um acto de descompressão e um convite à reflexão #4

Raphael Bluteau, reproduzindo concepções tradicionais, diz que a “caroucha” é um “bicho repelente, todo negro”, com “seis pés e dois cornichos delgados e dobradiços” e com “corpo alguma coisa largo e prolongado”. Refere igualmente a crença popular de que “mata galinhas”. Algumas das carochas têm hábitos nocturnos, comendo de tudo, nada ficando a salvo da sua voracidade. De tudo isto se destaca que, de seu natural, são negras, nocturnas, carniceiras, “merdilheiras”, hidrófilas, estando os dois primeiros qualificativos bem atestados, em contextos míticos, quer fortes quer dessorados. A carochinha portuguesa transforma-se em baratinha no Brasil.

Lages, Mário F., Vida/Morte e diafania do mundo na história da carochinha, Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa – Universidade Católica Portuguesa, Lisboa, 2006, p. 81

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