um acto de descompressão e um convite à reflexão #3

Utilizando este modelo, a história da carochinha, tal como consta da tradição portuguesa, sobretudo na sua versão de referência e semelhantes, quereria dizer que, se o João ratão não conseguiu ultrapassar o estádio oral, o rei fixa-se na fase anal. O final da história não seria, pois, senão uma repetição, com maior carga simbólica, do destino do João Ratão. Assim, não admira que o conto em que o João Ratão morre tenha sido aumentado com a história de um rei e de uma rainha infecundos, não porque fossem da mesma espécie mas porque se encontram em estádios inconciliáveis.

Lages, Mário F., Vida/Morte e diafania do mundo na história da carochinha, Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa – Universidade Católica Portuguesa, Lisboa, 2006, p. 244

ps: a referência bibliográfica completa serve para amansar a fúria corporativa das sensibilidades mais letradas desta casa

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