Dormindo com o inimigo

Longe de mim menorizar o papel do homem na perpetuação de tradições aberrantes que resultam em agressões quotidianas a incontáveis mulheres. Mas olhem que quando se chega ao ponto de, como confessou um nosso comentador, se sentir, «como homem»,«uma imensa e profunda vergonha por sermos responsáveis por tanto, tanto sofrimento inútil», já fomos longe de mais. É que eu não sou só filho de homens (mesmo as feministas mais ferozes têm de viver com a secreta vergonha de terem mais material genético além do das mitocôndrias); e nada tenho em comum as criaturas que incendeiam as esposas, excepto o facto de ter pilinha.
Last but not least, olhem que aquele velho estereótipo da mulher agredida que se vira contra quem se interpõe, subitamente cheia de pena do seu “homem”, não vive apenas nos rosados sonhos catódicos da TV. Anda por aí, sempre mais perto do que imaginamos.

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