O outro texto do João Miranda

Refiro-me agora ao texto publicado no Blasfémias sobre o assalto à dependência do Banco Espírito Santo em Lisboa. Começo por esclarecer a minha posição: concordo com o procedimento da polícia. Embora lamente sinceramente que tenha sido perdida uma vida, estavam outras vidas, perfeitamente inocentes, em jogo, pelo que creio que a opção não poderia ter sido outra. Dito isto, também não concordo que se equivalham as posições do João Miranda e da maior parte das pessoas que criticam a actuação da polícia neste caso. É que quis-me parecer (mas posso estar errado) que o que mais incomoda o João Miranda é, mais do que a morte em si, o facto de esta ter sido perpetrada por um agente do Estado (polícia, neste caso). Sendo assim, e para esclarecer melhor esta minha dúvida, gostaria de colocar algumas questões ao João Miranda, nomeadamente:

  • Qual é a opinião do João Miranda sobre a pena de morte? O João já escreveu sobre isto, mas não é um juiz um agente do Estado?
  • Qual é a opinião do João Miranda sobre o livre porte de armas?
  • Tomaria o João Miranda a mesma posição sobre a morte caso a mesma operação de resgate (com a mesma morte do assaltante) tivesse sido efectuada por um privado? Digamos que por vigilantes contratados pelo próprio banco e não pelo Estado?

Obrigado pela atenção, e peço desculpa se alguma destas respostas já foi dada nos quase 400 comentários ao referido texto (não me é mesmo possível lê-los de momento). Aguardo pelos esclarecimentos, se possível.

Este artigo foi publicado em cinco dias and tagged . Bookmark the permalink.

7 respostas a O outro texto do João Miranda

  1. Luís diz:

    Exactamente. O que o incomoda é a falta de controlo do Estado e dos seus agentes, o que até o leva a contrariar um dos pilares base do liberalismo, o primado da propriedade privada sobre a vida dos que a tentam roubar. É um paradoxo curioso.

  2. Dinis diz:

    Pá! Tu! Companheiro! Amigo!
    Obrigado por teres aparecido… É claro que nunhuma das tuas doutas objecções foi colocada em nenhum dos 400 (quatrocentos) comentários ás blasfémias do JoaoMiranda. É óbvio que estavamos TODOS à espera que fosses TU, digno senhor, a colocar as questões pertinentes e óbvias. Bem hajas. E bem aventurados sejam os teus dignos descentespois que. de ilustração e inteligência não serão, ao Senhor, credores.
    Sentia a tua falta pá! nem sei como exprimir… Obrigado por seres quem és!!

  3. Dinis diz:

    é claro, que “comme il faut ” o comentário anterior deve passar por “trabalho de edição” a cargo da Fernanda Câncio. Sendo assim não me responsabilizo por gralhas nem erros ortográficos. Obrigado.

  4. Ibn Erriq diz:

    Espere só um segundo, vou tirar esse assunto do congelador

  5. Justiniano diz:

    Caro Filipe!
    Desculpe-me o desabafo mas contrariamente ao pseudo consenso medroso reinante entendo que a acção da PSP no BES Campolide foi aventureira e consitui péssima doutrina para situações identicas uma vez que integra um elevado risco, evitável, para a vida de reféns!
    Conduziu à tragédia da morte e ao elevado trauma psicológico dos últimos reféns, especialmente o refém masculino que podia, certamente, ter sido atingido! Foi corrido um risco que, estou certo, os reféns não quereriam correr!
    Do mesmo modo entendo que a actuacção de óntem da PSP foi excelente pelo resultado e meios empregues, não perigando a vida de terceiros e sendo adequada a reafirmar legalidade penal!
    Esta é a melhor doutrina para situções semelhantes, evitando o confronto imediato com os agentes do crime e deste modo evitando o risco de tomada de reféns!!
    O estranho no meio de tudo isto foi o consenso apresentado e o rejubilar com esta doutrina “Russa”!
    A ponderação de interesses neste caso é também imensamente relevante acerca da posição ideológica do Comando da PSP!
    Qualquer Estado de Direito Liberal, assente na dignidade da pessoa humana representa a vida do indivíduo humano como o valor pressuposto da existencia do próprio Estado (Este existe não existe na natureza das coisas mas sim funcionalmente no interesse específico dos indivíduos) e representa um juízo de máxima salvaguarda da vida humana!
    Neste sentido a máxima salvaguarda e o menor risco são conseguidos com a acção de óntem e não com a acção do BES de Campolide! Não pressuponho, como faz a grande maioria, a inevitabilidade da acção dos snipers e estou em crer que será mais sensato em identicas situações deixar os agentes do crime abandonar o local e posteriormente deter os mesmos em circunstancias de ausencia de risco para terceiros!
    Note-se que não discuto a licitude formal da acção da PSP mas apenas a sua boa doutrina prática, que, estou certo, a própria PSP reconhecerá como pouco aconselhável!

  6. Tárique diz:

    Embora lamente sinceramente que tenha sido perdida uma vida, estavam outras vidas, perfeitamente inocentes, em jogo, pelo que creio que a opção não poderia ter sido outra.

    Eu diria que a polícia, ao iniciar um tiroteio colocou em sério risco a vida dos reféns (e acabou com a vida do assaltante). Para mais iniciou-o de uma forma perigosíssima, assassinando um dos assaltantes e deixando liberdade ao outro para magoar os reféns (coisa que ele não fez, mostrando mais mesericórdia do que a polícia). Já para não constatar o óbvio, que o que estava em risco não eram as vidas dos reféns mas umas poucas centenas de euros do banco espírito santo …

  7. Pinto diz:

    “Foi corrido um risco que, estou certo, os reféns não quereriam correr!”

    Anda por aqui o Prof Bambo?

Os comentários estão fechados.