terem armas: é para nos protegerem ou para se protegerem a si próprios se forem atacados;
    – se os tiros mortais foram um acidente, estamos pior: o morto podia ser eu ou um dos defensores desta linha de actuação ou quem quer que ali estivesse naquele momento (tudo perdas irreparáveis, claro está).

    Já agora: não há um pacto entre polícias e criminosos que obriga a que não se matem uns aos outros, ou um cidadão inocente, “por dá cá aquela palha”? Se havia, já não há…

  31. dr maybe diz:

    o Relatório Minoritário de Philip K. Dick é capaz de ser recomendável para quem são difíceis de entender os conceitos inerentes a estas histórias de polícia. também existe a versão “contado às crianças e lembrado ao povo” de spielberg.

  32. Este post seria mais compreensível se se cortasse no estilo e na indignação. Já sabemos que estamos todos chocados com a morte de uma criança.

  33. filinto diz:

    Eu concordo e é só loas e não vou discutir o que foi escrito. Apenas comentar que está bem escrito e muito bem pensado e relacionado.

  34. luis eme diz:

    texto brilhante. sem zigiezagues.

  35. z diz:

    eu é só a kpk

  36. j diz:

    Posso garantir, mas posso mesmo, que os autores de alguns comentários não passariam nos testes psicotécnicos para serem agentes de autoridade, pois ao fazer pontaria seguramente que procurariam as zonas letais para acabar com a “bicharada” dos criminosos.

    Quando é redundante criticar as polícias por abusos de autoridade, é confrangedor ler aqui comentários, que falam sobre o uso das armas, sem sequer terem alguma vez lido a lei ou, se leram, então não passam de analfabetos.

    Razão tem Fernanda Câncio em desabafar, depois de tanto esforço a dar explicações de borla, e não sendo ela jurista, para querer «hibernar».
    Já eu, «quero voltar para a ilha».

  37. Roteia diz:

    Já não é de agora, mas a coisa não pára de piorar: há em Portugal uma estranho animosidade contra tudo o que brilha. E o Rui Tavares brilha.

    Li integralmente os 35 comentários precedentes. Muitos deles parecem ter como função inquinar a discussão. Embora possa discordar de algumas posições assumidas no post, considero particularmente útil o pensamento do autor e o seu contributo ao debate. Em síntese: é necessário questionar os métodos daqueles a quem o Estado autoriza a fazer o uso da força. Só assim se pode prevenir excessos ou abusos de autoridade policial.

  38. manuela diz:

    E já agora só quero acrescentar a minha concordância com o Rui Tavares e que, já que tem voz pública, continue a utilizá-la apesar do vozear aqui e ali. Não entendo sequer o modo ligeiro como muita gente prescinde do mais elementar acto de cidadania – exigir que as forças de segurança actuem responsavelmente em todas as circunstâncias e com cuidados redobrados quando estão em causa vidas humanas.

  39. Carlos Gomes diz:

    Os homens que assaltaram hoje uma carrinha de transporte de valores na Auto-estrada do Sul (A2) levaram só “dinheiro em notas” e escaparam por uma “saída de emergência” da via, revelou a Brigada de Trânsito da GNR.
    A BT da GNR acrescenta que informou a Brisa sobre a inversão de marcha dos assaltantes, desconhecendo o capitão Pedro Rosa se “mais alguma câmara” os terá ou não captado.

    “De qualquer forma, as matrículas dos automóveis devem ser falsas”, disse, considerando ser também possível que o grupo, à distância, tivesse “outras viaturas preparadas” e estivessem “mais elementos envolvidos”.

    Durante o assalto – que terá sido preparado para “ser realizado até ao quilómetro 140” de modo a que o grupo pudesse “fugir pela saída de emergência e inverter a marcha” – foram disparados “bastantes tiros para imobilizar” a carrinha de transporte de valores, em que seguiam dois funcionários da Prosegur.

    “Os assaltantes dispararam para o motor, para os pneus e para todo o lado para imobilizarem a viatura”, adiantou, referindo-se nomeadamente a “dois tiros para o vidro frontal”.

    Os três veículos automóveis de alta cilindrada usados no assalto “foram no encalço da carrinha, interceptaram-na e imobilizaram-na”.

    “Quando os funcionários da Prosegur saíram, colocaram engenhos explosivos na parte traseira e rebentaram com a porta”, levando “uma quantia não determinada de dinheiro, só em notas, deixando ficar as moedas, que eram muito pesadas”, explicou.

    Isto está bonito, está.

  40. Carlos Gomes diz:

    O proprietário da ourivesaria que foi baleado durante um assalto ao seu estabelecimento, ao início da tarde, em Setúbal, acabou por não resistir aos ferimentos.

    O homem, com cerca de 50 anos, transferido para o Hospital de São José, em Lisboa, a fim de ser submetido a “avaliação neurocirúrgica, mas acabou por falecer pelas 19h20.

    Isto está bonito, está.

  41. J.B. diz:

    Relativamente ao comentário do “j” que diz: “Posso garantir, mas posso mesmo, que os autores de alguns comentários não passariam nos testes psicotécnicos para serem agentes de autoridade, pois ao fazer pontaria seguramente que procurariam as zonas letais para acabar com a “bicharada” dos criminosos.”

    sem estar a enfiar qualquer barrete (pois este é o meu primeiro comentário sobre o assunto), posso GARANTIR, MAS POSSO MESMO que o “f” NÃO PERCEBE NADA sobre Tiro Policial, baseando-me apenas neste comentário. Até arrisco dizer que nunca pegou ou disparou qualquer arma.

    Quanto ao resto até acredito que conheça os requesitos para a utilização das armas de fogo.
    Acho que vou também hibernar, estou farto de ouvir comentadores de sofá que SÓ opinam sobre aquilo que leram ou ouviram outros dizer.

    Quanto ao Jorge Falcato, tenho-lhe a dizer que sei muito bem que manifs facistas você se refere, curiosamente esses partidos estão representados actualmente na Assembleia da República, mas para determinadas “esquerdas” não era admissível existirem.

  42. j diz:

    «Até arrisco dizer que nunca pegou ou disparou qualquer arma.»

    Se, por engano, se refere a “f”, como escreve, não sei de Fernanda Câncio alguma vez deu um tiro. Se calhar não, nem de pressão-de-ar.

    Se queria dizer “j”, então, vê-se que anda desatento…!
    Ou, então, não vai hibernar, porque já anda hibernado há muito tempo e não tem tido atenção ao que por aqui escrevo vai para dois anos!

  43. j diz:

    “Isto está bonito, está.”

    Pena de morte para a “bicharada”, já.
    Que nos países onde ela existe, está tudo calmo, não há violência nenhuma.
    Nos EUA, então, é o paraíso.

  44. J.B. diz:

    Caro “j”, efectivamente estava-me a referir a si…e concerteza você deve ter escrito muito sobre os mais variados temas nestes ultimos dois anos, no entanto devo-lhe dizer o seguinte:
    1.º O facto de escrever não lhe confere o “knowhow” sobre o que escreve

    2.º Você não sabe mesmo NADA de tiro policial, pelo simples facto que ele é da forma exactamente CONTRÁRIA há relatada por si.

    3.º Se você soubesse e pensasse um pouco, concluía que efectivamente a polícia só pode disparar quando existe uma grave ameaça para a vida do agente ou terceiros, LOGO, o treino de tiro de qualquer polícia NO MUNDO é exactamente para denominada “área letal” que é a área central e superior do tórax.
    Nenhum polícia treina para outra área e com isto se prova, que escrever durante dois anos sentado à secretária, não dá conhecimento sobre outras áreas de rua…infelizmente é um mal comum a muitos comentadores “iluminados”.

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